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Estado de Minas

Especialista explica como evitar problemas com pinturas de parede

O preparo da superfície, a aplicação e a escolha correta da tinta tem grande influência na durabilidade, higiene, qualidade, produtividade e no custo da obra


postado em 15/09/2017 14:15

(foto: Dino)
(foto: Dino)
É muito comum observar danificações nas pinturas de muros, paredes e fachadas, mesmo que o trabalho seja recente. A arquiteta e urbanista Geovana Lisboa, associada ao Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape-MG), dá dicas de como identificar cada problema e suas possíveis causas. "Em nosso trabalho pericial diário, deparamos com diversas patologias em pinturas que poderiam ser facilmente evitadas. O preparo da superfície, a aplicação e a escolha correta da tinta tem grande influência na durabilidade, higiene, qualidade, produtividade e no custo da obra ou reforma. Se mal dimensionada ou executada e se não houver manutenção periódica, a situação será ainda mais preocupante e onerosa", relata.

Entre os problemas comuns causados pelo revestimento inadequado estão o escorrimento, as trincas, as bolhas, o mofo, o descascamento, o enrugamento e descoloração. "Ao contrário do que muitos pensam, a pintura atua mais na proteção que na estética. A tinta promove um revestimento em forma de malha quadriculada que protege a superfície da umidade, dos ataques de fungos, de agentes agressivos e poluentes como o CO² (gás carbônico) e SO² (dióxido de enxofre) e de ataques como os de salinidade, cloretos e sulfatos, que degradam estruturas de concreto, aço ou madeira", afirma.

Alguns problemas podem ser evitados através de algumas dicas. "Para uma pintura eficiente e de qualidade, após o preparo e escolha adequada da tinta, a aplicação deve ser realizada em uma superfície efetivamente seca. Na dúvida, é necessário realizar teste de umidade, fixando um pedaço de plástico com fita adesiva no piso ou parede do local a ser pintado, aguardando 24 horas. Se houver transpiração ou condensação, o local não estará apto a receber a pintura. A umidade muito baixa também é um fator importante que pode comprometer a qualidade do revestimento", ressalta.

Além disso, é preciso ficar atento com os tipos de tinta existentes no mercado e saber qual deve ser usada em cada superfície deseja. "Hoje no mercado é possível encontrar uma variada gama tintas, específicas para cada tipo de aplicação. Assim como tintas à base de poliuretano com algicida e fungicida ideais para pintura de locais que recebam umidade como em banheiros", exemplifica. "É importante também seguir corretamente as instruções de cada fabricante para a correta diluição e manejo do material", orienta.

A especialista reforça também a importância da realização de vistorias periódicas para checar o estado dos revestimentos para garantir a durabilidade e segurança no local. "O ideal é examinar as superfícies a cada dois anos, mas tudo depende do tipo de tinta aplicada e do ambiente em ela está exposta", recomenda.

Principais problemas encontrados

Bolhas/empolamento: promovidas por infiltração, repintura sobre tinta muito antiga ou de qualidade inferior, devido ao uso de massa corrida à base de PVA (Poliacetato de Vinila) em superfícies externas e tinta catalisada errada ou muito diluída, umidade relativa do ar elevada ou por processo corrosivo acelerado.

Calcinação: devido à alcalinidade natural da cal e do cimento, mais relacionado ao intemperismo, como as águas da chuva.

Cratera: é a contaminação da superfície por graxas, óleos ou diluição da tinta com solventes não recomendados.

Desagregamento: quando não se respeita o tempo de cura do reboco (entre 25 e 28 dias) ou na presença de umidade.

Descascamento: quando há deficiência de aderência à base, devido à presença de cal, de superfície pulverulenta ou umidade relativa do ar elevada.

Descoloração: perda do brilho e da cor devido à degradação fotoquímica, ocasionada principalmente pela radiação solar na superfície.

Eflorescência: causada por infiltração ou sobre reboco úmido.

Enrugamento: por deficiência no tempo de secagem entre demãos, solventes muito voláteis ou quantidade excessiva de tinta em uma demão.

Escorrimento: ocorre em superfícies verticais ou inclinadas, devido ao excesso de tinta, diluição excessiva, pistola muito próxima, superfície muito lisa ou especificação inadequada da tinta.

Manchamento: promovido pela presença de umidade.

Mofo: são manchas escuras causadas por fungos e com forte odor, que normalmente aparecem em ambiente com grande variação de temperatura, úmido e com pouca luminosidade.

Saponificação: é a lixiviação dos materiais alcalinos, encontrados no cimento Portland ou cal, em contato com a umidade.

Trincas: decorrem da movimentação natural das estruturas.


Website: http://www.ibapemg.com.br/

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