Jornal Estado de Minas

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Quem ganha com a inclusão de pessoas com síndrome de Down na sociedade

Mesmo sendo a primeira causa conhecida de deficiência intelectual, pessoas com síndrome de Down e suas famílias ainda enfrentam muitos desafios. Mais de 70% sofrem abandono parental, estima-se que menos de 10% são alfabetizadas e vê-las inseridas no mercado de trabalho é ainda mais raro. 





Com os avanços da medicina, a expectativa de vida de pessoas com síndrome de Down não para de aumentar. Nos últimos 30 anos, a longevidade subiu de 35 para 60 anos, mas ainda há o que melhorar no que diz respeito à qualidade de vida. No Brasil, há cerca de 300 mil pessoas com síndrome de Down, e muitas delas não são bem recebidas em ambientes usuais. 

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Múltiplas características e sonhos


No último dia 8/10, a cantora Pabllo Vittar chamou atenção ao levar para o palco a aniversariante do dia, Joana, uma fã com síndrome de down que estava completando 22 anos e impressionou o público de Belém ao som do hit “Parabéns”.

Ser uma mulher com síndrome de Down é uma das muitas características de Joana. Por conta própria, ela correu atrás para ir ao show de Pabllo, conseguiu acesso ao camarim e pediu para dividir o palco com a artista.






Joana, como qualquer mulher, quer conquistar sua independência, poder concluir os estudos, namorar e realizar seus sonhos.  

Instituto Mano Down


Para Leonardo Gontijo, presidente do Instituto Mano Down, a presença de pessoas com síndrome de down em shows, cafés, transportes públicos e outros ambientes deveria ser normalizada.

O instituto com sede em Belo Horizonte foi fundado em 2011 e surgiu pelo amor que Leonardo tem pelo irmão mais novo, Dudu, diagnosticado com síndrome de Down. Ao enxergar todas as dificuldades que o irmão e todas as pessoas com deficiência intelectual poderiam enfrentar, Leonardo criou o núcleo de socialização com o objetivo de trocar a palavra exclusão por oportunidade.
Hoje, o Mano Down recebe mais de 600 famílias de todo o Brasil, oferecendo a elas intervenção precoce de saúde, inclusão escolar, mobilização para autonomia, inclusão no mercado de trabalho e estímulo ao empreendedorismo.





Inclusão no mercado de trabalho


Quando uma pessoa com síndrome de down procura ser incluída em um ambiente profissional, ela quer muito mais que renda. Busca, ainda, socialização, aprendizado, aumento de autoestima e realização de sonhos. De acordo com o psicólogo Gabriel Leandro, do Instituto Mano Down, apesar de ainda ser um grande desafio, a inclusão de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho traz muitos benefícios não só às pessoas contratadas mas também às empresas. 

Como exemplo, Gabriel cita o caso de um dos educandos que está inserido no mercado de trabalho. “Depois de horas de uma palestra de segurança de trabalho, ele levantou a mão dizendo que não havia entendido nada e pedindo para que o palestrante resumisse. Em 20 minutos, o cara resumiu de forma clara uma palestra de duas horas. A dúvida desse funcionário provavelmente era a de muitas pessoas. A presença dele trouxe à empresa uma comunicação simples e eficiente”. 

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Lei de Cotas 


Em 1991, foi aprovada no Brasil uma lei que ajuda a aumentar o número de pessoas com deficiência (PCDs) empregadas. A Lei de Cotas (8.213/91) exige que empresas com mais de 100 empregados contratem PCDs. As proporções variam de acordo com a quantidade de funcionários:

  • até 200 funcionários: 1%
  • 201 a 500: 3%
  • 501 a 1000: 4%
  • mais de 1000: 5%

Muitas empresas não seguem essa lei ou acabam contratando os funcionários apenas para ficar dentro da regularidade, não dando o suporte necessário, nem ao menos os colocando para realizar tarefas reais. Dessa maneira, nenhuma vida é impactada como poderia ser. 

*Estagiária sob supervisão da subeditora Giovanna Fávero