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Estado de Minas

Compliance deve ser um programa para todos

Garantir um ambiente eticamente saudável, independentemente do porte da empresa, é o cerne da sustentabilidade empresarial e isso fica mais nítido a cada dia


postado em 04/09/2017 09:45

(foto: Dino)
(foto: Dino)
Compliance tem sido um termo muito em evidência por conta dos constantes acontecimentos relacionados à operação Lava Jato. Não se passa um dia sem que o tema seja abordado nos noticiários das maneiras mais escabrosas. Essa exposição intensa do Compliance ? ou melhor, da ausência ou ineficácia deste ? relacionada à anticorrupção leva, muitas vezes, a um grande equívoco: à conclusão de que ele se resume a este tema. Mas na verdade o Compliance não se resume apenas a ações anticorrupção, é muito mais, é cultura, é conduta, é para todas as empresas e para todas as suas áreas.

No universo corporativo, "estar em compliance" significa estar em conformidade com regras, legislações, regulamentos, políticas e valores, daí vemos que a questão é muito mais profunda. A importância desta compreensão reside no fato de que "manter-se em compliance" não deve ser uma preocupação apenas das grandes corporações ou empresas expostas a relacionamentos com entes públicos. Garantir um ambiente eticamente saudável, independentemente do porte da empresa, é o cerne da sustentabilidade empresarial e isso fica mais nítido a cada dia.

Quando vemos que empresas com eficazes programas de Compliance relacionam-se apenas com quem se preocupa em agir nesta mesma direção, estar comprometido com um programa de integridade hoje em dia não é mais um diferencial, é um pré-requisito. Todo empresário já deve ter notado que a quantidade de Códigos de Conduta para Terceiros apresentados como condição para a celebração de negócios tem crescido exponencialmente e não assentir com eles é o caminho mais rápido para o isolamento comercial.

Essa nova realidade muitas vezes gera insegurança, uma vez que a necessária adequação aos fundamentos do Compliance pode parecer complexa, cara e morosa. Contudo, ela não precisa ser. Naturalmente, cada empresa exige um formato de programa compatível com a sua estrutura e os preceitos básicos são bastante simples, podendo ser implementados por qualquer entidade. Inclusive o principal e fundamental destes preceitos - a ética - pode ser um valor facilmente multiplicado no ambiente da organização a partir do momento em que seus colaboradores entendam a sua importância, sintam-se parte da nova realidade e acreditem na ideia.

Um bom início para isso é trabalhar a cultura da honestidade nos colaboradores e stakeholders de maneira elementar. Considerando que no Brasil a "malandragem" ainda é bastante valorizada, mostrar quais são as consequências de uma ação inadequada e a razão pela qual uma determinada conduta é reprovável, na maior parte das vezes, educa os envolvidos, fazendo com que estes incorporem os preceitos da ética de maneira autêntica e passem a propagá-los espontaneamente. Um bom exemplo disso pode ser observado nos canais de denúncia implementados pelas empresas em consonância com o programa de integridade: as pessoas compram a ideia do programa e passam a reprovar aqueles que não o fazem, realizando uma "auditoria" informal com relação às condutas daqueles com quem convivem mais proximamente.

Também é muito importante notar a influência da adesão e do comprometimento da alta direção e dos gestores de todas as áreas aos princípios éticos. O exemplo e o engajamento aqui são primordiais e os gestores precisam dar o tom através dos próprios atos e por meio da aprovação ou reprovação das condutas de seus subordinados.

Trata-se de implementar muito mais do que um programa. É uma filosofia. É assumir um compromisso com a sociedade. O resultado desse esforço conjunto costuma ser muito positivo para todos. Afinal, quem não quer ter orgulho da reputação da empresa em que trabalha?

Para debater de maneira holística sobre como as empresas devem alinhar sua função de Compliance aos seus objetivos estratégicos, a Câmara Americana do Comércio (Amcham BH) realiza o 2º Seminário de Compliance no dia 05 de setembro, das 13h30 às 18h, na capital mineira. Renomados especialistas vão debater formas de como aplicar essa filosofia, envolvendo todos os setores.

Artigo de Paula Miranda Dal Monte Públio, gerente Jurídica e Compliance da Câmara Americana do Comércio (Amcham Brasil).


Website: https://www.amcham.com.br/calendario/event?eventid=174

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