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Estado de Minas

Balanço de pagamentos do País continuou em 2017 com trajetória de ajuste, diz BC


postado em 26/01/2018 14:00

Brasília, 26 - O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, avaliou que o balanço de pagamentos do Brasil continua a trajetória de ajuste com redução do déficit em transações correntes. "O déficit em conta corrente de dezembro de 2017 inclusive ainda foi menor que o do mesmo mês de 2016", destacou.

Em dezembro, o saldo foi negativo em US$ 4,237 bilhões, ante déficit de US$ 5,897 bilhões no mesmo mês de 2016.

Segundo ele, o déficit no ano passado de US$ 9,762 bilhões representou uma queda de 58% em relação ao registrado em 2016. O déficit de 2017 foi equivalente a 0,48% do PIB. "É um montante baixo considerando a média histórica da economia brasileira", acrescentou.

Rocha avaliou ainda que a balança comercial foi a principal responsável por desempenho de transações correntes em 2017. Por outro lado, ele apontou que a alta do déficit em serviços e renda primária está em linha com recuperação da atividade econômica no ano passado.

"Os aumentos do déficit nessas contas indicam maior demanda por importação de serviços. As empresas operando no País também remeteram maior quantidade de recursos ao exterior em 2017", destacou.

Segundo ele, como a trajetória de recuperação da economia brasileira deve se intensificar em 2018, o BC estima que o déficit de transações correntes desse ano deve aumentar em relação a 2017. Rocha adiantou que a autoridade monetária prevê um déficit de US$ 5,3 bilhões em janeiro deste ano, ante US$ 5,1 bilhões de janeiro do ano passado.

Investimento Direto

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central disse também que o volume de Investimentos Diretos no País (IDP) ficou abaixo do esperado pelo BC em dezembro porque houve menos operações que as previstas. "É difícil prever o IDP, porque não dá para ter certeza da data em que os recursos de projetos já anunciados entrarão de fato no País. Essas operações continuam na expectativa do BC", explicou.

Em 2017, o IDP somou US$ 70,332 bilhões, o menor volume desde 2013. Ainda assim, Rocha considerou o resultado favorável.

"Esse número nos parece bastante sólido enquanto temos um déficit em transações correntes de US$ 9,762 bilhões. O balanço de pagamentos continua sólido e deve permanecer assim no período à frente", completou o representante do BC.

Parcial

Rocha adiantou que o ingresso de IDP totalizou US$ 2,4 bilhões em janeiro, até o dia 24. Segundo ele, o volume esperado pelo BC no mês é de US$ 3,5 bilhões. "Esse volume está baixo em relação aos dados históricos para o mês, mas janeiro do ano passado foi um ponto fora da curva, devido a operações do setor elétrico", afirmou.

Para Rocha, os anúncios já feitos por investidores devem levar a uma elevação no IDP total de 2018, que deve ficar acima dos US$ 70,332 bilhões registrados em 2017. A projeção do BC para este ano é de US$ 80 bilhões.

"A projeção para janeiro de 2018 ainda indica pouco para o resto do ano, já que concessões e operações diversas podem se materializar no decorrer dos próximos meses", argumentou.

Ele avaliou ainda que as eleições deste ano não devem prejudicar entrada de IDP. "Em geral, vemos que não há ligação direta entre eleição e o IDP. Normalmente há mais impacto em outros fluxos, como ações e títulos", avaliou.

Despesa com juros

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central adiantou que as despesas com pagamentos de juros no exterior em janeiro somaram US$ 3,2 bilhões até o dia 24.

Já os ingressos de lucros e dividendos no País em janeiro até o dia 24 superam as remessas, com o resultado sendo positivo em US$ 331 milhões.

"Isso se refere a duas subsidiárias de empresas brasileiras no exterior que remeteram seus resultados para o Brasil no começo deste ano", explicou Rocha.

Investimento em ações

Ele ainda adiantou que a entrada líquida de investimentos em ações somou US$ 2,5 bilhões em janeiro, até o dia 24. Já em títulos de renda fixa, os ingressos até 24 de janeiro somam US$ 5,4 bilhões.

Questionado sobre o rebaixamento da nota de rating do Brasil neste mês, Rocha disse que o corte não causou impacto nesses fluxos. "Todos os fluxos de mercado parecem estar em níveis similares aos anteriores. Por essa métrica, a avaliação de risco por parte do mercado permanece a mesma", respondeu.

Taxa de rolagem

O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central também adiantou que a taxa de rolagem total em janeiro, até o dia 24, ficou em 82%. Para títulos, ficou em 166% e, para empréstimos, em 75%.

(Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues)

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