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Estado de Minas

Festival de artes cênicas promete tomar as ruas de Tiradentes neste fim de semana

Destaque da mostra de artes cênicas em Tiradentes é ocupação dos espaços abertos


postado em 17/05/2019 05:05

Uma das homenageadas é a romena Dorothy Lenner, de 87 anos, que estará em cena com Samaúma %u2013 O espírito sagrado da floresta(foto: Marlon de Paula /Divulgação)
Uma das homenageadas é a romena Dorothy Lenner, de 87 anos, que estará em cena com Samaúma %u2013 O espírito sagrado da floresta (foto: Marlon de Paula /Divulgação)

Italiano, de arena ou em estilo elisabetano. As opções de palco de um teatro convencional costumam ser essas. Mas podem ir além. Foi esse o mote da gestora cultural Aline Garcia quando idealizou, em 2013, um festival em que as praças, as ruas e os museus de Tiradentes se tornaram cenários. “A gente coloca a cidade literalmente em cena. É uma experiência única porque há uma interação maior justamente pelo público não estar numa caixa-preta convencional”, explica.

A sétima edição da Mostra de Artes Cênicas Tiradentes em Cena, de 18 a 25 de maio, tem como tema a alegria. A ideia, porém, não é apenas divertir, mas também provocar a reflexão. “Essa temática foi escolhida no ano passado ainda, logo que acabou o festival de 2018. É claro que queremos fazer rir, alegrar, mas ainda queremos essa pegada reflexiva, de fazer pensar. Isso é importante, ainda mais no momento atual da cultura, com poucos investimentos”, defende. A programação traz produções teatrais dos mais variados gêneros, além de música, dança, exposição, lançamentos de livro, oficinas, intercâmbios e rodas de conversas.

A homenageada de 2019 é a atriz e bailarina romena Dorothy Lenner, de 87 anos, que adotou a cidade histórica mineira em 1980, após uma visita. Nascida em Bucareste, ainda criança Dorothy precisou se refugiar em Buenos Aires após o avanço da Alemanha hitlerista, em 1940. Usou seu conhecimento em dança a partir do aprendizado na Argentina e ingressou na Escola de Artes Dramáticas em São Paulo, onde participou ao lado de Ruth Escobar de montagens que marcaram toda uma geração durante a ditadura militar. Em 1977, após voltar da Índia, conheceu Takao Kusuno, um dos precursores do butô (dança que surgiu no Japão pós-guerra e ganhou o mundo na década de 1970). “Ela tem uma trajetória pessoal e profissional que impressionam. Dorothy escolheu nossa terra não só para viver, mas para desenvolver trabalhos artísticos e sociais. É uma tradição da nossa mostra prestar tributos a figuras não só por suas carreiras, mas pela representatividade. Foi assim com Bibi Ferreira, Nathalia Timberg e Zezé Motta, também homenageadas”, destaca Aline.

Para celebrar a obra da artista europeia, uma exposição vai recontar um pouco de sua história. Dorothy Lenner – Memórias, sob curadoria de Hideki Matsuka, ficará aberta durante todo o evento e ainda traz projeções inéditas do fotógrafo russo Serguei Maksimishin, que se encantou e acompanhou Dorothy em Tiradentes por alguns dias, quando esteve com ela em outro evento na cidade, o Festival Arte Vertentes. “Acho importante para o próprio tiradentino e para quem mora ou visita a cidade conhecer um pouco sobre ela. E Dorothy tem uma trajetória de resistência e sempre imprimiu alegria no seu jeito de ser e de trabalhar. Tem tudo a ver com a proposta do Tiradentes em cena”, acredita a curadora.

A homenageada criou um espetáculo especialmente para o evento. Samaúma – O espírito sagrado da floresta, será apresentado neste sábado (18), no Museu da Liturgia. Com ela em cena, a montagem celebra a natureza, os conhecimentos indígenas e nossa ancestralidade. Dorothy representa a Grande Mãe Terra, que ensina às crianças os valores e os saberes de respeito à natureza e ao sagrado. Outro destaque desse primeiro fim de semana é Acorda Amor, com a atriz e palhaça Florência Santángelo (RJ), e o espetáculo de rua O circo a céu aberto, de Fabiano Freitas, também do Rio. Já no dia 25, quem estará no festival é a atriz, diretora e professora de artes cênicas Monah Delacy. Mineira de Belo Horizonte, ela vai participar de bate-papo com o público para falar dos seus 90 anos de vida e 71 de carreira e também lançar lançamento do livro “Introdução ao Teatro”.

BATALHA Aline Garcia ressalta a luta para levar adiante e manter o festival, mesmo tendo perdido algumas parcerias importantes, como a Cemig. “Sem querer desmerecer os outros eventos que ocorrem aqui, que são maravilhosos e movimentam a cidade, mas o nosso começou de dentro pra fora, foi criado por uma pessoa daqui e faz questão de ter essa interação e trazer benefícios para a população de Tiradentes. Todo o festival movimenta uma cadeia produtiva impressionante, daí a importância de contar com apoiadores”, frisa. Em 2019, a Mostra de Artes Cênicas Tiradentes em Cena conta com a parceria cultural do Sesc em Minas e Sesi Fiemg. A grande maioria dos espetáculos é gratuita. Só os realizados em espaços fechados têm entrada a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia para estudantes, idosos e moradores locais). “Desde o ano passado, criamos uma campanha que valoriza o artista, para incentivar o público a pagar pelo produto cultural. Mas quase tudo é de graça porque acontece na rua”, pontua.


Tiradentes em Cena
De 18 a 25 de maio. Programação completa:
www.tiradentesemcena.com.br


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