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Estado de Minas

Em momento de incerteza, investidor deve ter paciência

Melhor estratégia na economia desaquecida com juro alto é aplicar no longo prazo


postado em 09/06/2013 07:00 / atualizado em 09/06/2013 07:53

Vera Batista e Zulmira Furbino

O tempo em que era fácil fazer apostas certeiras em papéis de primeira linha e ganhar fortunas em poucos minutos já passou. As incertezas externas e o fraco desempenho da economia doméstica exigem do investidor cautela na hora de aplicar suas economias e paciência para aguardar retorno financeiro. Basta olhar o sobe e desce frenético dos principais investimentos e as divergências entre os especialistas. Poucos ativos superaram a inflação oficial ou ultrapassaram a taxa básica de juros (Selic). Nos últimos 12 meses (encerrados em 31 de maio), os títulos públicos foram os campeões em rentabilidade. Em 2013, eles despencaram e o câmbio e o Certificado de Depósito Bancário (CDB) surgiram como melhores opções.


O retrato do passado, no entanto, não é o reflexo exato dos movimentos futuros. O investidor deve montar uma estratégia que contemple renda fixa e variável e pensar sempre no longo prazo. Mas sem deixar de observar os acontecimentos diários para perceber para que lado o barco está navegando. Quem manejou bem o leme, dizem os técnicos, entendeu que o que atrapalhou a NTN-B (Nota do Tesouro Nacional, série B), que apresentou rentabilidade líquida nominal de 10, 23% em 12 meses, foi a inflação ascendente, que forçou a alta dos juros. “Da mesma forma, notou que a trajetória do câmbio foi interessante. Mas é inconstante. A tendência é que volte a perder força”, esclarece Felipe Queiroz, analista da classificadora de risco Austin Rating.

Apesar da recente queda de atratividade dos papéis do Tesouro Nacional, Queiroz aconselha especial atenção aos títulos públicos e à caderneta de poupança, que têm menos risco. Os mais arrojados podem se aventurar no mercado de ações. “Não nas blue chips (as mais negociadas na bolsa de valores). Escolha empresas ligadas a consumo, imóveis ou atividade industrial e faça uma análise detalhada do pagamento de dividendos”, salienta. Eduardo Velho, economista chefe da INVX Global Partners, concorda no que se refere a títulos e dólar.


“O dólar já deu o que tinha de dar. Com certeza, o Banco Central vai impedir movimentos bruscos. Já os títulos continuarão atraentes por conta da escalada dos juros, que devem chegar a 9%, em 2013, para uma inflação de 5,5% ou menos”, assinala Velho. Porém, se a opção for por investir na bolsa, Velho faz uma análise diferente. Ele entende que a economia americana está retomando fôlego e a chinesa recuará menos do que se esperava. Assim, os produtos de exportação vão se beneficiar. “O caminho menos tortuoso são as commodities”, diz.


Para Jurandil Sell Macedo, consultor de finanças pessoais do banco Itaú, com as alterações na taxa básica de juros, os investidores brasileiros continuam correndo atrás do que passou. “No fim do ano passado, só se viam as pessoas comprando fundos ou NTN-B de prazos longos. Mas quando o juro sobe a performance desses títulos cai e o investidor volta a correr atrás de outros investimentos”, explica.


Por isso, segundo ele, o melhor neste momento é adequar investimentos e objetivos. Para uma boa aposentadoria, Macedo afirma que não deverão faltar aplicações nas NTNBs. Já as reservas para a realização dos sonhos, como uma viagem, devem ser feitas com antecedência. “Dinheiro não gosta de pressa”, ensina o especialista.

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