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Estado de Minas

Empresas podem cortar salário e jornada por até dois anos

Ao prorrogar programa, governo amplia prazo pelo qual companhias em dificuldades podem adotar medida para aliviar folha de pagamento. Trabalhadores têm empregos garantidos


postado em 29/12/2016 06:00 / atualizado em 29/12/2016 08:28

Intenção do Planalto com renovação do programa é manter os empregos nas empresas e evitar o aumento da desocupação (foto: Marta Vieira/EM/D.A Press - 17/5/11)
Intenção do Planalto com renovação do programa é manter os empregos nas empresas e evitar o aumento da desocupação (foto: Marta Vieira/EM/D.A Press - 17/5/11)

Brasília – Com a previsão de que as taxas de desemprego aumentem no início do ano, o que pode abalar a perspectiva de retomada da economia em 2017, o governo do presidente Michel Temer vai permitir que as empresas reduzam a jornada de trabalho e os salários de seus empregados em até 30% por até 2 anos, com a garantia de manutenção dos postos de trabalho. A possibilidade faz parte da medida provisória assinada por Temer na quinta-feira para garantir a prorrogação do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), criado em julho de 2015 pelo governo Dilma Rousseff e que seria encerrado nesta sexta-feira. Rebatizado de Seguro-Emprego, o programa foi prorrogado por mais um ano e prevê prioridade de adesão para micro e pequenas empresas. Até a edição da MP, as empresas podiam reduzir salário e jornada dos trabalhadores por um ano.

O novo Programa Seguro-Emprego continuará a permitir a redução em até 30% da jornada e do salário do trabalhador ao mesmo tempo que o governo compensa 50% do valor da redução salarial, limitada a 65% do valor máximo da parcela do seguro-desemprego, o que equivale ao teto de R$ 1.002. O trabalhador incluído no programa não pode ser demitido sem justa causa durante o período de vigência da redução de jornada e salário. Os recursos para compensar a perda salarial saem do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Para aderir, as empresas têm de fazer um pedido ao Ministério do Trabalho e comprovar sua dificuldade financeira. Na análise do pedido, o governo considera um indicador que compara o saldo de contratações da empresa no período de 12 meses com o total de empregados registrados no mês anterior à solicitação. Além disso, é necessário que as empresas assinem contratos coletivos com o sindicato dos trabalhadores da categoria com mais funcionários no seu quadro de pessoal. Os critérios específicos para o programa a partir de agora ainda não foram divulgados.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho, desde o início do PPE, foram deferidos 154 pedidos de adesão ao programa, que garantiram a preservação de mais de 60 mil postos de trabalho. Para bancar a manutenção desses empregos, o governo federal repassou R$ 169,32 milhões para esses trabalhadores com recursos do FAT.

PACOTE A renovação do Programa de Proteção ao Emprego com prazo maior faz parte do pacote de medidas anunciado na semana passada pelo governo para incrementar a economia e o mercado de trabalho e que inclui a liberação do saque de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a ampliação de 90 para 120 dias o prazo para contrato de trabalhadores em regime de experiência. Todas as mudanças foram discutidas entre o Ministério do Trabalho, empresários e empregados antes de serem anunciadas.

A ampliação do programa tenta responder ao desafio de reaquecer o mercado de trabalho. Frustrando expectativas, o emprego não vem demonstrando sinais de recuperação e o mercado espera piora durante o início de 2017. A taxa de desemprego atual, de 11,8%, deve chegar a superar 13% em 2017, segundo projeção do Santander. O Bradesco também elevou sua expectativa de desemprego de 12,5% para 12,9%.

Clima de incerteza cresce em dezembro

Com a economia demorando a reagir e a taxa de desemprego pressionando o consumo, o clima de insegurança aumentou no Brasil. O Indicador de Incerteza da Economia Brasileira (IIE-Br) avançou 10 pontos na passagem de novembro para dezembro, passando de 126,4 pontos para 136,4 pontos, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). O novo índice mensal passa a integrar o calendário de divulgações de indicadores econômicos do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).

“O resultado confirma a reversão da tendência de queda observada entre julho e outubro e o retorno a um período de elevada incerteza econômica no Brasil. Apesar do aumento expressivo na margem, é necessário ressalvar a alta volatilidade deste indicador, que vem sendo bastante influenciado pelos acontecimentos políticos ao longo de todo ano”, avaliou o economista Pedro Costa Ferreira do Ibre/FGV, em nota oficial.

O novo indicador é composto por três componentes: o IIE-Br-Mídia, que faz o mapeamento nos principais jornais a frequência de notícias com menção à incerteza; o IIE-Br-Expectativa, que é construído a partir das dispersões das previsões de empresas para a taxa de câmbio e para o IPCA; e o IIE-Br Mercado, baseado na volatilidade do mercado financeiro.

Em dezembro, o componente que mais contribuiu para a alta do Indicador de Incerteza foi o IIE-Br Mídia, com impacto de 8,7 pontos, devido a um aumento expressivo no número de notícias com menção à incerteza em matérias sobre economia na imprensa brasileira. Já o componente IIE-Br Expectativa contribuiu com 1,3 ponto para o aumento do indicador geral em dezembro, enquanto o IIE-Br Mercado manteve-se estável no mês. A coleta do Indicador de Incerteza da Economia Brasileira é realizada entre o dia 26 do mês anterior ao dia 25 do mês de referência.


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