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Estado de Minas

Formato que mistura vantagens do atacado e do varejo atrai consumidores da Classe A

Eles já respondem por mais de 50% das vendas. "Atacarejo" cresce até 25% ao ano


postado em 11/09/2013 06:00 / atualizado em 11/09/2013 06:46

Eduardo Caputo, sócio-proprietário da Auto-R, optou pelo formato há um ano(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Eduardo Caputo, sócio-proprietário da Auto-R, optou pelo formato há um ano (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Diante de um cenário econômico adverso, o varejo se reinventa para lidar com consumidores mais cautelosos. O chamado "atacarejo", por sua vez, desponta como boa alternativa, já que uma de suas principais características é a venda no varejo pelo preço no atacado. O modelo de negócio, que ganhou parte do comércio da capital mineira, segue crescendo. De lá para cá, mesmo com os indicadores econômicos flutuando, as empresas apresentam crescimento nas vendas que variam de 7% a 25%. Além do setor supermercadista, que inaugurou o formato, lojas de utensílios domésticos, autopeças e até papelarias se rendem ao conceito criado nos Estados Unidos, migrando, inclusive, para regiões mais nobres da capital.

A escolha pode ser justificada pelos números. Segundo pesquisa da Nielsen, encomendada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), entre os consumidores dos atacarejos, a maioria é das classes A/B, que respondem por 53,2% das vendas. Em segundo lugar aparece a classe C, com 42,2% dos negócios, seguida das classes D/E, com 4,6%. Para Olegário Araújo, diretor de Atendimento da Nielsen, o sucesso entre as classes mais altas pode ser justificado pelo aparecimento de lojas voltadas para esse público. "Esse é um canal democrático, que atende todos os níveis socioeconômicos", diz.

César Diniz, proprietário do Magazine Diniz, que trocou o varejo pelo "atacarejo" em junho do ano passado, mesmo diante de um cenário que considera ser de "recessão" encontrou a oportunidade de expandir seu negócio e vai abrir duas unidades na Savassi, na Região Centro-Sul de BH. A primeira loja será inaugurada em um mês, em um ponto nobre, na Avenida Getúlio Vargas com Rua Alagoas, e vai dividir o espaço com seu outro empreendimento, a Feira Show, além de um salão de beleza da rede Socila. "Enxergamos essa oportunidade porque percebemos muitas pessoas da Zona Sul vão até as nossas lojas no Centro", explica. "Na nova vamos vender produtos 30% mais baratos que qualquer outra loja de utensílios domésticos da Savassi", acrescenta.

Para sobreviver à turbulência do mercado, Diniz conta que mudou o estilo da mercadoria que vende em suas lojas, aliando a qualidade ao preço baixo. "Agora vendo o que o povo quer comprar. As pessoas não estão mais consumindo por impulso. Elas compram itens de primeira necessidade de utensílios domésticos, como lixeira para pia, e estamos investindo nisto: uma mercadoria de qualidade, mas com o preço barato", explica. Ainda de acordo com o empresário, quem não se adequar ao conceito de vender mais por menos, ou seja, ganhar no volume está fadado a não fisgar o cliente. "Ao invés de fazer promoção quero vender barato o ano inteiro. O atacarejo é uma forma de trazer o cliente", reforça.

No país, a expansão desse canal de vendas ocorre a passos largos. Os "atacarejos" crescem mais que o dobro que o atacado e o próprio varejo. De acordo com a pesquisa da Abras, só no primeiro semestre o crescimento do "atacarejo" foi de 17,5%. No mesmo período, o atacado, segundo dados da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), cresceu 3,4%. Já a alta no varejo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), foi de 3%, menor índice para o período desde 2005.

Curva ascendente

Para os próximos anos, Araújo, da Nielsen, acredita que o "atacarejo" deve manter a trajetória de expansão. "Essas empresas estão crescendo em média dos dois dígitos, o que não se vê em outros canais. Para o futuro, acreditamos em alta, numa taxa menor, mas positiva e acima da média dos outros canais", diz. Entre as causas que justificam o sucesso desse modelo de negócio está o fato de o "atacarejo" atender o pequeno comerciante, que não é visto pelos grandes distribuidores e compra em pequenas quantidades, mas também os consumidores que descobriram o canal como opção de economia.

Além de migrar para regiões nobres, outro efeito do "atacarejo" é a expansão para outros setores. Eduardo Caputo, sócio-proprietário da Auto-R Autopeças, optou pelo formato há um ano e registrou crescimento de 7% nas vendas desde então. O projeto piloto foi adotado inicialmente na loja da Avenida Pedro II, mas deve ser expandido para as demais unidades da rede em dois anos. "Em função das dificuldades do comércio chegamos a um momento onde tivemos que repensar o negócio", lembra. Ele explica que o sucesso do negócio se dá pelo fato de conseguir vender pelo preço do atacado com as vantagens do varejo.

"Oferecemos atendimento personalizado, variedade de itens em estoque e flexibilização de pagamentos", garante Caputo. O preço, principal atrativo, chega mais baixo aos consumidores, pelo fato de a cadeia de distribuição ser "quebrada" e parte dos custos ficarem pelo caminho. "Se antes as peças passavam pela fábrica, distribuidores, autopeças e mecânicos, agora negociamos direto com a fábrica, reduzindo os custos", diz. Os descontos podem ser obtidos pelos clientes a partir da segunda unidade comprada, que chega a ter uma diferença que varia de 10% a 30%, de acordo com o produto, na comparação com o preço cobrado no varejo comum.

Um negócio puxa o outro
O acréscimo da receita do "atacarejo" elevou ainda o faturamento do setor de autosserviço (supermercados e hipermercados) de R$ 243 bilhões para R$ 286,2 bilhões. Isso significa que só o "atacarejo" respondeu por R$ 43 bilhões do faturamento do segmento em 2012. De acordo com a Nielsen, 40% do crescimento do "atacarejo" é resultado de ganho de mercado e, desse total, algo em torno de 74% foi conquistado de outros formatos do autosserviço.

No Mart Minas, que vive um momento de pleno crescimento, o gerente comercial e de Marketing, Filipe Martins, conta que o sistema funciona de forma confortável para o consumidor, e que para comprar não é preciso um cartão específico da loja. "Aceitamos cartão de crédito, vendemos produtos fracionados e temos estacionamento", destaca. Entre os públicos atendidos, além do consumidor convencional, estão padarias, lanchonetes, bares, restaurantes e hotéis. O preço, de acordo com Martins, chega a ser de 10% a 15% mais barato, se comparado com varejo comum.

Ainda de acordo com o gerente, com base nos resultados de 2012, a empresa vai dobrar de tamanho até o fim de 2014. "Este ano já inauguramos mais uma loja no em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, outra em Contagem, no Bairro São Joaquim, e vamos abrir unidades em Patos de Minas, Alfenas, Ituiutaba e Pouso Alegre. Para o ano que vem, serão mais cinco lojas", conta. (CM)

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