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Estado de Minas

Jovens domésticas buscam valorização profissional


postado em 20/07/2012 06:00 / atualizado em 20/07/2012 07:00


A busca principalmente dos jovens por ascensão social e uma profissão mais valorizada até mesmo pela cultura do brasileiro também ajuda a explicar a escassez que afeta o trabalho doméstico. Estudo especial sobre o mercado de trabalho no ramo feito pelo Dieese na Grande BH no ano passado mostra que mais de dois terços dos empregados na atividade em 2010 (66,6%) eram mulheres maduras, com idade entre 25 e 59 anos. As jovens representavam só 6,1% do total. De 2000 a 2010, o número de mensalistas caiu de 81,4% para 69,2%, enquanto subiu a proporção de diaristas, de 18,6% para 30,8%. Ainda assim, no Brasil o serviço doméstico permanece como ganha-pão de uma entre cinco mulheres ocupadas , quer dizer, um contingente de 6,47 milhões de trabalhadoras. Na Região Metropolitana de BH, é o terceiro maior empregador de mulheres, ocupando 14,3% da força de trabalho feminina, de acordo com o Dieese.

Levantamento divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que a parcela de trabalhadores formais no emprego doméstico passou de 48,4% da população ocupada para 54,3% entre 2004 e 2009. A má notícia para eles é que 71% trabalham sem carteira assinada no Brasil. Em nenhuma das 27 unidades federativas o percentual de formalização do emprego doméstico chega a 40%. O percentual de formalização mais alto se concentra nos estados de São Paulo ( 38,9%) e Santa Catarina (37,6%). Até mesmo no Distrito Federal, onde a renda per capita é a mais elevada do país, o percentual de trabalhadoras domésticas com carteira assinada não passa de 37%. A formalização não chega a 10% no Amazonas, Ceará e Piauí, com o Maranhão batendo o recorde de pior desempenho: apenas 6,7% das trabalhadoras domésticas do estado possuem carteira assinada.

E mais: o rendimento médio das trabalhadoras domésticas é bem abaixo do salário mínimo. Em 2009, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE, enquanto o salário mínimo era de R$ 465, o rendimento médio do trabalho doméstico no país não passava de R$ 408. Os dados constam do Perfil do Trabalho Decente no Brasil, que traz pela primeira vez uma análise sobre situação de cada estado e do Distrito Federal. O extenso relatório foi coordenado pelo especialista José Ribeiro, responsável pelo Projeto Monitorando e Avaliando o Progresso no Trabalho Decente, do escritório da OIT em Brasília.

Apesar dos dados negativos, Ribeiro faz questão de frisar que o país está avançando. Entre outros indicadores ele cita o que indica a redução da pobreza. De 2003 a 2009, data da última Pnad, nada menos que 27,9 milhões de pessoas saíram da situação de pobreza absoluta, ou seja, deixaram de pertencer ao grupo que sobrevive com uma renda familiar per capita de até um quarto do salário mínimo. E isso aconteceu por causa do avanço da Previdência Social e das políticas de transferência de renda, como o Bolsa-Família. Mesmo assim, a pobreza ainda afeta 8,5% da população, um contingente de 16,27 milhões de pessoas. (Com MV)


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