Publicidade

Estado de Minas

Artesãos se preparam para eventos esportivos

Mineiros já produzem peças artesanais de olho no mercado que será movimentado pelos próximos campeonatos esportivos. Verde e amarelo ditam os tons de boa parte das peças


postado em 06/09/2012 06:00 / atualizado em 06/09/2012 06:58

Marialda Cury e Maria Abadia Rosa, da Associação das Marias Artesãs, apostam que bonecos de palha farão sucesso no Mundial(foto: Marcus Melgar/Divulgação)
Marialda Cury e Maria Abadia Rosa, da Associação das Marias Artesãs, apostam que bonecos de palha farão sucesso no Mundial (foto: Marcus Melgar/Divulgação)


Que venham a Copa do Mundo e as Olimpíadas! Os artesãos mineiros começam a se preparar para o evento que vai ser uma das grandes vitrines do artesanato brasileiro. Você já imaginou estátuas de jogadores de futebol sendo produzidas em palha de milho nas cores verde e amarela? As Marias Artesãs, de Patos de Minas, no Noroeste do estado, começam neste mês a fabricar os modelos. Por enquanto, já estão prontas as Marias Brasileiras, bonecas nas cores da bandeira nacional.

Bolsas personalizadas com bandeiras do Brasil e estampas do “Ouro das Gerais” e Palácio do Planalto também já estão nas mãos dos artesãos e começam a ser encomendadas por lojistas. Saquinhos utilitários com bordados de árvores e recheados com produtos da agricultura familiar serão outra opção para os turistas estrangeiros.

“Vivemos a fase da pré-Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. O artesanato vai ser referência importante na tradução da cultura e identidade brasileira. Estamos fazendo grande esforço para que seja profissionalizado”, afirma Luiz Barretto, presidente do Sebrae. Ele avalia que é preciso preparar toda a cadeia produtiva do artesanato para as oportunidades que o Brasil vai ter nos próximos anos. “O Mundial terá 12 cidades como palco. Isso vai repercutir em diversas regiões, assim como os Jogos Olímpicos”, observa Barretto. Segundo ele, o Sebrae investirá em torno de R$ 40 milhões no artesanato até 2016.

O diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, ressalta que para chegar ao exterior é importante a profissionalização do artesanato brasileiro. “O turista estrangeiro quer levar um pedacinho do Brasil. Ele não quer algo que encontra em qualquer lugar. É importante focar nas cores do Brasil”, afirma. A embalagem, diz, também é importante. “Ninguém vai levar uma cerâmica que quando chegar do outro lado vai estar toda quebrada. Esses são alguns desafios”, completa.

De olho na Copa de 2014, as Marias Artesãs começaram a produzir bonecas e chaveiros em verde e amarelo, feitos em palha de milho. As bonecas já foram batizadas: vão se chamar Marias Brasileiras, em homenagem às artesãs do projeto, no qual 80% das participantes têm o nome Maria. O grupo produzia peças de tecelagem, mas com o tempo descobriram na palha o diferencial do trabalho. Como Patos de Minas é grande produtora de milho, fica mais fácil obter a matéria-prima para as peças: as palhas são doadas por agricultores da cidade.

Um dos grandes desafios que a associação enfrenta hoje é conseguir mais mão de obra. “Há carência de artesãs. Ainda não conseguimos conscientiza-las da importância do negócio como fonte de renda e melhoria da qualidade de vida”, diz Marialda Cury, coordenadora do projeto. A idade média das artesãs é de 60 anos.

Maria Abadia Silva Rosa é presidente da associação e uma das artesãs do projeto. Ela conta que a média do salário das trabalhadoras gira em torno de R$ 200, mas pode chegar a R$ 480, em alguns meses. “A Copa vai ser uma ótima oportunidade de mostrar o nosso trabalho”, diz animada e pensando na produção dos bonecos de palha de jogadores de futebol com bola e camisa da CBF. Neste mês eles já começam a ser feitos pelas artesãs.

Saiba mais

Quem são eles?

O Brasil conta hoje com 8,5 milhões de artesãos, com faturamento médio mensal de um salário mínimo, o que gera arrecadação bruta nacional de R$ 52 bilhões ao ano. O universo de artesanato brasileiro continua sendo predominado pelas mulheres, com 74% dos entrevistados em todo o país. A idade média dos artesãos está acima de 40 anos. Os artigos utilitários são líderes de produção e a decoração vem em segundo lugar. Os dados são da Central Mãos de Minas/Instituto Centro Cape, obtidos por meio de pesquisa solicitada à Vox Populi. 

 
Encomendas para fisgar estrangeiros


Alguns artesãos mineiros já começam a receber encomendas de produtos feitos para a Copa do Mundo. A Fio Brasil, de Muzambinho, no Sul do estado, está fazendo bolsas de algodão de tear manual com slogans de cidades-sede da Copa e regiões turísticas. As peças que serão vendidas em Ouro Preto já ganharam o slogan de “Ouro das Gerais”.

Paulo Nilton Bernardes da Silva, responsável pela Fio Brasil, conta que já fechou seu primeiro negócio com as bolsas estilizadas. Uma comerciante de Brasília (DF) encomendou modelos com imagens do Congresso Nacional e da bandeira do Brasil. Já são 20 artesãos envolvidos no projeto. O rendimento deles é atrativo: pode ir de um salário mínimo a R$ 2 mil por mês. A Fio Brasil no mês passado fechou seu segundo contrato de exportação: vendeu 750 cachecóis de chenile para a Holanda. O primeiro foi para os EUA, há pouco mais de um ano.

A exportação também vem ganhando força no Garimpo das Artes, em Conceição das Alagoas, no Triângulo Mineiro. A associação usa o bagaço da cana para fazer produtos decorativos e utilitários, como fruteiras, gamelas, baldes e luminárias. As vendas para o mercado externo são feitas para Boston (EUA) e Itália. “Pouco a pouco vamos aumentando as exportações”, diz Lúcia Helena da Silva Carvalho, artesã há sete anos. De olho no turista estrangeiro, a Garimpo das Artes começa a pensar em um produto em verde-amarelo para o Mundial de 2014. “A Copa vai ser uma oportunidade para mostrar o nosso trabalho. O mundo inteiro vai passar por aqui. Quer oportunidade melhor?”, afirma Lúcia. Os produtos feitos com pigmento natural, tirado da terra, são os diferenciais do artesanato do Garimpo.

Taís Buane, coordenadora de produção e vendas da Central Veredas, no Vale do Urucuia, no Nordeste de Minas, comemora a primeira exportação das artesãs do projeto: no mês passado eles enviaram colchas e mantas de tecelagem para Paris. Para a Copa do Mundo, a associação vai fazer sacos utilitários com bordados de árvores do cerrado, como ipê-amarelo, baru e jatobá. “E dentro vamos colocar produtos da agricultura familiar, como castanha-do-baru e óleo de pequi.” (GC)

* A repórter viajou a convite do Sebrae.

 


Publicidade