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Estado de Minas

Chineses põem o pé no acelerador

Concessionárias de carros importados da China já venderam este ano, no Brasil, 45% do que comercializaram em 2010


postado em 26/03/2011 07:56

Interesse pelo modelo J3, lançado com agressiva campanha de marketing, é grande em concessionária de BH: média de 12 veículos vendidos por dia(foto: Julio Cabral/EM/D.A. Press )
Interesse pelo modelo J3, lançado com agressiva campanha de marketing, é grande em concessionária de BH: média de 12 veículos vendidos por dia (foto: Julio Cabral/EM/D.A. Press )

Depois de ensaiar, sem estardalhaço, a entrada no mercado brasileiro de automóveis nos últimos anos, 2011 ficará marcado pela chegada definitiva dos carros chineses ao país. Se em 2010 os chineses venderam 13.843 veículos, entre automóveis e comerciais leves, o que representou apenas 0,41% do total de 3,3 milhões emplacados no ano; de 1º de janeiro até a primeira quinzena de março, foram vendidos 6.313 carros chineses o que significa 1,01% do total de emplacamentos no período. Isto é, em menos de três meses, os chineses já negociaram 45% do que foi vendido nos 12 meses de 2010.

O cálculo ainda não inclui o expressivo volume da chinesa JAC Motors, que começou a operar no dia 18 março e abriu, simultaneamente, 50 concessionárias no país. Inclusive, há uma delas em Belo Horizonte, no Bairro Estoril, Região Oeste da capital. Em uma semana, entre o dia 18 e a quinta-feira, foram vendidos 1.139 unidades do J3 e J3 Turin. “Havíamos previsto a venda de 3 mil unidades para o primeiro mês cheio de vendas. A julgar pela semana inicial, podemos projetar mais de 4,5 mil unidades”, afirma Sérgio Habib, presidente da JAC.

O diretor da concessionária JAC em BH, Túlio Albuquerque Tabatinga, revela que até quinta-feira foram vendidos 71 carros, o que dá uma média diária de 12 automóveis na cidade. O ritmo de vendas pode ser comparado ao da líder de mercado: a Fiat. Na concessionária Fiat Strada, são vendidos, em média, 25 veículos por dia, incluindo todos os modelos comercializados pela marca. Se considerar somente as vendas do Uno e do Mille a média da dupla é de sete carros por dia.

Quase metade dos clientes, segundo Túlio, compram o carro oferecendo um modelo usado como entrada. “São modelos como Fiat Palio, Volkswagen Fox e Gol, Chevrolet Prisma e Agile”, afirma. O J3 (hatch) custa R$ 37,9 mil. O sedã, J3 Turin, é vendido por R$ 39,9 mil. Os argumentos do preço e da relação custo e benefício são os mais fortes, segundo o diretor da concessionária, pois os modelos são equipados com ar condicionado, airbag duplo e freios ABS. Túlio afirma que, segundo pesquisa interna feita pela rede, apenas 6% dos clientes questionam sobre a origem chinesa do veículo.

A JAC é estatal chinesa, com capital misto (25% negociado na bolsa de valores). O investimento do empresário Sérgio Habib para importar os veículos para o país foi de R$ 380 milhões. “Até o fim de 2011, pretendemos atingir 35 mil veículos comercializados, o que representa 1% do mercado nacional”, almeja Habib, presidente do grupo SHC, um dos maiores conglomerados de concessionárias do país.

Além da JAC, outros chineses apostam pesado no Brasil. A Chery investe na importação do QQ,, veículo compacto que começa a ser vendido no mês que vem com preço inicial de R$ 22,9 mil, o que fará do chinês o mais barato do mercado nacional. Além disso, a Chery já anunciou o investimento de US$ 400 milhões em uma fábrica em Jacareí (SP). A primeira fase do projeto, que terá investimento de US$ 130 milhões, vai instalar uma unidade com capacidade de produção anual de 50 mil veículos, prevista para começar a operar em 2013. A segunda fase, com investimento de US$ 270 milhões, elevará a produção anual para 150 mil. Na fase inicial, serão produzidos os modelos S12 (A1) e A13 (Fulwin 2).

A Lifan também, junto ao Grupo Effa, planeja investir US$ 70 milhões para criar um veículo compacto no país, em um centro de desenvolvimento, em Barueri, São Paulo. Outras marcas que chegam neste ano são a Chana Autos e a Haima, ambas operadas pelo grupo Districar, que já trabalha com a Chana (comerciais leves) e a coreana Ssangyong. A Chana Autos começará a vender três modelos: Alsvin, Benni e Benni Mini.

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