Publicidade

Estado de Minas

Nova explosão no Sol é registrada e pode provocar o aquecimento da alta atmosfera


postado em 08/09/2017 10:15

O Centro de Radioastronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM) da Universidade Presbiteriana Mackenzie registrou entre os dias 4 e 6 de setembro um período de atividade importante do sol. Se trata do crescimento rápido do tamanho e da complexidade magnética de uma das regiões ativas presentes na superfície solar. De acordo com o cientista Jean Pierre Raulin, uma região do sol decuplicou o seu tamanho nas últimas 48 horas, o que causou uma série de surtos solares.

O primeiro surto ocorreu na terça-feira, 4/09, quando uma grande quantidade de massa solar foi ejetada. A massa irá viajar pelo meio interplanetário até atingir a Terra entre os dias 6 a 8 de setembro, quando poderá acontecer os efeitos na nossa atmosfera terrestre.

Essa atividade afetará nosso cotidiano? "Depende da estrutura e da configuração magnética da nuvem ejetada. No pior dos casos, poderá haver uma tempestade geomagnética com potencial para afetar redes de distribuição de energia elétrica localizadas em altas latitudes. No Brasil, por exemplo, o risco é um pouco menor, podendo trazer apagões e perturbações nas telecomunicações", conta o cientista da CRAAM Jean Pierre Raulin.

Um outro evento 50 vezes maior, oriundo da mesma região ativa solar, ocorreu hoje, 6/09, às 12h02 (Tempo Universal). Nesse caso, o efeito da radiação que chega a Terra em 8 minutos é quase imediato. Efeitos adicionais, retardados entre 1 e algumas horas, podem acontecer devido a prótons energéticos acelerados no Sol e viajando na direção ao nosso Planeta. Possíveis efeitos incluem o aquecimento da alta atmosfera, o que dificulta o controle da trajetória de satélites, e falhas ou blecautes nas comunicações na banda HF.

Os eventos foram registrados pelos instrumentos do Observatório Solar Mackenzie na sede do CRAAM, e pelo Telescópio Solar para ondas Submilimétricas (SST) operando na Argentina e controlado em tempo real desde a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Além do SST, os instrumentos responsáveis pela detecção são o telescópio solar H-alpha, que registrou um clarão intenso e brilhante na região 12673, e a câmera infravermelha em 30 THz.

Jean Pierre Raulin é doutor em Física, professor e pesquisador de radioastronomia e explosões solares da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), da Royal Astronomical Society (RAS) e da International Astronomical Union (IAU).

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade