Brasília – Enquanto o mercado ainda especula de onde vai sair o dinheiro para cobrir o rombo das distribuidoras este ano, de R$ 7,9 bilhões, especialistas já estão preocupados com a falta de energia física para o ano que vem. Não há mais oferta no mercado livre para contratação a partir de janeiro de 2015. Mesmo nesse cenário, o governo segue com o discurso de não há necessidade de um racionamento. “A situação do setor elétrico no Brasil não é crítica. Ninguém neste país até agora foi constrangido a desligar uma lâmpada sequer. E assim será”, afirmou ontem o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) retificou o valor a ser repassados às distribuidoras. Inicialmente, seria R$ 3,2 bilhões, mas a segunda parcela foi reajustada para mais de R$ 4 bilhões. A Light (RJ) receberá o maior aporte, de R$ 423 milhões, seguida da Cemig, com R$ 410,3 milhões, Copel (PR), R$ 321,9 milhões e AES Eletropaulo (SP), R$ 321 milhões. Como a primeira parcela foi de R$ 4,7 bilhões, restam apenas R$ 2,5 bilhões para a liquidação de abril, a ser realizada em junho.
O presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Leite, garantiu que vai faltar dinheiro. A estimativa da entidade é de que mais R$ 7,9 bilhões sejam necessários até o fim do ano para cobrir o rombo do setor. “É líquido e certo que vai ter uma solução adicional”, disse.
O governo insiste que o Tesouro Nacional não fará novos aportes. “Tudo leva a crer que os recursos serão insuficientes, mas de onde vai sair o dinheiro é uma incógnita. Provavelmente, o governo vai tirar alguma coisa da cartola”, estimou Adilson Oliveira, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), especialista no setor elétrico.
Representantes do governo e o presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Luiz Eduardo Barata, admitem que a solução pode passar por um novo empréstimo com instituições financeiras públicas e privadas. Isso evitaria o comprometimento maior do desempenho das contas públicas e jogaria um pouco mais para a frente o impacto para o consumidor. Contudo, o primeiro empréstimo tomado pela CCEE já foi polêmico o suficiente para fazer três conselheiros da entidade renunciarem antes da assinatura do contrato. Em assembleia, hoje, a entidade deve eleger novos representantes.
Consumo
Para o professor Oliveira, ainda restam 3 mil MW em térmicas para serem injetados no sistema em 2014, uma vez que os reservatórios estão baixos. “Isso dá um fôlego para este ano, mas o custo vai ficar cada vez mais elevado. A situação ficará insustentável no ano que vem. A solução mais sensata seria um programa de redução no consumo, apesar de todo o custo político que isso tem”, ponderou.
Para o sócio da Interact Consultoria em Energia, Rafael Herzberg, o problema é ainda pior. “Nós temos duas crises no setor. A crise do preço e a da oferta física. Por enquanto, se fala mais em valores, mas a falta de disponibilidade é mais grave. Não há oferta de energia para quem quer contratar a partir de janeiro de 2015”, alertou.
Publicidade
Especialistas estão preocupados com falta de energia física para 2015
Falta do insumo no mercado livre para contratação a partir de janeiro do ano que vem óde levar ao desabastecimento
Publicidade
