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Estado de Minas

Economia dá sinais de desaquecimento


postado em 11/06/2011 06:30 / atualizado em 11/06/2011 07:05

Brasília – O Banco Central puxou as rédeas da economia e o país respondeu. Semelhante a um efeito dominó, setor por setor começou, neste segundo trimestre, a arrefecer. Primeiro, o crédito encareceu 6,21 pontos percentuais no ano. Depois, o consumidor passou a comprar menos: na comparação entre março e abril as vendas no varejo encolheram 0,2% — o primeiro recuo em 11 meses. Os estoques se elevaram na indústria e, ao mesmo tempo, a produção diminuiu. As estradas com pedágio, por consequência, ficaram 1,4% mais vazias entre abril e maio, com menos caminhões de carga. E os indicadores que evidenciam a chegada da desaceleração não param. A dúvida dos economistas, porém, é se esse freio será suficiente para levar a inflação para a meta central de 4,5% ao fim de 2012.

Entre as mostras dessa diminuição de ritmo está a carga de energia despachada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), que caiu 2% entre abril e maio, um reflexo da atividade industrial menor no país. As vendas de papelão ondulado para os industriais em abril, um indicador de consumo importante, também caíram, ficaram 5,91% abaixo das registradas em março, de acordo com os dados da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (Abpo). Fernando Montero, economista-chefe da Prosper Corretora, considera que os dados caminham para um cenário mais benigno para a inflação, mas ainda assim ele faz ressalvas. “O cenário de convergência da inflação começa a se mostrar nos dados de consumo e a refletir na atividade, mas continua longe do adequado”, ponderou.

A desaceleração da economia já começa a ter efeitos sobre o emprego industrial. Fatores como a elevação dos juros, contenção do crédito e o câmbio valorizado levaram o índice que mede a ocupação no setor a cair 0,1% em abril, na comparação com o mês anterior, conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do número de horas pagas também ficou negativo na mesma base de comparação: 0,4%. Para piorar, o valor da folha de pagamento real teve variação negativa de 0,8% em igual período. Apesar da desaceleração, quando considerada a comparação com abril de 2010, a ocupação na indústria cresceu 1,7%. No ano, a taxa acumula alta de 2,4%, comparado ao acumulado dos quatro primeiros meses de 2010.

Já no varejo, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE mostra que a redução de 0,2% nas vendas, embora pequena, é a maior desde março de 2010. A suave acomodação de abril pode representar o início do resultado do esforço do governo para conter a inflação. “As vendas caíram, mas talvez não com a força que o governo desejava. Ainda é cedo para prever, mas é possível que essa seja uma queda pontual. Algumas atividades ligadas ao consumo continuaram crescendo”, assinalou Nilo Lopes de Macedo, analista da PMC. As vendas do varejo, em abril, quando confrontadas ao mesmo mês de 2010, continuam robustas, com crescimento de 10%.

O educador físico Guilherme Carvalho pisou no freio quando o assunto é compras. “Minhas despesas são muitas, com carro e moradia, e o jeito é comprar menos”, afirma. Carvalho conta que nos últimos meses passou a pesquisar mais quando pensa em comprar algo e que iniciou um processo de substituição de marcas no supermercado. “Já olho o preço e, muitas vezes, deixo uma marca que estava acostumado a comprar por outra”, explica.


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