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Estado de Minas

Deficit fiscal racha o governo


postado em 08/11/2013 08:51

Perigo no câmbio: real foi a moeda que teve a segunda maior desvalorização diante do dólar desde 30 de outubro (foto: Kim Hong-Ji/Reuters - 4/8/13)
Perigo no câmbio: real foi a moeda que teve a segunda maior desvalorização diante do dólar desde 30 de outubro (foto: Kim Hong-Ji/Reuters - 4/8/13)

O estrago nas contas públicas provocou um racha na equipe econômica. Parte dos auxiliares da presidente Dilma Rousseff passou a defender fortemente, nos bastidores, uma ação rápida do governo para fazer um ajuste crível na área fiscal. O argumento é de que a onda de incerteza que varre o país já provoca custos pesados, como o aumento das taxas de risco dos financiamentos ao governo e a empresas brasileiros. A desconfiança é tão grande que, desde 30 de outubro, um dia antes da divulgação do rombo recorde de R$ 9 bilhões de setembro, o real foi a moeda que teve a segunda maior desvalorização diante do dólar, numa amostra de 24 nações emergentes pesquisada pela Tendências Consultoria.

A moeda do Brasil só não está em primeiro lugar porque o Banco Nacional da República Tcheca começou a intervir no câmbio para enfraquecer a coroa e evitar a deflação no país. Ontem, o real perdeu ainda mais força diante do dólar, que fechou acima de R$ 2,30 pela primeira vez em dois meses, subindo 1,02%.

Embora a divisa norte-americana tenha se valorizado perante quase todas as moedas, por conta das expectativas de mudança na política monetária nos Estados Unidos, o desempenho brasileiro foi um dos piores. “O real tem sofrido os maiores impactos por causa dos péssimos resultados fiscais”, comentou Silvio Campos, analista da Tendências. “O risco de investir no Brasil está subindo, já que as contas públicas não melhoram”, completou Décio Pereira Filho, gerente da mesa de operações da Socopa Corretora.

Um real mais fraco significa também preços mais altos dos produtos importados e pressões sobre a inflação. Por isso, a deterioração dos fundamentos econômicos tem provocado também o aumento dos juros no mercado futuro. Ontem, as taxas dos contratos com vencimento em 17 de janeiro, por exemplo, subiram de 11,90% para 12,03% ao ano.

O mercado prevê que, diante da carestia persistente, o Banco Central terá que aumentar o aperto monetário iniciado em abril. A maioria dos analistas acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) vá promover neste mês um aumento de 0,50 ponto percentual na taxa básica, a Selic, que está hoje em 9,5% ao ano, mas 42% deles já apostam num arrocho de 0,75 ponto.

Debilidade

“O Brasil está mal porque tem inflação alta e crescimento baixo há dois anos. E o lado fiscal desandou”, observou o economista da Canepa Asset Management Alexandre Póvoa. “Por isso, quando o mundo vai bem, o país melhora menos. Quando vai mal, piora mais”, pontuou.

“Os dados fiscais mais fracos desvalorizam o câmbio e afugentam investidores. O real é a moeda mais volátil porque os fundamentos da economia são ruins. Até a divulgação do deficit de R$ 9 bilhões, ele era a divisa com maior valorização diante do dólar. Essa grande amplitude, tanto para um lado quanto para o outro, é reflexo da debilidade econômica do Brasil”, ponderou Flavio Serrano, economista sênior do Espírito Santo Investment Bank (BES).

A Bolsa de Valores de São Paulo também vem sentindo o impacto da desconfiança. Ontem, o Ibovespa, principal índice do pregão, fechou em queda pelo terceiro dia seguido e recuou 1,21%.

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As 10 maiores desvalorizações de moedas de países emergentes desde 30 de outubro


Divisas Em relação ao dólar (em %)

Coroa tcheca -6,95
Real -4,86
Rand sul-africano -3,39
Forint húngaro -3,34
Leu romeno -2,75
Zloty polonês -2,62
Lev novo búlgaro -2,42
Peso colombiano -2,38
Peso chileno -1,99
Peso mexicano -1,99


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