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Estado de Minas

''Recado do morro', novo trabalho da Companhia Fusion, celebra o futuro

Grupo mineiro de dança comemora seus sete anos no palco do Francisco Nunes. Espetáculo ressalta o potencial criativo da favela. 'Vamos quebrar estereótipos', diz o bailarino Leandro Belilo


postado em 25/10/2019 04:00

Fernanda Gomes*
(foto: Pablo Bernardo/divulgação)
(foto: Pablo Bernardo/divulgação)

“Eles ficarão surpresos. Vão achar que somos um pouco doidos também”, brinca Isadora Coelho, uma das bailarinas da Companhia Fusion de Danças Urbanas, sobre a reação que espera dos espectadores de Recado do morro. O espetáculo estreia nesta sexta-feira (25), no Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte.

O diretor Leandro Belilo, um dos fundadores do grupo, explica que o conto O recado do morro, de Guimarães Rosa, foi o ponto de partida. “Pegamos o conto e fizemos um contraponto”, diz. Diferentemente do texto de Rosa, a coreografia busca passar uma mensagem de vida e esperança, transmitir os “recados das favelas”, afirma.

“Há o olhar de que favela é para sambar e tomar tiro, mas não é isso. Também tem tecnologia científica lá”, lembra Leandro, lamentando a ausência de negros em grande parte das obras que retratam cenários do futuro.

Isadora Coelho avisa que a Fusion mostrará que os negros fazem parte do futuro, são protagonistas da história. “A gente pode ser médico, ir para a Nasa. Podemos ser tudo o que quisermos.” Nas escolas, as crianças aprendem sobre a escravidão, mas não aprendem sobre reis negros do Egito, lamenta ela. “Queremos que nossas crianças, ao nos assistirem, possam se enxergar no futuro. Não só como dançarinos, mas como médicos, reis e rainhas. Se o povo negro da periferia não construir o seu futuro, ele não vai existir”, adverte.

DESEJOS
“Recado do morro nasceu para trazer uma mensagem de paz”, acrescenta Belilo. O que se verá no palco reflete pensamentos e desejos de cada dançarino a respeito do futuro. “O amanhã é definido pelas coisas que são feitas hoje”, enfatiza o diretor e bailarino.

A Companhia Fusion vai completar sete anos no sábado (26). O grupo surgiu na Vila Nossa Senhora da Pompeia, em BH, a partir de meninos que se reuniam para dançar. “Cada componente veio de uma quebrada diferente, trazendo uma bagagem cultural única”, observa Belilo.

Ao comentar a comemoração de sábado – o espetáculo foi selecionado pelo respeitado Rumos Itaú Cultural –, ele brinca: “Nada de festa e churrasco, quero é o palco”. E reforça: a missão da Fusion é quebrar estereótipos. “O morro não é bobo. Estamos sobrevivendo, pirando, criando e resistindo.”

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

RECADO DO MORRO 
Com Companhia Fusion de Danças Urbanas. Direção: Leandro Belilo. Bailarinos: Augusto Rodrigues, Isadora Coelho, Jefferson Siqueira, Jonatas Gonçalves, Leandro Belilo, Silvia Kamylla e Wallison Culu. Teatro Francisco Nunes. Parque Municipal, Av. Afonso Pena, 1.377, Centro, (31) 3277-6325. Sexta (25) e sábado (26), às 20h. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).


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