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Estado de Minas

Manufaturados foram os mais impactados pela greve, diz MDIC


postado em 01/06/2018 17:24

Brasília, 01 - Os produtos manufaturados foram os mais impactados pela greve dos caminhoneiros, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC). Houve redução de 46% nas exportações de manufaturados nas duas últimas semanas de maio, período da paralisação, ante as três anteriores. Os embarques de semimanufaturados caíram 37% e os de básicos, 31%.

Para o diretor de Estatísticas do MDIC, Herlon Brandão, isso ocorre porque os manufaturados são mais dependentes do modal rodoviário, enquanto os básicos, principalmente, utilizam outros meios, como o ferroviário. Além disso, produtos como soja e carnes tinham estoques nos portos. "Não quer dizer que não vamos sentir os efeitos daqui pra frente, ainda vamos sentir a redução do fluxo por algum tempo", afirmou.

A greve derrubou a média diária das exportações em 36%, passando de US$ 1,063 nas três primeiras semanas de maio para R$ 679 milhões nas duas semanas de paralisação. Já nas importações, a média passou de R$ 702 milhões nas três primeiras semanas para R$ 516 milhões nas duas últimas, uma redução de 26%.

Houve queda em vários setores, como automóveis (17%), calçados (30%) e autopeças (23%).

Para Brandão, a paralisação não deverá ser suficiente para impactar o resultado do ano e a previsão é de que o saldo seja positivo em cerca de R$ 50 bilhões. "Esperamos a recomposição dessas perdas", afirmou.

Pelo lado das exportações, o diretor ressaltou a venda recorde de soja em maio (12 milhões de toneladas) e nos cinco primeiros meses de 2018 (36 milhões de toneladas). Já nas importações, Brandão destacou as compras de bens de capital, que subiram pelo décimo mês consecutivo (29,4%).

Petrobras

O diretor de Estatísticas do MDIC disse que a conta petróleo deverá fechar 2018 com superávit, mesmo com a turbulência enfrentada pela Petrobras. Ele evitou comentar a saída do presidente da empresa, Pedro Parente, mas disse acreditar que nada mudará na produção da estatal este ano. "Depende do plano de negócios da empresa. Acredito que nada vai mudar, a Petrobras vai continuar explorando e exportando, principalmente porque o preço de petróleo é atrativo", afirmou.

Até maio, as exportações de petróleo superam as importações em US$ 26,155 bilhões, ante US$ 29,026 bilhões no mesmo período de 2017.

Reintegra

Brandão não quis comentar a redução do Reintegra, programa que devolve parte dos tributos pagos pelos exportadores e que foi cortado pelo governo para bancar parte da conta da redução de impostos sobre o diesel. "O Reintegra é importante para as exportações de manufaturados", limitou-se dizer.

(Lorenna Rodrigues)

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