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Estado de Minas

Fundos querem mudar as regras

Perdas com títulos públicos levam entidade de previdência privada a pedir alteração no prazo dos papéis em carteira


postado em 21/06/2013 00:12 / atualizado em 21/06/2013 07:33

Brasília – Os títulos públicos, que já foram sinônimo de segurança e rentabilidade, agora frustram investidores, com prejuízos cada vez maiores. As perdas com esses papéis foram tamanhas que os fundos abertos de previdência se viram obrigados a pedir socorro ao governo federal. A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) quer a mudança de uma regra que manda essas entidades alongarem os prazos das suas carteiras. Elas precisam comprar papéis de renda fixa com vencimentos mais longos, acima de cinco anos, justamente os que estão no vermelho.

Os prejuízos têm se disseminado nos fundos de renda fixa desde que o Banco Central deu início ao processo de aperto monetário, um ajuste que tirou a taxa básica (Selic) do menor nível histórico, 7,25% ao ano, para 8%. Com esse movimento, os títulos do Tesouro Nacional que já estavam no mercado, sobretudo os de prazo mais longo e indexados à Selic, passaram a valer menos. Como ninguém queria esses papéis, os que precisavam se livrar deles antes do vencimento não tinham para quem vender e o valor deles despencou. Para os grandes investidores, a exemplo dos planos de previdência que estão com as carteiras recheadas desses papéis, o prejuízo é enorme.

O problema é que o valor da cota dos participantes é calculado com base na marcação de mercado desses títulos — quanto ele vale no dia —, e não o do vencimento. Quando o cliente do plano de previdência olha para o extrato do fundo, vê suas economias para a aposentadoria minguar. Nesse cenário, a FenaPrevi pede a flexibilização das regras para trocar as operações de longo prazo por outras de curto e minimizar os prejuízos no ano. “A FenaPrevi está trabalhando no sentido de sugerir aperfeiçoamento da norma do Conselho Monetário Nacional (CMN) visto que o cenário de juros de longo prazo se alterou, o que não estava previsto quando a norma foi estruturada”, disse a instituição em nota.

Confiança
A desvalorização dos papéis evidencia uma crise de confiança no governo e nas contas públicas, uma questão que se intensificou depois do alerta da Standard & Poor’s (S&P). A agência sinalizou que pode rebaixar o Brasil em um ranking dos países mais seguros para se investir, isso caso a política fiscal não se torne mais responsável e menos expansionista. Diante desse quadro, o Tesouro Nacional, em pouco mais de uma semana, realizou quatro leilões de recompra de títulos para diminuir a volatilidade desses papéis e dar saída para os investidores que querem sair do investimento.

As declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central do EUA), de que pode dar fim aos estímulos monetários mensais de US$ 85 bilhões, aumentaram os problemas para o Tesouro brasileiro. Os investidores estrangeiros, que antes apostavam nos mercados emergentes, têm fugido dessas regiões, chamadas por eles de “ativos de risco”, para portos mais seguros. O fim dos estímulos, na prática, significa juros maiores nos Estados Unidos e o capital externo prefere a segurança de lá, mesmo com ganhos menores, às incertezas que dominam o Brasil.


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