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Musical inspirado em Lulu Santos estreia em BH


postado em 26/04/2019 05:07

Tartufo é um dos textos mais importantes de Molière. A comédia – encenada pela primeira vez em 1664 – foi quase que imediatamente censurada pelos devotos religiosos. No texto, eles foram retratados como hipócritas e dissimulados. Perto de quatro séculos depois, o clássico foi remodelada pela Preqaria Cia de Teatro, que encena neste fim de semana e no próximo na Funarte a peça Tartufo’s 80. Primeiro trabalho do diretor Ricardo Martins com o grupo, a produção nasceu de uma história curiosa. “A mãe do João Valadares (ator e diretor da Preqaria) tinha uma Brasília. O carro sempre foi muito querido dela, ainda funciona, mas o João decidiu dar um novo de presente pra ela. E aí surgiu essa ideia de pegar a Brasília, que é tão característica dos anos 1980, para fazer parte do cenário da nova peça. Ela já pensava em fazer uma comédia”, explica.
Ricardo ressalta a atualidade do texto e assegura que nada foi modificado, além da ambientação. “A gente pegou aquela peça e trouxe para os anos 1980. É o texto original do Molière. Não tem adaptação. Mas as referências, as roupas, a trilha, aquele jeito tão debochado e irreverente da época estão presentes e certamente vão oferecer ao público uma divertida reflexão e uma viagem ao passado”, acredita.
Ele comenta que essa novidade foi um desafio não só para a direção, mas para o elenco. “Tinha que deixar o texto bem encaixado e de acordo com o que a gente estava propondo. Brincamos que criamos um estilo, o ‘farseirol’, que é um misto de farsa com besteirol”, pontua. E as novidades não param por aí. Na montagem, as atrizes fazem os papéis masculinos – Piera Rodrigues interpreta Tartufo – e os atores, os femininos. “Acho que a produção ficaria mais interessante e instigaria mais ainda o elenco. Nós chegamos a encenar em Sete Lagoas, que é a base do grupo, e o público comprou essa ideia. O resultado foi muito bacana. Espero que aconteça o mesmo em BH”, anseia. Além de João Valadares e Piera, a peça tem a participação de Izabela Oliveira, Marina Galeri e Rogério Alves.
Quem estará também na cidade é a jornalista e atriz Marília Gabriela. Ela faz parte do elenco de Casa de bonecas – Parte 2, junto com Luciano Chirolli, Eliana Guttman e Clarissa Kiste. O espetáculo é uma espécie de continuação e traz um final alternativo para o clássico Casa de bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), que foi publicado em 1879 e causou polêmica ao questionar as convenções sociais e o casamento como uma instituição. Escrito pelo dramaturgo norte-americano Lucas Hnath (indicado ao Prêmio Tony 2017 de Melhor Texto), a remontagem tem direção de Regina Galdino e narra o retorno de Nora Helmer, personagem de Marília, à casa de sua família 15 anos depois de tê-la abandonado, deixando para trás o marido e filhos. A peça será encenada no Cine Theatro Brasil Vallourec, amanhã e domingo.

QUESTÃO RACIAL No Centro Cultural UFMG, o público pode conferir hoje, às 18h30, e de graça, um espetáculo que aborda a questão racial. A peça Os negros, produção do Coletivo Impossível, é uma adaptação de Os negros – uma clowneria, do dramaturgo francês Jean Genet, e tem direção do professor Rogério Lopes e atuação do grupo de alunos que encerrou em 2017 a passagem pelo Curso Técnico de Formação do Ator do Teatro Universitário (T.U.) da UFMG. Um tribunal é instalado para que uma corte composta por brancos julgue os crimes supostamente atribuídos a um grupo de negros. Entre cômicos depoimentos e estranhas reconstituições, fica perceptível que uma grande farsa fora montada para chamar a atenção para questões raciais. A produção – que é representativa do denominado Teatro do Absurdo–- integra o projeto Baixo Centro En[cena], como parte da programação do Circuito Cultural UFMG.


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