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Estado de Minas

BH terá tecnologia solar de R$ 100 milhões

Fábrica com processo inovador vai produzir filmes orgânicos para aplicações variadas, de revestimento de prédios a carros


postado em 11/11/2015 06:00 / atualizado em 12/11/2015 17:42

Fábrica de última geração de céluas solares orgânicas recém-inaugurada em Belo Horizonte pelas empresas CSEM Brasil, em sociedade com o braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESpar), Fir Capital, gestora de fundos e participações; e as comercializadoras de energia Tradener e CMU Energia. O empreendimento custou cerca de R$ 100 milhões e foi instalado no câmpus Cetec do Centro de Inovação e Tecnologia Senai/Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais).

Batizada de Sunew, a unidade vai produzir filmes plásticos orgânicos capazes de converter energia solar em energia elétrica, os chamados módulos OPV (Organic Photovoltaics), com diversas aplicações, entre elas na indústria automotiva e na fabricação de galpões metálicos. A partir de uma estrutura tecnológica inovadora, a Sunew controla método de impressão de painéis fotovoltaicos que usam materiais orgânicos, concorrendo com capacidade produtiva existente em escala apenas na Europa e no Japão. As instalações na capital mineira têm capacidade para produzir mais de 300 mil metos quadrados anuais de filmes plásticos orgânicos, equivalentes a dezenas de Megawatts (MW) por ano.

“O que estamos fazendo aqui é um marco na indústria fotovoltaica não só porque o Brasil representa o último grande mercado mundial que inicia agora seu crescimento, como também pelo fato de estarmos liderando a jornada da próxima geração de painéis”, afirma Tiago Alves, principal executivo do CSEM Brasil e sócio da Fir Capital. Estudo da empresa IHS Consultoria indica que a participação do Brasil no comércio de tecnologia de energia solar fotovoltaica deverá crescer 10,5% nos próximos cinco anos.

Entre as fontes renováveis de energia, a solar é a que mais cresce no mundo, sobretudo na modalidade de geração distribuída. Com quase o dobro da irradiação média anual de países como Alemanha e Espanha, nações europeias que mais exploram a fonte, o Brasil tem grande potencial de participar desse mercado. As aplicações dos filmes orgânicos são variadas, incluindo fachadas de prédios, mobiliário urbano, superfícies de reservatórios, automóveis e galpões metálicos.

Diferentemente das células tradicionais, os dispositivos orgânicos, feitos com polímeros e plásticos, representam um décimo da necessidade de carbono do ponto de vista de sua produção, além de ser leves, transparentes, de fácil transporte e instalação. Eles permitem a utilização mais limpa e ampla da energia solar para geração de eletricidade, podendo ser aplicados no revestimento de estruturas, janelas, dispositivos eletrônicos como celulares, mouses e teclados sem fio, e até mesmo em veículos ou em casas em localidades remotas ainda sem eletricidade.

Segundo Júlio Ramundo, diretor da BNDESPAR, a nova fábrica demonstra a capacidade dos empreendedores no Brasil para desenvolver tecnologias em áreas que podem promover mudanças significativas na economia. A tecnologia foi desenvolvida pelo CSEM Brasil, empresa fundada pela Fir Capital e pelo CSEM da Suiça em 2006, e que contou com investimentos do BNDES e da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Minas Gerais (Fapemig) em infraestrutura de pesquisa e desenvolvimento na área de eletrônica orgânica.

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