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Estado de Minas

A Face Fala: saiba interpretar as expressões faciais

A primeira forma de comunicação ocorreu através de um código de expressões faciais quando ainda não havia a fala humana


postado em 28/11/2017 12:00

(foto: Dino)
(foto: Dino)
Imagine um mundo onde não exista linguagem verbal e todas as pessoas são mudas, não há um único som, nem mesmo um gemido ou grito que faça algum sentido. Não há nenhuma verbalização, que leve alguma informação relevante. Como seria possível uma interação social entre os indivíduos dessa espécie? Isso já ocorreu!

Pode ter sido assim, exatamente assim, por um bom tempo entre os nossos antepassados. Antes da fala tentamos muitos recursos que foram usados por centenas de anos, quem sabe milhares, como gestos e expressões faciais. A comunicação por signos sonoros surge muito depois e, para que houvesse a comunicação primeira, o corpo se moldou dando especificidade a face: o único lugar do corpo humano onde os músculos estão ligando pele a osso.

Podemos, então, inferir que a primeira forma de comunicação ocorreu através de um código de expressões faciais e, talvez seja por isso, que podemos expressar emoções e sentimentos que não temos ciência em nível consciente.

Somos capazes de fazer algo ainda mais incrível: sinalizar como somos emocionalmente pelas marcas que deixamos no rosto. Lembre-se que são os músculos que expressam as emoções! Quando exercitamos um músculo do braço, por exemplo, depois de algum tempo ele toma uma forma que pode ser vista por qualquer um, pois há uma modificação no delineamento do corpo. No rosto é a mesma coisa: a expressão das emoções movimenta determinados músculos, com a repetição, ao longo dos anos, o rosto acaba apresentando marcas percebíveis como rugas ou volumes de contorno. Quem não vivencia emoção alguma, o que é impossível ao longo de uma vida, também mostra isso na face, ao apresentar flacidez, pela idade, em ondulações percebíveis.

O homem sabia se comunicar só com o rosto, mas para onde foi essa informação, o que ocorreu com ela? Como perdemos essa capacidade? Culpa da fala! O ato de se comunicar verbalmente fez com que abandonássemos quase totalmente a linguagem das expressões faciais. Um idioma universal, pois as emoções básicas se apresentam, do mesmo jeito, em todos os humanos.

Desde que Darwin, em 1872, publicou seu livro: "A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais" com uma série de estudos sobre este vasto universo das emoções humanas e como elas se manifestam no corpo, muita coisa evoluiu. Durante mais de quarenta anos, o livro de Darwin foi o único registro escrito sobre esse tema no mundo ocidental, depois com o surgimento da psicologia experimental, o assunto é retomado. Este livro não teve forte repercussão, e não tem até hoje, provavelmente em função da comparação que fez, da similaridade das expressões de inúmeras espécies animais com às do homem. Outro ponto que é abordado no livro é uma incrível coincidência entre diferentes culturas na forma de expressar as emoções básicas através do rosto. Numa pesquisa, por cartas, Darwin começa a perceber esta possível condição inata de comunicação facial.

São seis as emoções básicas ? raiva, tristeza, alegria, nojo, medo e espanto ? manifestas do mesmo jeito em todo o planeta. O reconhecimento destas emoções deve ser igualmente uma condição inata, pois, como já sabemos, é a primeira forma de comunicação do homem.

O rosto tem esta especialidade: uma possibilidade evolucionária que garantiu, antes da verbalização, uma forma de entendimento entre os indivíduos da mesma espécie. Desta forma, tal qual a estrutura funcional, a condição de leitura também deveria ser natural. Mas aí reside uma surpresa, ela está em nós, porém, adormecida. Ler a face do outro, perceber o que ele sente mesmo antes que a emoção surja no nível consciente, é uma função normal de todos os seres humanos. Tanto é que bastam algumas horas de treinamento para qualquer um "lembrar" deste idioma perdido.

Algo que conhecemos como "memória celular" ou "genética" não perde nada que foi útil para nossa sobrevivência durante a evolução, seja ela humana ou não. Acordar essa possibilidade é abrir uma nova janela de comunicação com o outro e melhorar nossos relacionamentos sociais.

Desta forma, podemos apurar a nossa percepção e, nos tornamos capazes de prever uma reação emocional antes que ela se instale no outro. As expressões podem ter maior ou menor grau de transparência dependendo da cultura social e, se antecipar nas decisões, pode fazer toda a diferença do sucesso ou fracasso em uma comunicação. O interessante dessa abordagem é que já existe, em nós, o mecanismo completo para isso.

Isso pode ser útil: para se relacionar melhor; atender um cliente; entender nossos filhos; prever comportamentos hostis; evitar abordagens desastrosas; ser mais feliz, mesmo com algumas perdas emocionais: quem "lê" um rosto, enxerga a alma!

Um professor, em sala de aula, pode facilmente perceber um aluno de cabeça abaixada e entender que precisa se esforçar mais para atrair a atenção desse jovem. Ele, também, pode olhar, de frente para o professor, e esboçar o mesmo desinteresse na face. Num diálogo, estes sinais podem estar expressos nas microexpressões que são inconscientes e rápidos ou lentos, quando se tornam instalados. Olhar no ponto certo do rosto e prestar mais atenção nos movimentos de determinados músculos faz toda diferença. Se for rápido e predominantemente no lado esquerdo (em destros) trata-se de um movimento emocional expresso, mas ainda não instalado, ou seja, a emoção ainda não está plenamente consciente. O contrário, se for mais demorado e do lado direito da face, nos diz que a pessoa está bem consciente da emoção e já pode ter, inclusive, um pensamento crítico a esse respeito.

Essa análise deve presumir que você já sabe quem é destro ou quem é canhoto. Coisa, inclusive, fácil de perceber. Basta olhar qual o lado da boca se movimenta mais durante a fala. Os destros movimentam com mais energia o lado direito da boca, já os canhotos têm o movimento mais firme no canto esquerdo da boca, pois o controle da condução da fala está alojado do lado direito do cérebro. Fácil não?

Em todos os ambientes este conhecimento pode ser útil. Onde o contato pessoal e visual é possível, usar o código facial pode ajudar nas relações interpessoais. O contrário não é verdadeiro: conhecer o código não significa poder controlar seu próprio rosto. Isto é impossível, pois os movimentos inconscientes, ideomotores, estão além do nosso querer.

Website: http://manualdoexito.com.br/wordpress/pnl_e_analise_rio_de_janeiro/

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