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Estado de Minas

'Concentração bancária ainda é um problema', afirma Cristina Junqueira, executiva da Nubank

Em entrevista ao Estado de Minas, cofundadora da maior instituição financeira digital fora da Ásia fala sobre mercado brasileiro e garante que ainda há espaço para crescer


postado em 01/10/2018 06:00 / atualizado em 01/10/2018 08:04

'As pessoas estavam cansadas de se sentir enganadas ou confusas quando o assunto é dinheiro'(foto: Divulgação)
'As pessoas estavam cansadas de se sentir enganadas ou confusas quando o assunto é dinheiro' (foto: Divulgação)

São Paulo – Na semana passada, o Nubank alcançou a marca de 5 milhões de clientes no segmento de cartão de crédito, tornando-se assim a maior instituição financeira digital fora da Ásia e uma das cinco maiores emissoras do dinheiro de plástico do país. Na carteira de contas digitais, são mais de 2,5 milhões de correntistas. Segundo a cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, há muito espaço para crescer, embora a concentração do mercado financeiro nas mãos de poucos bancos ainda seja um obstáculo a ser superado. Em entrevista ao Estado de Minas/Correio Braziliense, Daniela garante que só uma concorrência maior poderá diminuir os problemas enfrentados pelos brasileiros no campo financeiro. “Além de as pessoas pagarem um dos juros mais altos do mundo, elas também sofrem com experiências horríveis como consumidores”, afirma. Confira os principais trechos da entrevista.

 

Por que fintechs como o Nubank estão conseguindo crescer de forma tão rápida no mercado brasileiro?
As pessoas estavam cansadas de se sentirem enganadas ou confusas quando o assunto é dinheiro. Elas querem ter controle sobre suas finanças, e um atendimento que realmente resolve problemas. O Brasil tem um setor financeiro altamente concentrado. Além de as pessoas pagarem um dos juros mais altos do mundo, elas também sofrem com experiências horríveis como consumidores.


Como o Nubank se enquadra  nesse cenário?
Ao oferecer uma experiência simples, justa e transparente, o Nubank mostra que é, sim, possível fazer diferente e ajudar os clientes a exigirem mais das empresas. Inclusive, observamos hoje uma demanda por serviços mais eficientes e com melhor atendimento, não só no setor financeiro, mas em diversas áreas, como aviação, telefonia, entre muitos outros.

Qual é a importância das redes sociais para o crescimento do banco?
Nas redes sociais, recebemos constantemente pedidos para, além de lançarmos outros produtos financeiros, apostarmos em áreas que também apresentam muitos problemas de serviços ao consumidor no Brasil, como telefonia e aviação. Respeitamos muito essa confiança e entendemos a responsabilidade para manter o alto nível de serviços que os clientes esperam do Nubank.

Qual é o maior desafio, a concorrência com os grandes bancos ou com as outras fintechs que estão surgindo?
Desde que começamos nossa operação, vimos mais de 300 outras fintechs surgirem e também os grandes bancos melhorarem seus aplicativos e buscarem opções de produtos sem tarifas. Na prática, não vimos nenhum impacto dessas iniciativas no nosso crescimento.


A concorrência não afeta em nada os negócios do Nubank?
Acreditamos que é altamente benéfico ter concorrência, para que nossa missão de forçar o mercado a se inovar continue. Não queremos um mercado dominado apenas por poucas instituições, como já aconteceu antes, mas uma concorrência saudável na qual quem conquista o cliente é a empresa que oferece o melhor produto ou serviço.

As fintechs podem, na prática, se tornarem ferramentas para a redução do spread bancário?
Um sistema bancário competitivo, sem grandes barreiras de entrada, é o melhor jeito de ver consumidores pagando cada vez menos juros e tarifas por melhores produtos financeiros. Além disso, temos mais de 60 milhões de brasileiros sem acesso a sequer uma conta bancária. Novos entrantes digitais, com custos operacionais menores e maior eficiência, vão sem dúvida conseguir combater esse problema que bancos tradicionais não conseguiram.

Quais são as perspectivas de crescimento para o Nubank?
Depois de quatro anos tendo apenas o cartão de crédito como produto, disponibilizamos a NuConta para qualquer brasileiro em maio, com o objetivo de dizer ‘sim’ para cada vez mais pessoas. Desde que o Nubank foi criado, em 2013, tivemos que dizer ‘não’ para mais de 12 milhões de pessoas que pediram o cartão Nubank e que não foram aprovadas por causa da análise de crédito. Criamos a NuConta para levar a experiência do Nubank a todos, inclusive ao mercado de mais de 60 milhões de pessoas desbancarizadas no Brasil. Nosso maior foco neste ano é ampliar o acesso à NuConta e continuar trabalhando para que ela tenha uma experiência cada vez mais completa.

Há planos de aquisições ou a expansão se dará por crescimento orgânico?
Até hoje nosso crescimento permanece orgânico e não nos deparamos com nenhuma oportunidade de aquisição que fizesse sentido com a cultura e tecnologia que estamos construindo aqui no Nubank.

O Nubank estuda começar a atuar em quais novos segmentos?
Nosso foco atualmente é melhorar cada vez mais experiência da NuConta, que abrimos recentemente para todo o mercado, e não temos previsão para novos lançamentos de produto. Hoje, as nossas prioridades um, dois e três são desenvolver mais funcionalidades para torná-la um produto cada vez mais completo.

Qual é o maior obstáculo para o crescimento das fintechs?
As fintechs oferecem alternativas, e temos cada vez mais opções disponíveis para o consumidor, mas a transformação não virá de um dia para o outro. A concentração bancária ainda é um problema, e que os próprios órgãos reguladores têm olhado atentamente. Há algumas questões que hoje vemos como entraves no mercado, como a assimetria de informações que os grandes bancos têm em comparação com empresas como o Nubank, o que nos restringe a informações limitadas para tomar decisões de crédito. No entanto, temos visto avanços efetivos em questões regulatórias, como, por exemplo, a portabilidade de salário, que agora também é feita em contas de pagamento, como a NuConta.

Ainda há, por parte do cliente, receio em relação à saúde financeira e solidez dessas empresas?
Assim como qualquer negócio disruptivo, há uma maturação natural de como o público nos enxerga. Quando começamos o Nubank, a média de idade dos nossos clientes era 21 anos, um público jovem, que está mais propenso a conhecer novas soluções.

Isso mudou? Qual é o perfil dos clientes hoje em dia?
Hoje, a idade média da nossa base já cresceu para 31 anos, e mais de 30% dos nossos clientes tem mais de 35 anos. É óbvio que uma pessoa que gosta de ir para a agência bancária tomar um café com seu gerente não é nosso público-alvo, mas estamos construindo um negócio estável e vemos um reflexo disso no nosso crescimento. Nossa receita nesse primeiro trimestre de 2018 mais do que dobrou e continuamos ganhando escala e eficiência operacional.

Diante do aumento dos casos de vazamento de dados pessoais e ataques cibernéticos, como garantir uma operação bancária 100% digital e segura?
Apesar de não sermos um banco em termos regulatórios, entendemos que nossos clientes nos veem como um banco e levamos muito a sério a responsabilidade de lidar com o dinheiro deles. Nosso objetivo é sempre oferecer um serviço cada vez melhor e mais seguro, e por isso temos um time dedicado de especialistas em segurança que monitora constantemente nossos sistemas para garantir a melhor experiência para todos os clientes.

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