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Estado de Minas

Comédia de Luis Alberto de Abreu está em cartaz no Teatro Paulo Eiró

A história de uma revolução que ?quase acontece? por engano!


postado em 04/09/2017 15:15

(foto: Dino)
(foto: Dino)
Uma comédia popular que satiriza o poder em nossa sociedade, essa é uma boa descrição do que BURUNDANGA apresenta ao público. Nessa história de uma revolução que "quase acontece" por engano, dois pilantras (João Teité e Matias Cão) vão parar numa cidade distante e isolada e são recebidos na mansão de uma poderosa família. Confundidos com líderes revolucionários, eles se aproveitam das situações e criam as mais divertidas confusões com medo de serem descobertos. ?

Escrita pelo premiado dramaturgo Luís Alberto de Abreu e comandada por Paulo Olyva (em sua primeira direção), a encenação da Tal Cia de Teatro apresenta uma roupagem contemporânea, salientando as nuances e toda a comicidade do texto. Profundo conhecedor da sociedade brasileira, Abreu conseguiu trazer importantes discussões com simplicidade e maestria, com um humor crítico e inteligente.

Interessados na pesquisa de técnicas de atuação com referências pessoais e na cultura popular, o elenco construiu seus personagens com partituras corporais precisas, ágeis e que potencializam as ideias dramatúrgicas e reverberam sensações e nuances a cada gesto e palavras. Tudo para tornar a experiência cênica mais plausível, enriquecedora e divertida para o público, que poderá rir e refletir sobre as questões apresentadas.

A Dramaturgia

Resultado do Prêmio Estímulo de Dramaturgia da Secretaria de Estado da Cultura em 1994, BURUNDANGA foi a fundo numa análise cômica e crítica sobre os jogos de poder na sociedade brasileira. Conhecedor profundo e grande mestre da dramaturgia, Luis Alberto de Abreu soube explorar cada arquétipo da cultura popular para a construção desse texto, tornando sua eloquência reveladora de nossa cultura.

Para o dicionário Houaiss, a palavra "Burundanga" é sinônimo de confusão: estado ou efeito do que é ou se encontra confundido, misturado. O poder pode corromper é o tema de BURUNDANGA, misturando à farsa elementos da comédia de costumes.

As situações de Burundanga remetem os vícios que permeiam a conduta de parte da classe política e de figuras públicas do país: adesismo, oportunismo, autoritarismo e corrupção. Um exemplo é o rápido entusiasmo com que o establishment político da fábula (o Deputado, a Prefeita, o Coronel, o General) adere à falsa "revolução". A tradição reacionária e violenta do poder constituído no Brasil também está presente na história e é personificada pela figura do Coronel Marruá (latifundiário e moribundo que ressuscita toda vez que ouve a palavra "Revolução"). Como em toda comédia, as situações criadas pelo dramaturgo ao mesmo tempo que ironizam, criticam esses costumes, tal qual a fábula de "O Inspetor Geral," de Gogol e "O Juiz de Paz na Roça," de Martins Pena.

A primeira montagem foi feita no ano de 1996 pela Fraternal Companhia de Artes e Malas Artes, de São Paulo, conquistando repercussão e sucesso entre o público e a crítica.

A Encenação

Para organizar cenicamente essa dramaturgia rica e bem estruturada, a direção optou por ressaltar a comicidade através do trabalho dos atores e uma estética com roupagem contemporânea, com referências a cultura Pop e ao universo animado dos quadrinhos.

Para a construção dos personagens, os atores criaram partituras corporais minuciosas, usando diversas referências pessoais que proporcionam frescor e comicidade ao jogo cênico. Esse trabalho é o primeiro resultado de uma pesquisa iniciada pelos integrantes da Tal Cia de Teatro em 2014, na qual as "mimeses corpóreas" são exploradas com profundidade até se tornarem orgânicas, pertinentes e artisticamente relevantes.

A construção estética da peça inspirou-se no momento em que João Teité (o esfomeado da história), se torna o líder civil da "revolução". Através da perspectiva de Teité e influenciado também pelas recentes manifestações políticas (que utilizaram acessórios de cozinha como forma de protesto), optamos por trazer a referência desses utensílios de cozinha para a cenografia e também para a encenação. No caso da cenografia, as imagens desses utensílios sobrepostas formam desenhos inusitados que estampam enormes totens, trazendo a atmosfera da revolução para dentro da residência do Coronel Marruá (local da maioria dos acontecimentos). Na cena da audiência em que Teité recebe o povo, este é representado por bonecos formados também por utensílios de cozinha como escorredor de macarrão, espátulas, panelas e abridor de vinhos, numa alusão ao teatro de objetos e formas animadas, ampliando assim ainda mais a visão de Teité sobre as pessoas e as coisas.

Ficha Técnica
Burundanga
A Tal Companhia de Teatro

Autor: Luis Alberto de Abreu
Direção: Paulo Olyva
Elenco: Elaine Alves, Filipe Robbe, Leandro Ivo, Lilia Nemes, Márcio Macedo, Nathalia Kwast e Welder de Lavor
Produção: Fulano"s Produções Artísticas
Cenografia: Sérgio Mancini
Iluminação: Rodrigo Palmieri
Trilha Sonora: Paulo Olyva
Figurinos e Maquiagem: Nathalia Kwast
Colaboração: Guto Mendonça


Serviço
Temporada de 01 a 24 de Setembro de 2017
Sextas e Sábados às 21h, e Domingos às 19h
Local: Teatro Municipal de Santo Amaro Paulo Eiró
Av. Adolfo Pinheiro, 765 - Alto da Boa Vista ? Santo Amaro
Telefones: (11) 5686-8440 / 5546-0449
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (Estudantes, idosos, professores, classe artística e moradores do bairro)
Classificação: 14 anos.


Contatos com a Produção
FULANO'S PRODUÇÕES ARTÍSTICAS
Fones: +55 (11) 4108-7769
+55 (11) 98260-1429 - Rodrigo Palmieri
+55 (11) 96660-1552 - Leandro Ivo
E-Mail: contato@fulanos.com.br


Website: https://www.facebook.com/atalcia/

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