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Estado de Minas

Instituições educacionais do DF já começam a se adaptar à Reforma do Ensino Médio


postado em 13/12/2017 12:15

O novo currículo do Ensino Médio, aprovado recentemente, só deve entrar em vigor em 2020, mas algumas instituições de ensino do Distrito Federal já começam a se adaptar à medida. As escolas, especialmente as particulares, já pensam em como ajustar a nova grade horária com alunos e professores, para diminuir o impacto da reforma. Universidades particulares, donas de redes de escolas de ensino médio, também se atentam para a mudança e refletem sobre os reflexos da mudança no ensino superior.

Uma das principais mudanças trazidas pela medida provisória (MP) é a ampliação da carga horária de aula anual. O documento prevê uma mudança de 800 horas anuais para um total de 1,4 mil horas anuais, progressivamente. Esse aumento impactará principalmente nas escolas da rede pública que ainda não possuem o ensino integral. Nos colégios particulares, a mudança deve ter um impacto menor, por já possuírem uma cultura de atividades no contraturno dos estudos dos alunos.

O Centro Educacional Sigma oferece aulas regulares no período da manhã e complementa o ensino à tarde com atividades opcionais, como plantões de dúvida e cursos preparatórios. O colégio já conta com 1,2 mil horas obrigatórias anuais. "Funcionamos com o contraturno optativo ao aluno, de acordo com a necessidade e o interesse dele. Desejamos que a nova proposta potencialize o aprendizado", esclarece a diretora pedagógica do Sigma, Juliana Diniz.

As Universidades também estão atentas à questão e reconhecem a necessidade de mudança da grade curricular para tornar o ensino mais atrativo aos alunos. O pró-reitor acadêmico da Universidade Católica de Brasília, Daniel Rey de Carvalho, reforça essa ideia e pontua a necessidade de analisar e selecionar os conteúdos mais importantes no aprendizado. "O conteúdo curricular, de fato, deve ser revisto. É preciso avaliar o que é realmente essencial a ser ensinado em cada etapa do processo", afirma.

Para modernizar o currículo do ensino superior, a instituição quer implantar o uso de tecnologias e metodologias reconhecidas internacionalmente. "Por meio de um novo projeto acadêmico inovador, queremos que o aprendizado esteja mais adequado aos interesses das novas gerações. O projeto já está em seu segundo ano de implantação, a introduzir as novas tecnologias dentro da sala de aula e incentivando os professores a serem mais criativos no seu método de ensino", explica Daniel.

Uma das principais polêmicas da implantação da MP é com relação a falta de preparo dos alunos para o vestibular. Artes, Sociologia, Filosofia e Educação Física não são mais disciplinas obrigatórias, apesar de caírem com frequência nas provas de ingresso no ensino superior. Especialistas afirmam que a não obrigatoriedade pode fazer com que os alunos não estudem as matérias e acabem indo despreparados para fazer os exames, sem condições de competir igualitariamente com todos os participantes.

Relembre a Medida
Aprovada esse ano pelo Senado e prevista para ser aplicada em 2020, a Medida Provisória (MP) que propõe a reforma do Ensino Médio brasileiro envolve pontos como a grade curricular e o formato das aulas. Entre as principais mudanças, está a flexibilização do currículo, que passará a ser composto por 60% de disciplinas obrigatórias e 40% de disciplinas optativas. No decorrer do curso, o aluno terá que escolher um eixo dentre as cinco áreas de conhecimento para se especializar: Linguagem e suas tecnologias; Matemática e suas tecnologias; Ciências da Natureza e suas tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas ou Curso Técnico. Com isso, a carga horária aumentará, gradativamente, de 800 horas anuais para 1,4 mil horas anuais.

As únicas disciplinas obrigatórias durante os três anos serão Língua Portuguesa e Matemática, sendo as outras personalizáveis de acordo com os desejos dos estudantes. As disciplinas que forem optativas serão ofertadas em forma de créditos, podendo ser aproveitadas na Universidade.
Além disso, algumas disciplinas deixam de ser obrigatórias na oferta das escolas: Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia. Por serem matérias fortemente cobradas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a prova também será reformulada e repensada para atender melhor à nova proposta.

Críticas
A reforma, apesar de aprovada, ainda levanta debates acerca da sua efetividade, principalmente por conta da falta de detalhamento do texto da MP. Críticos e especialistas ainda estão inseguros com alguns pontos não esclarecidos, como: se a medida trará mais gastos para o Ministério da Educação, como ficarão as mensalidades das escolas particulares, o que acontecerá se a escola não ofertar certas disciplinas que os estudantes escolham, entre outras discussões.

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