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Estado de Minas

Demissões rondam mineradoras

Trabalhadores da Vale em Itabira e região estão preocupados com cortes e preparam paralisação e manifestação para terça-feira. Empresa nega planos de redução de empregos em larga escala


postado em 29/11/2008 10:24 / atualizado em 08/01/2010 04:00

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (Metabase) de Itabira, Região Central de Minas Gerais, ameaça paralisar as atividades da Vale no município em protesto contra um pacote de demissões no país que a mineradora estaria preparando, conforme denúncias feitas ao sindicato. Uma manifestação, marcada para terça-feira, está sendo organizado com as presenças de prefeitos do entorno das minas. Os rumores de demissão em massa circulam também nas reservas de Brumadinho e Nova Lima, na Grande Belo Horizonte; Itabirito, no quadrilátero ferrífero; e nas localidades cortadas pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). A Vale negou, por meio de sua assessoria de imprensa, que esteja programando o corte de empregos em larga escala.

Há cerca de 15 dias, a companhia firmou acordo com o Sindicato Metabase de BH e região permitindo à empresa suspender temporariamente os contratos de trabalho de parte de seus empregados, mas ainda não adotou a prática. Segundo os sindicatos ouvidos pelo Estado de Minas, as dispensas previstas alcançam de 8 mil a 9 mil trabalhadores no Brasil. A entidade, que representa cerca de 8 mil empregados da Vale na capital mineira, Nova Lima, Itabirio, Sabará e Santa Luzia, encaminhou sexta-feira à mineradora uma carta alertando para o cumprimento do que foi negociado, informou o sindicalista Sebastião Alves de Oliveira. “Só aceitamos o acordo, porque o intuito era preservar os empregos. Foram negociados mais dois instrumentos para evitar demissões. Primeiro a antecipação dos períodos normais de férias e depois as férias coletivas”, afirma.

Segundo a assessoria de imprensa da Vale, a empresa está trabalhando para manter os empregos. Nesse sentido, adotou férias coletivas em algumas unidades, pediu aos empregados com férias vencidas que gozem esse período imediatamente e negocia com os sindicatos a suspensão de contratos de alguns trabalhadores, que durante dois a cinco meses ficariam em treinamento, recebendo normalmente os salários. A mineradora não informou o número de empregados que estão em férias coletivas, e os locais em que a medida foi adotada, ou aqueles que podem ter os contratos de trabalho suspensos.

O presidente do Metabase de Itabira, Paulo Soares, quer reunir políticos e convidou o governador Aécio Neves para a manifestação marcada para terça. “Há fortes rumores de que Minas Gerais será o estado mais afetado com demissões. O governo tem de interferir e questionar a Vale, porque ela decidiu manter os investimentos, mas vai sacrificar os trabalhadores”, diz o sindicalista.

O impacto de uma demissão em massa seria grande ainda, considerando-se os empregos indiretos ligados ao quadro de pessoal da Vale. De acordo com o sindicato da categoria, a Vale tem 3,5 mil empregados diretos nas minas do Cauê e Conceição, em Itabira, e dá trabalho a outros 3 mil de empresas prestadoras de serviços, com influência na geração de emprego e renda em 30 municípios da região, considerada o berço das suas atividades. “Não temos escolha, senão parar as empresas se essas demissões se confirmarem”, afirma Soares.

O corte de empregos estaria sendo preparado em todo o país para começar na próxima semana, se estendendo até fevereiro, conforme informações apuradas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Minas, que representa 7 mil empregados do estado, de Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. David Eliude Silva, diretor do sindicato e da Nova Central Sindical em Minas, diz que já houve mil demissões, desde que a crise financeira estourou na segunda quinzena de setembro, nas áreas do transporte ferroviário da Vale no Brasil. “Enfrentamos uma crise, sem dúvida, mas não são necessárias medidas nessa proporção. Fomos informados de que dentro da própria empresa, há um grupo de diretores que não comunga com a idéia da demissão de 9 mil pessoas”, diz.

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