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Estado de Minas

Briga de família no foco da investigação


postado em 20/08/2011 06:00

A operação Ilusão de Ótica, que investigou a sonegação de imposto e contrabando de óculos envolvendo a rede Centro Ótico, uma das mais tradicionais do estado, ganhou novo capítulo nesta sexta-feira. Um conflito familiar, envolvendo o fundador da Centro Ótico, Francisco Sales Dias Horta, pode estar por trás de toda a operação. O ex-genro, que é grande empresário no Paraná, é acusado pela família de abuso sexual de dois netos de Horta. A operação, segundo a família, pode ter sido encomendada como retaliação do ex-genro para não perder a guarda dos filhos e depreciar a imagem de Horta e suas filhas.

O tema chegou à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e foi amplamente debatido ontem, com depoimento de ex-babá, advogada, Francisco Horta e duas filhas. "Contesto todas as denúncias feitas na operação e aguardo que a polícia termine o inquérito para a Justiça. Todas as acusações colocadas até agora foram divulgadas apenas na imprensa. Nada foi comprovado", ressalta Horta.

A operação Ilusão de Ótica foi deflagrada em março e apurou suposto esquema de fraudes no Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo, que teria causado prejuízos de R$ 50 milhões aos cofres públicos, por sonegação fiscal. As empresas envolvidas foram acusadas de adulteração de notas fiscais para legalizar produtos e sonegar Imposto de Renda. Na época, as acusações apontavam até mesmo que estavam sendo vendidas armações e lentes de grau falsificada como se fossem de grifes.

APREENSÕES
A operação chegou a levantar a hipótese de que muitos óculos vendidos na rede de lojas do Centro Ótico são fabricados na China copiando modelos de marcas famosas. A polícia apreendeu 100 mil óculos na operação. A rede Centro Ótico opera hoje em sistema de franquia, com 14 lojas em Belo Horizonte e cinco no interior. O empresário Francisco Horta revela que não está à frente das lojas. Ele tem uma fábrica de óculos de segurança, em Sete Lagoas, na Região Central de Minas. A família de Horta revela ainda que foram apreendidos 600 óculos de forma aleatória, além de máquina de cupom fiscal e computador.

A filha do empresário, Adriana Horta, conta que fez denúncia de abuso sexual contra o ex-marido em outubro de 2008. Na época, as crianças tinham quatro e nove anos. "Meus filhos estavam tendo dificuldades na escola e começamos a pesquisar os motivos. Foi aí que descobrimos (os abusos), com a ajuda de profissionais, como pedagoga", afirma. Ela acredita que a operação foi uma estratégia armada pelo marido para desmoralizar a família e ficar com a guarda das crianças.

A advogada Melissa de Albuquerque Schulnan, que trabalhou para o ex-marido de Adriana, prestou depoimento ontem na Comissão da Assembléia. "Deixei de ser advogada dele por questões profissionais. Fiz várias denúncias de negociações armadas com desembargadores, juízes e Justiça", explica.


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