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Estado de Minas

Sebrae aposta no potencial das franquias mineiras

Sebrae acredita que Minas tem potencial para crescer as redes de comércio criadas no estado e aposta na expansão


postado em 14/05/2012 07:14

Um mesmo negócio para vários donos. As franquias nasceram nos Estados Unidos e espalharam-se com sucesso pelo Brasil, mas em Minas a criação de redes a partir de comércios nascidos dentro do estado ainda não decolou, como acontece no Rio de Janeiro, São Paulo e no Sul do país. Com participação no segmento inferior a 6%, cerca de 80% das franquias abertas em terras mineiras são importadas de outros estados ou até mesmo do exterior. Apostando no potencial para decolar no segmento, o Sebrae vai intensificar as consultorias para as micro e pequenas empresas mineiras com objetivo de alavancar a criação de franquias feitas em Minas, do tradicional pão de queijo ao setor de serviços.

A intenção é aproveitar a expansão da indústria de shopping centers, que cresce em todo o país. Como o modelo comercial das franquias tem boas chances de sucesso, o negócio é bem aceito pelos centros de compras. Em São Paulo, o setor faturou no ano passado próximo a R$ 46 bilhões. Em Minas o faturamento atingiu R$ 3 bilhões. “A falta de informação pode gerar medo ou insegurança de investir no negócio”, diz a analista do Sebrae, Alessandra Simões.

De acordo com ela, com a expansão de shoppings por cidades polo do interior, a expectativa é que as franquias mineiras encontrem bom espaço para crescer. “Vamos intensificar os serviços de consultoria, criar cursos tanto para franqueadores como para quem quer abrir uma franquia.” Ainda segundo a especialista, grande parte dos empresários que optam por participar de uma rede são micro e pequenos empreendedores, com faturamento dentro do teto do Simples, o que não quer dizer que o pequeno negócio não possa ser também o dono da bola, tornando-se um franqueador.

Sucesso
Em 1997, o empresário mineiro Paulo Nonaka transformou sua pastelaria Fujiama em uma rede. Agora são 25 lojas em Belo Horizonte e região metropolitana que cresceram dentro do modelo. Ele também se transformou em um gerenciador de franquias e administra a rede fluminense Empada Carioca. O próximo passo será transformar o seu fast food de sanduíches, Pão.com, com duas lojas em Belo Horizonte, em uma rede. A lanchonete vende sanduíches de vários tipos de carne no pão francês e Paulo está apostando na expansão da marca utilizando a mesma estratégia comercial da Fujiama, que cresceu com as parcerias.
Para Nonaka, no estado há poucas opções de franquias mineiras com marcas consolidadas, mas não por falta de potencial do estado, talvez pelo perfil do mineiro, tido como desconfiado. “A franquia é um modelo de parceria, no qual há uma abertura do conhecimento para os franqueados.”
Nesse modelo, a vantagem para o franqueador é que o negócio cresce sem investimento de capital próprio.

Já o franqueado, que muitas vezes é novo na área, recebe o know how e, com isso, têm maiores chances de sucesso. O diretor da Associação Brasileira de Franchising (ABF) em Minas, Aristides Newton, estima que 60% dos negócios estejam localizados em shopping centers e outros 40% divididos entre lojas de ruas, serviços e conveniências. Ele está otimista quanto ao potencial do estado e aponta que este ano o estado deverá crescer 18%, acima dos 14% previstos para a média nacional.

Parceria certa para ampliar

Genuinamente mineira, a Qoy Chocolates está há 12 anos no mercado e conta com seis lojas franqueadas, sendo uma delas em São Paulo. Até o final do ano, outras cinco unidades devem ser abertas no interior de Minas. “O maior desafio da franquia é encontrar o parceiro certo”, diz Daniela Falci, diretora comercial da empresa que trabalha com chocolates finos e presentes. Segundo ela, o investimento inicial para se montar o negócio é de R$ 200 mil, valor que é 15% menor no interior. Mas para a parceria dar certo é preciso que o empresário tenha, além dos valores, o perfil para o negócio. “Um erro do mercado é achar que a franquia é uma fórmula de sucesso. O negócio tem muito mais chances de dar certo, mas depende também do empenho e do perfil do parceiro”, aponta.

Para se tornar um franqueador, o investimento varia em média entre R$ 60 mil e R$ 300 mil, montante para documentar e formalizar o modelo. Antes disso, é preciso que a iniciativa tenha tempo de mercado, pelo menos dois anos de operação, gestão bem resolvida, padrões e processos definidos. Já para o franqueado o investimento varia de R$ 25 mil até R$ 1 milhão. O retorno financeiro em média, fica entre 12 e 36 meses. “A franquia é um negócio testado e, por isso mesmo, é bom principalmente para os novatos. Mas é preciso que o empresário esteja disposto a seguir regras e padrões”, diz Alessandra Simões, analista do Sebrae.


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