
Com o pé pesado no freio do consumo, as famílias estão refazendo suas contas e até gastos essenciais, como a saúde, entram na matemática de redução de custos e investimentos. Os planos de saúde já estão entrando na lista de despesas que podem sofrer ajustes nas famílias, aumentando a busca pelas mensalidades mais baratas. Os convênios coparticipativos, modelo onde a conta é dividida entre a operadora e o consumidor, estão crescendo no mercado e já são líderes de vendas em grandes operadoras. Eles podem custar até 75% menos se comparados aos planos com mensalidade única. Mas é preciso ficar atento à oferta. Dependendo da utilização, a conta pode dobrar o valor do gasto mensal.
Na Unimed-BH, maior operadora de Minas, os planos de pagamento único atualmente representam menos de 1% da comercialização e a empresa suspendeu a oferta do produto para o segmento individual e familiar. Na operadora Vitallis, que incorporou a carteira do Santa Casa Saúde, o coparticipativo é o modelo predominante, e a diferença de custo para o consumidor é, em média, de 30%, quando comparado ao modelo de pagamento único. A operadora Amil informou que oferece os produtos onde o consumidor divide o custeio das despesas, mas que eles ainda não são a maioria entre os seus contratos ativos.

AJUSTE Para ajustar seu orçamento, a empresária Eliana Moraes pesquisou o mercado em busca do melhor custo. Decidiu contratar um plano onde paga por consultas e exames e conta que está satisfeita, porque o produto está atendendo bem às suas necessidades. Para ela, que tem 44 anos, e o marido, que está com 60, faixa de idade mais cara nos convênios, o preço da mensalidade é de R$ 480. “Quando fazemos consultas médicas, o valor sobe para R$ 650”, apontou. Já o programador Joaquim Arantes, de 50, mudou de emprego e está usando a saúde pública. “Um plano para minha faixa etária custa cerca de R$ 350. É bem caro.” Em meio à crise na economia do país, o empresário Marco Flávio Furman, de 46, está negociando com sua operadora a mudança para um modelo mais barato. “Atualmente, pago R$ 520 por mês, mas devo migrar para um outro plano, que vai me custar cerca de R$ 300.” Segundo ele, sua mãe usa o modelo com participação nas despesas e, juntos, os dois gastam R$ 1.300 mensais. “É bem caro, porque muitos médicos eu pago particular”, comentou.

Médico da família na rede privada
O antigo médico de família, modelo já utilizado em programas do Sistema Único de Saúde (SUS), está ganhando espaço nos planos privados e é uma aposta para melhorar o gerenciamento do cuidado com a saúde e, ao mesmo tempo, reduzir custos e desperdícios. Operadoras no Rio Grande do Sul, Espírito Santo, São Paulo e Minas estão testando o atendimento. Depois de estudar o projeto por dois anos, a Unimed-BH inaugurou duas clínicas que operam dentro da metodologia, adotada em países como Canadá e Inglaterra. Até o fim do ano serão quatro clínicas e 6 mil beneficiários.
O plano é coparticipativo, mas, quando a consulta é feita com o médico de referência do usuário, não há cobrança de valores extras na mensalidade. No modelo, o usuário tem direito à rede credenciada e ao atendimento de urgência e emergência. A diferença é o vinculo com um único profissional. Ao reduzir a peregrinação de usuários pelo sistema de saúde, o médico de família também reduz custos. “Vamos acompanhar os resultados a partir dessas experiências. O potencial é para chegarmos a 20 mil clientes. No fim do ano, o plano será vendido também na modalidade individual e familiar”, ressaltou Marcelo Coury, superintendente comercial e de marketing da operadora.
A ideia, segundo Coury, é que os usuários firmem com o profissional um relacionamento duradouro. “É esse médico que vai encaminhar o paciente para o especialista, quando necessário, acompanhando toda sua evolução médica. O usuário terá acesso ao seu médico também por telefone e e-mail”, reforça.
