No ano passado, as exportações brasileiras da cadeia mineradora tiveram impacto de US$ 37,6 bilhões na balança comercial brasileira, sendo que praticamente metade desse valor refere-se à participação de Minas Gerais. O minério de ferro, estrela das exportações brasileiras, representa 80% do que é exportado pela indústria da mineração no estado. A extração de ferro gera 50% dos empregos da cadeia mineradora, sendo um atividade também de grande porte no impacto ambiental. Ontem, no Dia do Meio Ambiente, a Vale assinou com o governo do estado, Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra) e organizações de defesa do meio ambiente protocolo de intenções para doação de área de 6,2 mil hectares, além de doação de dois rodotanques para combate a incêndios no quadrilátero ferrífero.
Como medidas compensatórias pela instalação e operação de empreendimentos ligados a atividade mineradora, foram repassadas ao estado cinco fazendas localizadas em áreas de conservação integral ou em sua proximidade, com valor aproximado de
R$ 47 milhões, onde há preservação dos biomas da mata atlântica e do cerrado. Também foi assinado convênio com o Sindiextra para repasse de recursos da ordem de R$ 3,5 milhões à Associação Minera de Defesa do Meio Ambiente (Amda) e à Terra Brasilis, organizações que atuam no combate a incêndios no quadrilátero ferrífero.
Maria José Salum, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ressaltou que a demanda mundial pelo minério de ferro faz crescer as pressões sobre os campos ferrugionosos do estado, gerando impactos ambientais e econômicos. “A cada emprego gerado pela atividade mineradora, 13 postos de trabalho são criados em outros setores. Desse percentual, o minério de ferro responde por 50%.”
O presidente do Sindiextra, José Fernando Coura, é otimista. Ele diz que, por questões econômicas, as empresas estão em uma corrida para melhorar seus custos, reduzindo o consumo de água, de energia, recuperando processos industriais. “Hoje, além da demanda da sociedade e do meio ambiente, há uma pressão de custos. Empresas que não conseguem cumprir essa agenda não permanecem no mercado.” Segundo ele, o setor minerador no país investe perto de US$ 500 milhões ao ano em processos que reduzem impactos ambientais, sem contabilizar as medidas compensatórias.
O governador de Minas, Alberto Pinto Coelho, ressaltou que o estado lançou programa de proteção à Mata Atlântica em que serão investidos R$ 50 milhões. O secretário de estado de Meio Ambiente, José Alberto Colares, diz que medidas de proteção devem sempre existir em atividades consideradas de alto impacto ambiental. “O simbolismo da ação de hoje é importante porque demonstra que as empresas estão reconhecendo a necessidade das medidas compensatórias.”
Gandarela
Lúcio Cavalli, diretor de planejamento e desenvolvimento ferrosos da Vale, ressaltou que o projeto Apolo, em Santa Bárbara e Caeté, ainda depende de criação na região do Parque Nacional da Serra do Gandarela. Só depois dessa ação será dado início ao projeto de licenciamento ambiental. Segundo o executivo, até julho a companhia terá concluído todo os planos de fechamento de minas e recuperação ambiental, como deve ocorrer com a reserva de Gongo Soco, que vai encerrar suas atividade em Barão de Cocais, região Central do estado.
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Vale doa áreas de vegetação para conservação no Dia do Meio Ambiente
Mata atlântica e cerrado são preservados em fazendas entregues pela empresa. Combate a incêndios também recebeu recursos
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