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Estado de Minas

Negócios da China anunciados pelo governo federal ficam só no papel

Grandes projetos anunciados após visitas de presidentes brasileiros ao país asiático não se viabilizam. Promessas vão de ferrovia transoceânica a fábrica de automóveis


postado em 31/08/2017 06:00 / atualizado em 31/08/2017 09:11

Organização considerou ilegal os incentivos concedidos pelo governo brasileiro às montadoras de veículos(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Organização considerou ilegal os incentivos concedidos pelo governo brasileiro às montadoras de veículos (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

Segunda maior economia do planeta, a China se tornou uma fábrica de boas notícias para governantes brasileiros na última década. Após reuniões com presidentes e empresários chineses são comuns anúncios de investimentos bilionários, seja em projetos de infraestrutura ou nos mais diversos setores produtivos (agricultura, mineração ou automobilístico). As boas notícias trazidas do Oriente, no entanto, não costumam se concretizar.

Com rombo de R$ 159 bilhões nos cofres públicos e com os investimentos do governo federal praticamente congelados, o presidente Michel Temer (PMDB) busca na China investidores interessados no pacote de concessões e privatizações anunciado na semana passada. Em entrevista à TV estatal chinesa, Temer afirmou que pretende apresentar lista com 57 ativos que podem ser ofertados à iniciativa privada, entre eles a Eletrobras.

A maior promessa já negociada entre brasileiros e chineses foi para a construção de uma ferrovia transoceânica, chamada Bioceânica, estimada em US$ 53 bilhões. O projeto, anunciado há dois anos, prevê a ligação do Brasil com o oceano Pacífico, com extensão de 5 mil quilômetros – desde Goiás até o norte do Peru, passando pelo Matro Grosso, Rondônia e Acre, além de atravessar a Cordilheira dos Andes.

Em abril, engenheiros chineses que fizeram estudos técnicos e de viabilidade sobre o projeto da ferrovia Bioceânica afirmaram em audiência pública no Senado que a obra é possível de ser construída e economicamente viável. No entanto, indefinições sobre o modelo de licitação que seria usado para a construção e as negociações com o governo peruano não avançaram.

Ainda no primeiro ano do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2004, uma comitiva liderada pelo então ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, viajou à China para negociar um acordo de cooperação nuclear entre os dois países. O Brasil venderia urânio aos asiáticos e receberia recursos para desenvolver seu programa nuclear. Os acordos negociados não avançaram.

Em 2017, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, anunciou que o país asiático estuda implantar uma usina de energia nuclear na região Nordeste, com previsão de investimentos de U$ 20 bilhões. Os governos federal e estadual não deram informações sobre o acordo para a implantação da usina.

Outros projetos, como a implantação anunciada em 2011 de um porto seco e de uma fábrica de beneficiamento de soja em Barreiras, na Bahia, com investimentos chineses de até R$ 4 bilhões também não prosperaram. Em Minas Gerais, os chineses assinaram uma carta de intenção para a compra da mineradora Itaminas, em Sarzedo, por US$ 1,2 bilhão. A compra também não se concretizou.

Freio No setor automobilístico, as promessas chinesas para investimentos no Brasil também não foram cumpridas. Em 2012, a JAC Motors lançou a pedra fundamental para a construção de uma fábrica em Camaçari, na Bahia, e conseguiu benefícios fiscais por meio do programa Inovar-Auto. O investimento seria de mais de R$ 1 bilhão. Sem a conclusão da fábrica, o Ministério da Indústria e Comércio Exterior cancelou no ano passado a licença concedida à montadora chinesa e cobra a devolução dos benefícios fiscais. Este ano, a JAC desistiu dos investimentos em solo brasileiro.

Segundo relatório de 2016 do Conselho Empresarial Brasil-China, nos últimos anos houve “predominância de investimentos chineses no Brasil via fusões e aquisições”. “A preferência dos chineses em adquirir ativos locais pode ser explicada em parte devido à facilidade em operar a partir de empresas já consolidadas no mercado doméstico”, explica o relatório.


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