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Estado de Minas

País tem 12 milhões de desempregados

Taxa de desocupação no trimestre encerrado em agosto chega a 11,8%, a maior desde 2012. Em 12 meses, 3,23 milhões de brasileiros passaram a integrar batalhão em busca de emprego


postado em 01/10/2016 06:00 / atualizado em 01/10/2016 07:55

Nas agências de emprego, além de acirrada a busca por vagas com carteira assinada torna mais difícil o sonho de recolocação dos trabalhadores(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Nas agências de emprego, além de acirrada a busca por vagas com carteira assinada torna mais difícil o sonho de recolocação dos trabalhadores (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
O desemprego voltou a bater recorde no país. A taxa ficou em 11,8% no trimestre encerrado em agosto, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio Contínua (Pnad), divulgados ontem pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado – o pior da série histórica iniciada em 2012 –  mostra que a fila de desempregados chegou a 12 milhões de pessoas em agosto – também o maior contingente já registrado pela pesquisa. O resultado representa um aumento de 36,6% em relação ao mesmo período de 2015, o equivalente a 3,220 milhões de pessoas a mais em busca de uma vaga.

A população ocupada encolheu 2,2% no trimestre encerrado em agosto, como consequência do fechamento de 1,991 milhão de postos de trabalho. Em um ano, apenas o setor privado cortou 1,363 milhão de vagas com carteira assinada, o que equivale a uma redução de 3,8% no total de trabalhadores formais na iniciativa privada. A taxa de desemprego só não aumentou mais porque a população inativa cresceu 1,3%, o que significa que 809 mil pessoas optaram por deixar a força de trabalho em vez de procurar emprego.


Para o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, os dois recordes negativos preocupam. “É um quadro difícil. Nós estamos divulgando os dados de junho, julho e agosto, quando a economia já devia apresentar sinais de melhora, com o escoamento da produção para o final do ano. Era esperado que a taxa começasse a ficar estável. O que mais agravou a alta no grupo de desempregados é a população ocupada que não para de cair e consequentemente a população desocupada segue crescendo”, disse Azevedo.


No trimestre encerrado no mês anterior, o desemprego atingiu 11,6% da força de trabalho. Já de março a maio, período usado como base de comparação para a taxa divulgada ontem pelo IBGE, o desemprego ficou em 11,2%. A alta foi ainda mais forte, de três pontos percentuais, na comparação com o mesmo trimestre de 2015, quando a taxa ficou em 8,7%. Ao atingir 12 milhões, o grupo de desempregados cresceu 5,1% em relação ao trimestre de março a maio de 2016, quando o contingente de desocupados era de 11,4 milhões – um aumento de 583 mil pessoas. No confronto com igual trimestre do ano passado, este total subiu 36,6%, ou um acréscimo de 3,2 milhões de pessoas desocupadas na força de trabalho.




Já a população ocupada foi estimada em 90,1 milhões. Caiu 0,8% frente ao trimestre de março a maio de 2016, um decréscimo de 712 mil pessoas. Em comparação com igual trimestre do ano passado, quando o total de ocupados era de 92,1 milhões de pessoas, foi registrado recuo de 2,2% ou menos 2 milhões de pessoas no contingente de ocupados. O número de empregados com carteira assinada é de 34,2 milhões. Segundo o IBGE, não apresentou variação estatisticamente significativa em comparação com trimestre de março a maio de 2016. Frente ao trimestre de junho a agosto de 2015, houve queda de 3,8% ou a destruição de 1,4 milhão de vagas com carteira assinada.


Renda estável O rendimento médio real habitualmente recebido em todos os trabalhos foi estimado em R$ 2.011. Ficou estável frente ao trimestre de março a maio de 2016 (R$ 2.015) e também em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (R$ 2.047). A massa de rendimento real habitualmente recebida em todos os trabalhos, que representa o total de rendimentos dos empregados, foi estimada em R$ 177 bilhões. Não apresentou variação significativa em relação ao trimestre de março a maio de 2016, mas recuou 3% frente ao mesmo trimestre do ano anterior.


Em relação ao trimestre de março a maio, houve queda do rendimento médio para os empregadores (-5%). Nas demais posições na ocupação não houve variação estatisticamente significativa do rendimento. Na comparação com o trimestre de junho a agosto de 2015, os ocupados como empregador tiveram queda no rendimento médio real habitual de 10%. Os empregados no setor privado sem carteira assinada e os empregados no setor público apresentaram acréscimos em seus rendimentos (5% e 3,6%, respectivamente). As demais categorias ficaram estáveis nos seus rendimentos médios.




Por setor, a indústria fechou 1,420 milhão de postos de trabalho no período de um ano, o que representa uma redução de 11% no total de ocupados no setor no trimestre encerrado em agosto ante o mesmo período de 2015. O setor de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas demitiu outras 996 mil pessoas, um corte de 9,4% das vagas no segmento em relação ao ano anterior.




A Construção dispensou 103 mil trabalhadores, queda de 1,4% no total ocupado, enquanto o Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas demitiu 279 mil funcionários, redução de 1,6% no pessoal ocupado. O segmento de Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura dispensou 272 mil pessoas, recuo de 2,8% na ocupação, e o setor de Outros serviços demitiu outros 23 mil trabalhadores, queda de 0,6% na ocupação.


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