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Estado de Minas

Dólar caro reduz gastos de brasileiros no exterior

Levantamento do Banco Central mostra corte de 7,87% nas despesas fora do país em julho sobre igual mês de 2017


postado em 28/08/2018 06:00 / atualizado em 28/08/2018 07:29

Divisa norte-americana perdeu força entre as outras moedas, o que favoreceu queda no Brasil(foto: Fernanda Carvalho / Fotos públicas)
Divisa norte-americana perdeu força entre as outras moedas, o que favoreceu queda no Brasil (foto: Fernanda Carvalho / Fotos públicas)


Brasília –
Com as incertezas políticas pressionando o dólar e desaquecendo a atividade econômica, os gastos dos brasileiros no exterior tiveram queda de 7,87% em junho na comparação com o mesmo mês do ano anterior, fechando em US$ 1,731 bilhão contra US$ 1,879 bilhão em julho de 2017, segundo informou ontem o Banco Central.

Os gastos no exterior tiveram queda pelo segundo mês seguido em relação a igual período do ano anterior. Mas no ano, as despesas fora do país ainda estão mais altas. De janeiro a julho os brasileiros deixaram US$ 11,304 bilhões fora do país, o que representa uma alta de 7,87% sobre os sete primeiros meses do ano passado.

A redução dos gastos no exterior coincide com o cenário de alta do dólar, o que torna as despesas com passagens e diárias de hotéis mais altas. “O orçamento tende a ser feito em moeda nacional, naturalmente o comportamento do câmbio afeta o gasto que será feito. Nesse patamar, é possível projetar um cenário de queda”, disse Fernando Lemos, chefe adjunto do departamento estatístico do Banco Central. Segundo ele, observando os valores em reais o gasto lá fora é praticamente o mesmo do ano passado, mas em dólares ficou menor, porque a moeda dos EUA está custando mais.

No começo deste ano, o dólar estava cotado em cerca de R$ 3,26. Passou para R$ 3,32 em março e para R$ 3,85 no fim de junho. Com o aumento das incertezas políticas no Brasil, a moeda norte-americana chegou a ser cotada a mais de R$ 3,90 em julho, mas fechou o mês na casa dos R$ 3,75, registrando a primeira queda mensal desde janeiro. Em agosto, a moeda norte-americana voltou a subir e ultrapassou a casa dos R$ 4 em agosto. No início do ano passado, estava em R$ 3,27. Recuou para R$ 3,16 em março daquele ano, avançou para R$ 3,30 em junho de 2017, mas fechou o mês de julho em queda, cotado a R$ 3,11.

Mesmo com a redução dos gastos dos brasileiros no exterior, a conta de viagens internacionais voltou a registrar déficit em julho, segundo o Banco Central. No mês passado, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil foi de um saldo negativo de US$ 1,314 bilhão. Em igual mês de 2017, o déficit nessa conta foi de US$ 1,439 bilhão. O desempenho da conta de viagens internacionais foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 1,731 bilhão em junho. Já o gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil ficou em US$ 417 milhões no mês passado.

Já no acumulado do ano, os gastos de estrangeiros no Brasil totalizaram US$ 3,657 bilhões –aumento de 4,5% frente ao mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 4,499 bilhões. No ano até julho, o saldo líquido dessa conta ficou negativo em US$ 7,647 bilhões. Para 2018, o BC estima um déficit de US$ 15 bilhões para esta rubrica, mais que os US$ 13,2 bilhões de déficit registrados em 2017.

Contas externas                                                                                              
voltam a ter déficit


Após o superávit de US$ 435 milhões em junho, o resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 4,433 bilhões em julho deste ano, informou o Banco Central. A instituição projetava para o mês passado déficit de US$ 2,5 bilhões na conta-corrente. O déficit representa o pior resultado para meses de julho desde 2015 (déficit de US$ 5,685 bilhões). A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 3,900 bilhões em julho, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 3,010 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 5,509 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 3,202 bilhões.

No acumulado do ano até julho, o rombo nas contas externas soma US$ 8,078 bilhões. A estimativa do BC para 2018, atualizada em junho, é de déficit em conta-corrente de US$ 11,5 bilhões. Já nos 12 meses até julho deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 15,005 bilhões, o que representa 0,76% do Produto Interno Bruto (PIB). Este porcentual de déficit ante o PIB é o maior desde maio de 2017 (0,96%).

A remessa de lucros e dividendos de companhias instaladas no Brasil para suas matrizes foi de US$ 1,746 bilhão em julho, informou o Banco Central. A saída líquida representa um volume menor que os US$ 2,077 bilhões que foram enviados em igual mês do ano passado, já descontados os ingressos. No acumulado do ano, a saída líquida de recursos via remessa de lucros e dividendos alcançou US$ 8,715 bilhões. A expectativa do BC é de que a remessa de lucros e dividendos deste ano some US$ 20,6 bilhões.

Moeda recua para R$ 4,08


O enfraquecimento do dólar no mercado internacional favoreceu um novo ajuste da moeda americana ante o real, que ontem fechou em baixa de 0,59%, cotada a R$ 4,0812 no mercado à vista. A queda ocorreu ainda em meio a um ambiente de cautela dos investidores e agentes do comércio exterior, o que se pôde ver no volume de negócios reduzido. Foram movimentados US$ 671 milhões no spot, pouco mais da metade do volume de um dia considerado normal.

Foi o segundo dia de queda da moeda americana, que na semana passada encerrou uma sequência de sete altas consecutivas. Apesar dos ajustes de ontem e de sexta-feira, são cinco sessões em que a divisa é negociada acima de R$ 4, acumulando alta de 8,68% em agosto. As incertezas do cenário eleitoral doméstico são o principal combustível dessa escalada, com contribuição também da volatilidade recente no mercado internacional, em meio a atritos comerciais e crises financeiras. Ontem, no entanto, a aversão ao risco diminuiu no mercado externo, favorecida pelo acordo comercial dos Estados Unidos com o México.

“A melhora do humor no mercado externo levou as bolsas americanas a bater recordes ontem, o que contribuiu para uma forte alta do Índice Bovespa. Essa melhora do cenário pode ter se somado a um olhar mais benéfico em relação às eleições no Brasil, o que favoreceu a queda”, disse Durval Corrêa, assessor financeiro da Via Brasil Serviços.

Segundo Corrêa, o clima dos negócios neste início de semana em nada lembrou os momentos de tensão da última semana, quando diversas pesquisas eleitorais foram divulgadas, trazendo incerteza e especulação às mesas de câmbio.

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