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Estado de Minas

Curso de viola caipira do Sistema Faesp- Senar AR/SP resgata a cultura do homem do campo, em São Carlos

Além do resgate da moda de viola e do respeito à cultura, muitos realizam o sonho dos seus pais ou avós ao aprenderem um instrumento típico do interior


postado em 19/12/2017 14:00

(foto: Dino)
(foto: Dino)
A localização geometricamente central de São Carlos sempre favoreceu para que a cidade se tornasse uma referência regional no estado de São Paulo. Sua fundação tem origem na ascensão do período cafeeiro, mas seus 160 anos de história testemunharam diversas transformações, tanto na sua matriz econômica quanto na cultura local.

Além de se manter como grande produtor agropecuário, o município tornou-se um polo tecnológico e industrial, diversificando a geração de renda e atraindo mão de obra de outros cantos do país. Hoje, São Carlos é o destino de diversos grupos sociais, recebendo universitários, pesquisadores e profissionais experientes em busca de emprego, mas isso não diminui a importância da origem caipira na composição da cidade.

Foi pensando no resgate da cultura do homem do campo, que se enfraquecia diante de toda essa transformação, que o Sindicato Rural de São Carlos, juntamente com a Faesp- Senar AR/SP, iniciou uma escola de viola caipira. O projeto já atendeu cerca de 400 alunos, de forma gratuita. A iniciativa, inclusive além das aulas, já deu origem a uma orquestra "O aluno precisa somente da viola e da vontade em aprender", explica o dirigente Cláudio Di Salvo.

Diferenciais:
O curso abre inscrições três vezes por ano. Cada módulo tem duração de três meses. Após esse período, o aluno já é capaz tocar com facilidade. Caso tenha o interesse em se aprimorar, ele pode continuar nas aulas de ponteado e aderir à orquestra. Salvo conta que a ideia era valorizar a origem do produtor rural e, até mesmo, combater o preconceito contra a cultura caipira ? uma raiz marcante na formação das cidades do interior.

São Carlos é fruto da miscigenação entre o índio nativo que vivia ali, do negro trazido no período colonial, do português que colonizou a região, com o imigrante europeu que chegou a partir do final do sécio XIX. Essa mescla influenciou grande parte da cultura caipira. O crescimento populacional está acima da média brasileira e acaba tendo impacto nas tradições locais. Nos últimos 17 anos, a população cresceu 28,9%, pelos dados do IBGE, contra um crescimento de 22,2%, no restante do país, para o mesmo período.

Impacto Causado:
O projeto ganhou tamanha força que hoje conta com uma orquestra composta de 40 músicos que tocam viola, violão, baixo e percussão. O grupo já se apresentou em diversas cidades e a iniciativa recebeu aporte da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo para a produção de CD, com modas de viola.

Além do resgate à cultura, o projeto ajuda a fortalecer o respeito ao trabalhador do campo, que vê na viola caipira a expressão do seu povo. Um exemplo dessa transformação está nas mãos de Marcelo Teixeira. Um dos alunos do curso de noções básicas de viola, ele continuou nas aulas de ponteado e se tornou regente da orquestra. "Sou violeiro e regente graças ao curso de noções básicas de viola caipira do Senar AR/SP e agradeço em nome dos violeiros que se fizeram aprendizes pela oportunidade proporcionada e que hoje fazem parte desse projeto", relata o regente.

Di Salvo explica que a realização desses cursos acaba tendo um papel transformador na vida de homens e mulheres, de todas as idades. "Além do resgate da moda de viola e da dança catira, além do respeito à cultura, muitos desses alunos realizam o sonho dos seus pais ou avós ao aprenderem um instrumento típico do interior e isso reflete na melhoria do convívio interpessoal, com as famílias e com a comunidades rurais", conclui o idealizador do projeto.

As aulas ocorrem de terças e quintas, com o a presença do renomado cantor e violeiro Rodrigo Zanc, enquanto o ensaio da orquestra é realizado toda segunda-feira, com Marcelo Teixeira. O próximo grupo terá início em fevereiro de 2018.

Local:
São Carlos, região centro-leste do estado de São Paulo.

Sobre o sistema FAESP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo)
Com sede e foro na cidade de São Paulo, a FAESP ocupa atualmente 99% de seu edifício sede, na Rua Barão de Itapetininga, e conta com três centros técnicos, em São Roque, Mirante do Paranapanema e Ribeirão Preto. A FAESP mantém sua malha sindical em 86% do Estado, por intermédio de seus sindicatos rurais e respectivas extensões de base, presentes em 557 dos 645 municípios paulistas, atuando e contribuindo diretamente no desenvolvimento dos cursos e atividades do SENAR AR/SP. Além de amparar e defender os interesses gerais da categoria econômica, a FAESP tem como missão representá-la perante os poderes públicos federais, estaduais e municipais, colaborando com estes no estudo e solução de todos os assuntos que, direta ou indiretamente, possam fomentar-lhe a coesão, o fortalecimento, bem como a expansão da economia nacional.

Sobre o SENAR AR/SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - Administração Regional do Estado de São Paulo)
No Estado de São Paulo, o SENAR AR/SP foi criado em 21 de maio de 1993, no seio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, sob a administração do Presidente Fábio Meirelles, sendo administrado por um Conselho Administrativo, cujo presidente nato é o próprio Presidente da FAESP, e tem entre seus conselheiros o Presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo - FETAESP. Tem a missão de desenvolver ações de Formação Profissional Rural e atividades da Promoção Social voltadas ao homem do campo, contribuindo para sua profissionalização, integração na sociedade, melhoria da sua qualidade de vida e exercício da cidadania.

Mais detalhes no site: http://www.faespsenar.com.br/

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