Jornal Estado de Minas

BOICOTE

Ausência de diversidade leva a esvaziamento de Globo de Ouro 2022


Depois de uma série de protestos contra a falta de diversidade e de transparência na HFPA, entidade responsável pela indicação e escolha das obras,  a cerimônia do Globo de Ouro ficou esvaziada.  O evento,  que abre a temporada de premiações do cinema e era considerado termômetro para o Oscar, teve a 79ª edição marcada pela ausência de transmissão, das celebridades e da imprensa.




 
Em fevereiro de 2021 uma matéria publicada pelo “Los Angeles Times” divulgou que, entre os 87 membros da Associação, não havia nenhuma pessoa negra, além de denuncias de comportamentos sexistas e homofóbicos. 
 
A cerimônia ocorreu, no domingo (9/1), em um evento exclusivo para membros da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA) e convidados, no Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles.

A divulgação dos vencedores foi feita no Instagram e no site oficial, durante uma hora e meia. A postagem de abertura contou a história da associação, mostrou ações filantrópicas nos últimos 27 anos e as mudanças implementadas este ano, como a mudança no quadro de diretores e a inclusão de 21 novos membros “predominantemente diversos”.

Diferentemente do que era esperado, não houve protestos nas redes sociais ou manifestações de celebridades e estúdios. A cerimônia seguiu discreta e sem incidentes, com a maioria dos prêmios indo para os já esperados favoritos da temporada.




Ação e reação

Como resposta a falta de diversidade  no Globo de Ouro, os estúdios, Netflix, Amazon e Warner declararam que não participariam de eventos da HFPA. Logo depois, atores como Scarlett Johansson e Mark Ruffalo se juntaram aos estúdios e Tom Cruise devolveu três estatuetas.
 
A NBC, emissora que tradicionalmente transmitia a premiação desde 1996, declarou que não cobriria a cerimônia até que mudanças fossem colocadas em prática, e esperava que voltasse a transmitir o evento em 2023. O último a se juntar ao boicote foi Lee Jung Jae, protagonista de “Round 6”, que anunciou na última quarta-feira (5) que não compareceria à cerimônia deste ano.

Protestos no Globo de Ouro

Não é a primeira vez que a premiação do Globo de Ouro é o centro de protestos. A edição de 2008 teve a cerimônia cancelada, depois que atores declararam que boicotariam a premiação em apoio à greve dos roteiristas, promovida pelo Sindicato de Roteiristas da América, que reivindicava melhores pagamentos e condições de trabalho.



A decisão da suspensão do evento se deu depois do anúncio de que o sindicato faria piquetes na porta do hotel de Beverly Hills, onde acontece a entrega dos prêmios. O anúncio dos vencedores foi feito por meio de coletiva, sem a presença dos indicados.

Em 2018, devido a proporção e importância que o movimento Time’s Up, que protestava conta o sexismo e abusos sexuais em Hollywood, quase todas as mulheres presentes na cerimônia usaram roupas pretas para dar visibilidade à causa.
 
*Estagiária sob a supervisão de Márcia Maria Cruz