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Estado de Minas

Cinquentenária, BR-040 mantém importância para o desenvolvimento econômico

Fábricas próximas à via receberão recursos de R$ 13 bi


postado em 05/02/2012 07:54

Juscelino Kubitschek (D) e Bias Fortes (C), então governador de Minas, com o Viaduto das Almas ao fundo(foto: Arquivo O Cruzeiro/EM/D.A.Press)
Juscelino Kubitschek (D) e Bias Fortes (C), então governador de Minas, com o Viaduto das Almas ao fundo (foto: Arquivo O Cruzeiro/EM/D.A.Press)
 

A manhã de 1º de fevereiro de 1957 continua fresca na memória de dona Ilda Marques, de 65 anos. Por volta das 11h daquele dia, ela disputou espaço com uma multidão para prestigiar o então presidente da República, Juscelino Kubitschek (1902-1976), que escrevia, naquela momento, uma página importante na história do país. Trata-se da inauguração da BR-3, principal acesso entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro, capital do Brasil naquela época. Brasília só seria construída em 1960. JK aproveitou a cerimônia, no km 592 da estrada, em Itabirito, para destacar que a moderna rodovia era mais um grande passo para o progresso da nação. Cinco décadas e meia se passaram e parte do traçado e o nome da estrada foram alterados. Mas a atual BR-040 manteve a relevância estratégica para o desenvolvimento da economia brasileira.

Tanto é assim que dezenas de empresas nacionais e estrangeiras instaladas às margens da via ou em cidades próximas vêm investindo pesados aportes na ampliação de suas unidades. Levantamento do Estado de Minas mostra que os recursos somam cerca de R$ 13 bilhões, com a promessa de geração de aproximadamente 23,8 mil empregos diretos e indiretos, número que leva em conta os postos de trabalho previstos nas obras. Dona Ilda, hoje sócia do Restaurante da Celinha, contribui para a cifra. Ela e a filha, Lucélia Maria da Silva, estão desembolsando R$ 400 mil na expansão do estabelecimento.

“Começamos com uma vendinha, há 20 anos, quando tínhamos apenas uma ajudante e servíamos cinco refeições por dia. Hoje são cerca de 500 pratos e 30 empregados”, comemora a filha, enquanto ouve a mãe relatar, em detalhes, a cerimônia de 55 anos atrás. “A comitiva de JK era grande. Foi um dia bonito, com banda de música. A BR me trouxe muita felicidade”, diz a mãe. O investimento no restaurante pode até ser considerado pequeno se comparado ao de grandes empresas, porém, retrata como a 040 ainda garante o progresso imaginado por JK.

A cifra mais expressiva é a anunciada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A empresa planeja injetar, até 2020, cerca de R$ 11 bilhões em Congonhas. “Deste valor, R$ 3,9 bilhões serão destinados à implantação de uma planta siderúrgica, com capacidade de 1 milhão de toneladas por ano. A expansão da mina Casa de Pedra (também em Congonhas) consumirá R$ 5,4 bilhões e a Namisa, empresa controlada pela CSN, receberá R$ 1,8 bilhão para a construção de uma usina pelotizadora. Os investimentos poderão gerar mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, conforme a siderúrgica informou, por meio de nota.

Parte da população da cidade histórica é contrária ao investimento por acreditar que a obra prejudicará o meio ambiente e a vista do santuário do Bom Jesus de Matozinhos, onde estão as 12 esculturas de Aleijadinho, mestre do barroco mineiro. A polêmica é grande e deve durar bom tempo. Outro projeto importante é o do grupo suíço Holcim, líder mundial na fabricação de cimento, para ampliar sua planta industrial em Barroso, distante 30 quilômetros da 040. A multinacional injetará US$ 800 milhões (cerca de R$ 1,38 bilhão).

“A expansão deve gerar 2 mil empregos durante a obra e 100 depois da conclusão, prevista para julho de 2014. Vamos entregar os estudos ambientais em fevereiro. A obra deve começar em abril”, informa Pedro Lluch, diretor de projeto do grupo europeu. Perto dali, em Carandaí, a Cimento Tupi dobrará sua produção, alcançando 2,5 milhões de toneladas por ano. O projeto receberá R$ 258,5 milhões, devendo gerar 736 empregos diretos e indiretos. Mais uma marca de peso a investir às margens da 040 é a Coca-Cola Femsa Brasil, maior franquia da fábrica de refrigerantes no mundo, que desembolsará R$ 250 milhões na construção de uma unidade industrial em Itabirito. Durante a obra, cerca de 800 empregos serão criados.

Já a empresa Rodoviário Camilo dos Santos, que atua no transporte de cargas terrestres em vários estados e cuja sede está em Juiz de Fora, na Zona da Mata, destinará R$ 20 milhões à ampliação de seus negócios até 2015. “Devemos criar 350 empregos diretos e indiretos. Metade será em Minas. Mais de 70% de nossa receita segue totalmente ou parcialmente pela rodovia”, disse Michael Oliveira, diretor-geral do Camilo dos Santos. A estrada já foi alvo, em 2011, de outros pesados investimentos, a exemplo da readaptação da fábrica da marca Mercedes-Benz em Juiz de Fora, na Zona da Mata, ao custo de R$ 350 milhões, para produzir caminhões. Nos próximos anos, o Hospital Mater Dei, de BH, vai construir uma unidade no terreno que abrigou a fábrica da Skol, em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte. A obra só deve ser iniciada daqui a dois ou três anos, quando o valor do investimento será definido.

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Obra de arte

JK inaugurou a BR-3 no pátio de um restaurante que funcionava a cerca de 10 metros do Viaduto Vila Rica, mais conhecido como Das Almas. O pontilhão, naquela época, foi considerado uma das mais bonitas obras de arte do país, pois, erguido em curva, chamava atenção até mesmo de engenheiros. O tempo, porém, mostrou que a ponte se tornaria palco de centenas de tragédias. Cerca de 200 pessoas morreram no local. Em outubro de 2010, com longo atraso, o Vila Rica foi substituído por outro pontilhão, erguido em linha reta e com divisória física entre as pistas contrárias. A situação atual do prédio do restaurante famoso por servir pão com linguiça que recebeu JK e sua comitiva é o retrato do descaso do governo com a malha viária nacional. (PHL)

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