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Estado de Minas

Estudo de outra língua vira febre no interior de Minas

Escolas da capital e franquias descobrem novo e rentável mercado nas cidades menores


postado em 28/08/2011 07:17 / atualizado em 28/08/2011 08:50

Thelma Lawton, superintendente do Number One Idiomas, que tem mais escolas no interior(foto: Beto Magalhães/EM/D.A.Press)
Thelma Lawton, superintendente do Number One Idiomas, que tem mais escolas no interior (foto: Beto Magalhães/EM/D.A.Press)
 

A febre de aprender novos idiomas, estudar no exterior e turbinar o currículo com uma segunda língua chegou às cidades do interior e está movimentando um mercado milionário. Escolas tradicionais consolidadas em grandes capitais aproveitam os bons ventos e, pela primeira vez, se instalam no interior. Isso sem contar as franquias. Existem redes onde o número de unidades nas cidades de menor porte já ultrapassa o número de negócios nas capitais. Surfando na onda do real forte, o interior bilíngue movimenta também o mercado de intercâmbios e já corresponde a 30% dos clientes de grandes agências.

Moradora de Ipatinga, no Vale do Aço, a estudante Soraia Franco não pensou duas vezes. Quando soube que a escola Cultura Inglesa estava se instalando na sua cidade, correu para matricular os filhos João Pedro, 12 anos, e Mariana, 9. Ela própria também decidiu aprender inglês. Apesar de os filhos já terem a disciplina na escola ela considera importante o curso extraclasse. Na segunda língua ela investe cerca de R$ 530 por mês para toda a família. “É uma oportunidade que vai ser importante no futuro dos meninos”, diz ela, apontando também que, em sua região, estão localizadas grandes empresas, que exigem a qualificação.

Nos últimos cinco anos, a participação do interior saltou de 40% para 56% na rede Number One, especializada no ensino da língua inglesa. A superintendente geral Thelma Lawton informa que no primeiro semestre a rede cresceu 10,4% no número de alunos, sendo o peso das cidades de Minas determinante. Enquanto a rede mantém 29 escolas em Belo Horizonte, no interior o número mais que dobra, são 69. “Com a chegada das faculdades ao interior, os jovens não têm mais que se mudar, vivem mais tempo em suas cidades”, considera a executiva, apontando também a ascensão das classes C e D, que são alunos em potencial. “A demanda reprimida é muito grande. Da população economicamente ativa, apenas 10% tem uma segunda língua.”

Há 70 anos no mercado, a Cultura Inglesa, com 12 unidades em Belo Horizonte, acabou de inaugurar unidade em Ipatinga, com investimentos de R$ 550 mil. O projeto de expansão para o interior começou há quatro anos, com escolas em Diamantina, Região Central, e São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas. Nos próximos anos, deve chegar a outras oito cidades, somando cerca de R$ 4,5 milhões em investimentos. A escola tem cerca de 12 mil alunos em toda a rede e faturamento previsto para R$ 26 milhões este ano. Segundo o diretor administrativo-financeiro, Olavo Laucas, as oportunidades para o setor crescem com eventos como a Copa do Mundo, mas também com o aquecimento do mercado de trabalho. “Existem grandes empresas que não só exigem o inglês como fazem reuniões no idioma.”

Intercâmbio

Estudar fora do país está na pauta das pequenas cidades, que também aproveitam a queda do dólar. Beth Coutinho, diretora da agência de intercâmbio e viagens que leva seu nome, diz que 35% de seus clientes vêm de cidades como Araxá, Montes Claros, Ipatinga, Alfenas, e de estudantes fisgados em todas regiões do estado. Segundo ela, o público do interior tem investido valores mais altos em cursos no exterior. “Temos levado muitos grupos acima de 40 anos para viagens com cursos rápidos, mas o forte são os intercâmbios com duração de seis meses a um ano”, diz.

Daniel Trivellato, sócio-diretor da agência World Study, diz que 30% dos estudantes que leva para cursos no exterior são do interior. “A demanda é surpreendente. Até o fim do ano que vem vamos abrir mais três unidades, em Juiz de Fora e no Sul do estado”, comenta. A agência STB pretende levar este ano 60 mil estudantes brasileiros para o exterior. O percentual é 15% superior ao ano passado. A agência tem unidades no Triângulo Mineiro, Norte de Minas e na Zona da Mata. Santuza Bicalho, diretora executiva aponta que apesar de a capital ainda ser líder no mercado, o crescimento percentual do interior surpreendeu no último ano. No Norte de Minas, a demanda chegou a apresentar crescimento de 500%.

enquanto isso...

… os preços caem
Com a queda do dólar, ficou mais barato estudar línguas no exterior. Um intercâmbio de seis meses nos Estados Unidos, por exemplo, um dos destinos mais procurados, custa cerca de US$ 8 mil, já incluída a passagem aérea. Segundo dados da Belta, associação que reúne instituições brasileiras que trabalham nas áreas de cursos, estágios e intercâmbios, o número de brasileiros que viajou para estudar mais que quadruplicou entre 2004 e 2010, saltando de 42 mil para 170 mil pessoas. Em 2012, a expectativa é que o percentual supere a marca dos 200 mil alunos.


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