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Estado de Minas

Para especialistas, efeitos da crise será pior desde Grande Depressão


postado em 13/09/2015 06:00 / atualizado em 13/09/2015 08:17

Os brasileiros devem se preparar para tempos difíceis. Ainda que a grande maioria da população não tenha a exata noção de como o rebaixamento do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) afetará sua vida, há uma certeza: coisa boa não é. A sabedoria popular não falha. Nos próximos meses, o país vai se deparar com um quadro caótico, que misturá desemprego com inflação alta, juros extorsivos, crédito escasso e inadimplência. A dessarumação será tamanha, que a economia registrará pelo menos dois anos seguidos de retração, fato que não se vê desde a Grande Depressão, no início dos anos de 1930.

“Teremos um grande período de perdas”, admite o economista Carlos Alberto Ramos, da Universidade de Brasília (UnB). O retrocesso se dará, sobretudo, por causa da perda do emprego e da renda. “Estamos prevendo taxa de desocupação de 10% no fim deste ano”, afirma. Isso significa dizer que, em apenas 12 meses, a taxa vai mais que dobrar. Em dezembro do ano passado, quando a presidente Dilma Rousseff alardeava que o governo havia conseguido manter os postos de trabalho mesmo com a crise, o desemprego estava em 4,3%. Trata-se de uma piora sem precedentes em tão curto espaço de tempo.

No entender dos especialistas, assim como o governo precisa cortar gastos para arrumar a casa, a população terá que pisar fundo no freio do consumo. “O sacrifício será gande”, admite João Pedro Ribeiro, da Nomura Securities. Com a recessão se agravando, podendo comprometer até 2017, a população terá de conviver com forte aumento da informalidade e das desigualdades. Especialistas que acompanham indicadores sociais do país já veem uma parcela das pessoas que ascenderam à nova classe média nos últimos anos voltando a fincar os pés na pobreza. Não será um processo rápido, mas, ao final dele, poderá se ver um retrocesso expressivo.

As perdas contabilizadas por países que perdem o grau de investimento são inevitáveis, garante a economista Julia Gottlieb, do Itaú Unibanco. Ela se deu ao trabalho de verificar o que aconteceu com nações que perderam o grau de investimento. O PIB caiu por dois anos seguidos. A inflação, por causa da disparada do dólar, aumentou dois pontos percentuais no ano do rebaixamento. Os juros também subiram, e a dívida bruta, que mostra a sáude das finanças do governo, disparou. É possível que, no Brasil, o endividamento público salte dos atuais 64,6% para 71% do PIB.

Margem de manobra Para o presidente da Bullmark Financial Group, Ricardo Nobile, a perda do selo de bom pagador pelo Brasil punirá, sobretudo, os mais pobres. A razão é simples: acabou a margem de manobra que o governo tinha para ampliar a rede de proteção social que foi supereficaz em 2008, ano do estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos. Naquele período, havia espaço no caixa do Tesouro para ampliar benefícios como o Bolsa-Família. Agora, com as contas em frangalhos, o governo será obrigado a restringir até os programas sociais.

A população de baixa renda, por sinal, já vinha sofrendo com a perda de poder aquisitivo. Com a inflação dos que ganham até 2,5 salários mínimos por mês acima de 10%, muita gente foi obrigada a retirar produtos básicos dos carrinhos de supermercados. Não por acaso, a produção de alimentos recuou fortemente, assim como as vendas do varejo. “O quadro é dramático. Não há como fugir. A fatura a ser paga é pesada. Tomara que o goveno aja rápido, pois, quanto mais protelar o ajuste fiscal que levou à perda do grau de investimento, piores serão as consequências”, assina Nobile.

Na avaliação de João Pedro Ribeiro, da Nomura, não há como se pensar em uma melhora tão cedo da economia. “O viés é de piora. O governo da presidente Dilma errou demais na gestão da economia nos últimos quatro anos. Uma hora, a conta chegaria”, diz. Ele assinala que ainda não fechou os cálculos, mas a inflação de 2016, que se esperava menor, devido ao forte aumento de juros pelo Banco Central, voltará a subir. Por enquanto, ele projeta taxa de 5,3% para o ano que vem. Mas o grosso do mercado já prevê 6,5%, no limite da tolerância fixada em lei. A razão principal dessa carestia maior será o dólar flertando com os R$ 4.


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