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Estado de Minas

Mudança na Lei de Telecomunicações trará concorrência acirrada a provedores, diz associação


postado em 01/12/2017 14:15

(foto: Dino)
(foto: Dino)
A mudança da Internet de regime privado para público, alterando a Lei Geral de Telecomunicações, conforme proposta aprovada pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, pode ser danoso para o setor. É o que define o Presidente da InternetSul - Associação dos Provedores de Internet do Sul do País, Luciano Franz.

Segundo o dirigente, a mudança no regime trará aos provedores um quadro de concorrência difícil de alcançar. "Isto porque, se em 2018 a Internet realmente passar para regime público, isso permitirá a venda de acesso à banda larga até no varejo, gerando para os provedores concorrentes que não pagam impostos para atuar nesta área", ressalta Franz.

A proposta de alteração da Lei Geral de Telecom deixaria também operadoras sujeitas a reversibilidade de bens, regime de concessão e controle tarifário. O projeto está em trâmite e será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Franz divulgou seu parecer durante o evento Expedição InternetSul, realizado em Porto Alegre-RS. A ocasião também contou com a presença de diversos provedores e fornecedores da área.

Uma das empresas que demonstrou soluções para o mercado de ISPs no evento foi a Cambium Networks, que trouxe tecnologia de 2,5 Ghz para grandes enlaces (abrangência de 2 metros a 245 kilômetros).

A solução permite fornecer WiFi para locais remotos. Um dos projetos atendidos pela companhia, por exemplo, é um acampamento de alpinistas na base do Monte Everest. Dadas as condições extremas, foi preciso equipar o rádio com um chip de aquecimento, evitando congelamento, mas o sinal para o corajoso público local foi garantido.

"Nossa oferta tira o ISP da visão de um mero entregador de acessos, como o faz o LTE, e o eleva a um fornecedor de serviços diferenciados, que garante a entrega de banda com qualidade para o usuário", comentou Iuri Britto, Gerente de Vendas Regional da Cambium Networks.

Já Carlos Yoshino, Gerente Comercial de Sistemas Ópticos da Furukawa Electric, explorou o poder da fibra óptica. Segundo demonstrou, a demanda de banda dos usuários brasileiros tem crescido muito, e a necessidade de conexões de qualidade torna-se cada vez maior.

No último ano, os acessos por fibra tiveram aumento de 79,49%, porém a base de assinantes ainda é pequena: cerca de 2,3 milhões, enquanto o XDSL tem mais de 13 milhões de clientes no país.

"A fibra cresce mais que o XDSL e mais que o Cable Modem, mas tem menos assinantes que os dois", comentou Yoshino. "Mas a tendência é que, em função da obsolescência e do fim da capacidade do Cable e XDSL, a migração massiva para a fibra seja inevitável", concluiu.

Ainda segundo ele, o crescimento da fibra está pautado na qualidade, o que é incrementado pelo serviço dos ISPs. "Junto à Anatel, a maior parte das reclamações de Internet se refere a qualidade e funcionamento do serviço. Os provedores têm muita importância nisso, pois conseguem prestar um serviço mais próximo e melhor", destacou.
Outra empresa a palestrar foi a MK Solutions, que apresentou inovações de seu sistema de gestão para provedores.

Na apresentação, a empresa destacou que poucos provedores têm maturidade na gestão de itens como, por exemplo, o estoque ou processos específicos de seu setor de atuação, e que é necessária uma solução desenhada para atendê-los de forma direcionada para alcançar bons resultados.
"Sistemas tradicionais entregam o que o provedor precisa, em termos de funções? Até sim, mas não abraçam os seus processos. Já o nosso ERP traz, por exemplo, recurso que permite ler inviabilidades geográficas e desenvolver planos de atendimento a partir disso (Mapa Termal)", ressaltou a empresa.

Pela Wispot, palestrou Valdemar Lobo, que apresentou novidades sobre o sistema da companhia, como o MyGuest ? modelo que dá a terceiros a opção de atraírem novos públicos oferecendo WiFi grátis por dez minutos e, após, cobrando pelo acesso via faturamento online e instantâneo em cartão de crédito.

Outro destaque da programação foi a Syntesis, que mostrou um crescimento de 98% em faturamento e de 120% na equipe em 2017. "Fomos o primeiro ERP a trazer para os ISPs o conceito de CRM, há 4 anos. Evoluímos, chegamos a algo muito mais user friendly, e agora trazemos um conceito novo: de venda consultiva, venda assistida, com novos recursos para gestão de clientes, prospects e suspects", ressaltou o Diretor Executivo da empresa, Gilnei Engelmann.

A Datacom também palestrou, demonstrando soluções robustas e de valor agregado, comprovadas em grandes clientes do Brasil e exterior, em tecnologias Metro Ethernet, MSAN, SDH NG, PDH e xDSL que suportam a oferta de serviços de empresas diversas, oferecendo circuitos e redes convergentes.

O evento também contou com painéis dos provedores e de fornecedores, tratando de assuntos vitais para o setor de Internet, como as condições de mercado para o segmento, a demanda de crescimento da malha de fibra ótica brasileira, deficiências e desafios da área, aspectos econômicos e políticos, entre outros.

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