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Estado de Minas

Empresas incentivam funcionários a fazer trabalhos voluntários para serem pessoas melhores

Empresas como Starbucks, Mondelez, C&A e Embraco fazem parte de uma nova ordem no mundo corporativo, em que incentivar funcionários a fazer trabalho voluntário vale mais do que faturar


postado em 27/08/2018 06:00 / atualizado em 30/08/2018 16:45

 

(foto: Bryan R. Smith )
(foto: Bryan R. Smith )

 São Paulo – Na última quinta-feira, a maior rede de cafeterias do mundo, a Starbucks, distribuiu um comunicado inusitado a seus funcionários nos Estados Unidos. A empresa recomendava que cada um deles dedicasse parte de seu expediente a trabalhos voluntários, mesmo que não houvesse nenhuma relação direta com a empresa.

“Queremos que todos estejam engajados em uma boa causa e que não gastem seu tempo apenas pensando em quanto estão ganhando por hora”, disse o CEO da companhia, Kevin Johnson. “Ao se conectar às suas comunidades, se sentirão mais realizados e prontos para ser melhores pessoas e melhores profissionais”, acrescentou o executivo.

A iniciativa da Starbucks consiste em um programa-piloto que permite que funcionários passem metade de sua semana de trabalho em organizações sem fins lucrativos locais.

A empresa começou a testar o programa, desenvolvido em parceria com o projeto “Pontos de Luz”, organização sem fins lucrativos iniciada pelo ex-presidente George W. Bush, em 13 cidades.

Por seis meses, os funcionários passam 20 horas semanais trabalhando na Starbucks e as outras 20 horas em organizações que se alinham a alguma missão filantrópica.  As prioridades da rede de cafeterias incluem apoiar os militares, combater a fome, proteger o meio ambiente e ajudar os refugiados.

“Cada vez mais, as empresas estão enxergando nas iniciativas filantrópicas uma forma de melhorar a relação da empresa com as comunidades e, ao mesmo tempo, criando um ambiente de amadurecimento pessoal para seus funcionários”, afirma a economista Karina Okimura, especialista em desenvolvimento de projetos do terceiro setor pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.

Assim como o restante do mundo, os investimentos no Brasil em filantropia vêm crescendo na média dos últimos anos. Em 2016, o último dado consolidado disponível, o investimento social privado na filantropia chegou a R$ 2,9 bilhões no país, valor equivalente a 0,23% do Produto Interno Bruto (PIB).

A cifra ainda pode impressionar, mas está abaixo do necessário, segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e da Plataforma de Filantropia.

Na comparação com outros países, fica evidente que ainda há um longo caminho a ser trilhado pelas empresas brasileiras. Nos Estados Unidos, o volume de recursos disponibilizados para a área equivale a 2% do PIB. Ainda pelos resultados da pesquisa, a educação é a área que recebe mais investimento social privado no Brasil (84%), seguida pelo desenvolvimento profissional e cidadão para jovens (60%) e artes e cultura (51%). A área de direitos humanos tem ganho força nos investimentos privados, crescendo 14% de 2014 a 2016.

Treinamento on-line


A julgar por algumas iniciativas de empresas no Brasil, esses números tendem a ganhar corpo nos próximos anos. Um exemplo disso é a Mondelez, dona de marcas icônicas como Lacta, Bis, Club Social, Oreo, Trident e Tang, entre outras.

A companhia desenvolveu um treinamento on-line para capacitar seus colaboradores na liderança de ações de voluntariado. A iniciativa promove globalmente a cultura de responsabilidade social e tem comitês locais para colocar as ações em prática.

De acordo com Lilian de Jesus, coordenadora de envolvimento com a comunidade da Mondelez Brasil, o voluntariado incentiva o desenvolvimento das pessoas ao ampliar suas habilidades e competências.

“A estrutura robusta de comitês locais, aliada à nova capacitação on-line, garante mais autonomia e protagonismo aos colaboradores da empresa interessados no trabalho voluntário. Eles se sentem donos dos projetos e conseguem engajar de forma mais efetiva outros colegas nas atividades”.

A criação dos comitês locais e do treinamento on-line colaborou de forma decisiva para o desenvolvimento de um maior número de ações de voluntariado corporativo na companhia.

Na comparação entre o primeiro semestre de 2017 e 2018, o total de colaboradores engajados cresceu 55% e a quantidade de atividades realizadas mais que triplicou, com destaque para os comitês de São Paulo e Curitiba. Apenas no primeiro semestre de 2018, foram 1.074 horas doadas pelos funcionários da empresa, um aumento expressivo em relação às 370 horas registradas em 2017.

Parcerias e doações

A Mondelez não é a única. Atualmente, dos 18 mil funcionários da rede varejista de fast fashion C&A no Brasil, cerca de 8 mil estão envolvidos em atividades de voluntariado. Por meio do Instituto C&A, criado em 1991, eles realizam brincadeiras, contam histórias e renovam o acervo de ONGs e centros de educação infantil parceiros da empresa.

Em paralelo a essas iniciativas, se mobilizam para arrecadar recursos para as instituições beneficentes. As parcerias duram pelo menos dois anos e as ações ocorrem no horário de expediente, não em dias de folga ou fins de semana, como  era anteriormente. O projeto já atendeu a 110 organizações, em mais de 100 cidades

Algumas empresas instituíram, inclusive, um dia dedicado ao voluntariado. É o caso da Embraco, uma das maiores fabricantes de soluções para refrigeração do mundo. Ela criou o Programa de Voluntariado Embraco (Prove), em que funcionários se reúnem para participar de atividades junto às comunidades de Joinville.

Entre as ações estão a doação de alimentos e roupas, além de trabalho relacionado à educação e preservação do meio ambiente em escolas. Os voluntários também ministram aulas de reforço escolar e atividades lúdicas em colégios da periferia. Atualmente, cerca de 350 pessoas colaboram com o programa.

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