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Estado de Minas

Crotalária e a responsabilidade no controle de Aedes aegypti

Não há garantia nenhuma da quantidade e espécie de libélulas que essas plantas podem atrair, tão pouco da taxa de predação de mosquitos Aedes aegypti


postado em 22/11/2017 18:45

(foto: Dino)
(foto: Dino)
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a dengue é um dos principais problemas de saúde pública mundial, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, também vetor do Zika Vírus e da Febre Chikungunya.

Recentemente, muitas comunidades no Brasil têm adotado o uso da planta Crotalária sp. para promover a atração de libélulas que são predadoras de Aedes aegypti, neste caso, na fase adulta. Em algumas reportagens disponíveis na internet apresentam a planta como uma grande solução para o controle desse mosquito.

Entretanto, é importante sempre consultar profissionais entomólogos antes de aplicar medidas de controle alternativas para avaliar a eficácia dessas ações de forma efetiva. Isso evita que as pessoas e instituições despendam recursos financeiros para uma única ação, com grandes expectativas de sucesso, porém sem a eficácia verdadeiramente sendo atingida. Muitas vezes, até abandonando o uso das demais formas de controle seguramente recomendadas e apostando numa só.

O uso da Crotalária pode sim representar uma alternativa, pois de algum modo pode atrair espécies de libélulas para o ambiente. Entretanto, não há garantia nenhuma da quantidade e espécie de libélulas que essas plantas podem atrair, tão pouco da taxa de predação de mosquitos que cada espécie de libélula possa predar. Portanto, deve ser necessário realizar uma avaliação criteriosa, com cunho científico, para verificar a eficácia desta alternativa no controle desse mosquito.

Sabe-se que a maioria das espécies de libélulas tem preferência por habitats nas imediações de corpos de água estagnada (poças ou lagos temporários), zonas pantanosas ou perto de ribeiros e riachos onde encontram recursos para alimentação e reprodução. As ninfas de libélula são aquáticas, carnívoras e extremamente agressivas, podendo alimentar-se não só de insetos, mas também de girinos e peixes juvenis.

Os mosquitos Aedes aegypti, por outro lado, estão em sua grande maioria (80%) dentro dos domicílios, sendo muito difícil o encontro com as libélulas adultas. Considerando essas características de ambos os insetos, pode-se inferir que o efeito da Crotalária sp. é muito baixo, pois a entrada de libélulas no interior de residências para se alimentar dos mosquitos é praticamente nulo.

Dessa forma, o controle do Aedes aegypti deve ser conduzido de forma responsável e obedecendo as preconizações técnicas com o acompanhamento por um profissional entomólogo, o qual fará todas as orientações necessárias e adequadas que garantam a eficácia e possam assegurar a saúde ambiental e das pessoas.

O controle do Aedes aegypti envolve as seguintes formas:

Controle Químico:
Consiste na aplicação de inseticidas químicos, tanto para as formas imaturas (larvas e pupas), quanto para os adultos. Esses inseticidas atuam no sistema nervoso causando paralisia e depois a morte.

Controle Mecânico ou ordenamento ambiental:
Consiste na eliminação de criadouros inservíveis (recipientes que possam acumular água) ou cobertura e acondicionamento adequado de recipientes servíveis (caixas d"água, tanques, cisternas, potes etc.). Neste contexto, está envolvido o cuidado e a limpeza dos quintais e das casas, das calhas, pátios, armazéns entre outros, com constante vigilância para evitar criar ambientes com água parada onde o vetor possa se reproduzir e desenvolver.

Controle genético:
É realizado através da soltura de machos (que não picam) que foram manipulados geneticamente em laboratório para transmitirem genes letais às fêmeas selvagens em campo, fazendo com que não produzam novas gerações. Maiores detalhes podem ser conferidos em: http://br.oxitec.com/faq/

Controle biológico:
Envolve o uso de bactérias como a Bacillus thuringiensis que causam paralisia no intestino das larvas de Aedes aegypti e ocasionam a morte destas, muitas vezes por inanição. Maiores detalhes sobre o uso de bactérias no controle desse mosquito podem ser acessados em: https://publichealth.valentbiosciences.com/products/vectobac

O outro tipo de controle biológico é o uso de inimigos naturais que naturalmente predam diversos estágios de vida do Aedes aegypti. Por exemplo, peixes larvófagos, percevejos aquáticos predadores, larvas de Toxorhynchites sp. (mosquitos não hematófagos), ninfas de libélulas nos criadouros, as libélulas adultas e aranhas que predam os mosquitos na fase adulta entre outros.



Autor: Fábio Medeiros da Costa

Website: https://www.pragaseeventos.com.br/

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