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Estado de Minas

Indústria mineira prevê crescimento de 3,3% este ano

Previsão é de aumento acelerado na produção. Faturamento das fábricas cresceu 1,3% em 2017, após três anos de retração, mas emprego no setor cai 4,9%, quarto recuo seguido


postado em 02/02/2018 06:00 / atualizado em 02/02/2018 09:36

As montadoras são o carro-chefe da recuperação industrial em Minas e no Brasil, acelerando produção e vendas(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 17/9/09)
As montadoras são o carro-chefe da recuperação industrial em Minas e no Brasil, acelerando produção e vendas (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 17/9/09)

Depois de três anos em queda – entre 2014 e 2016 – que se seguiram a dois anos de estagnação – 2012 e 2013 – o faturamento real industrial de Minas Gerais em 2017 cresceu 1,3% em relação a 2016. Os dados são da Fiemg Index, pesquisa mensal de indicadores industriais realizada junto às médias e grandes empresas, divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O levantamento mede o desempenho da indústria mineira por meio do faturamento real, emprego, massa salarial real, horas trabalhadas na produção, utilização da capacidade instalada e rendimento médio real.

Em dezembro de 2017 o faturamento industrial no estado havia avançado 6,2% em relação a novembro, compensando o recuo de 6% registrado naquele mês. “Carregamos o ritmo de crescimento de 2017 para 2018 e começamos bem melhor o ano. Estamos esperando para 2018 em Minas Gerais um crescimento da produção industrial da ordem de 3,3% contra 1,9% verificado em 2017”, considerou ontem Lincoln Gonçalves Fernandes, presidente do Conselho Político Econômico da Fiemg. Segundo ele, a indústria Minas tende a crescer mais do que o país porque nos últimos anos teve quedas maiores do que a média nacional.

Os setores em que há maior expectativa de crescimento são, segundo Lincoln, extração mineral, celulose, automotivo e mineral metálico. Já a construção civil, permanece uma incógnita. “O estoque de imóveis residenciais de médio e alta renda estão se esgotando. O estoque de imóveis comerciais novos estão se esgotando. Temos muitos prédios antigos para alugar, mas novos temos pouco. A demanda por imóveis novos vai surgir. Existe potencial mas ainda não temos clareza das políticas para financiamento e se os bancos estão capitalizados para fazê-lo”, considera.

Ao mesmo tempo em que os indicadores industriais apontaram bom desempenho, as horas trabalhadas na produção e o emprego mantiveram em 2017 variação negativa, acumulando quatro anos de queda, segundo o Fiemg Index. “Na comparação com 2016, o índice das horas trabalhadas na produção recuou 2%, embora, no acumulado do ano, tenha sido registrado o menor recuo em quatro anos, que foi de 1,6%”, disse Lincoln. Também o emprego encerrou 2017 em queda de 4,9% em relação a 2016, recuo menos intenso do que em 2016, face a 2015, quando foi registrada retração de 7,1% nos índices de emprego.

Apesar de o número de empregos na indústria mineira registrar quatro baixas sucessivas, o índice que mensura a massa salarial real apresentou em 2017 um aumento de 0,6%, depois de cair 9,1% em 2015 e 9,6% em 2016. Também o rendimento médio real registrou no acumulado do ano uma elevação de 5,7% em relação a 2016, a maior desde 2011, quando foi registrado um crescimento na massa salarial de 6,8% em relação a 2015.

Capacidade instalada

Em 2017, a indústria mineira utilizou 78,5% de sua capacidade instalada, um pequeno aumento de 0,3 ponto percentual em relação à média de 2016, de 78,2%. “Como ainda temos um índice de ociosidade grande na indústria mineira, a recuperação do setor de bens de capitais é a mais crítica e menor em relação aos demais setores. Aqui em Minas apenas os setores da celulose e extrativo mineral não têm ociosidade significativa”, afirma ele, acrescentando que exatamente por isso, para a maior parte da indústria, o aumento da atividade industrial não representará no curto prazo mais investimentos.

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