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Estado de Minas

Qual o sexo do bebê? As diversas técnicas usadas pela humanidade ao longo da história

Através da análise do DNA fetal circulante no sangue materno, é possível determinar o sexo do bebê com uma simples coleta de sangue


postado em 18/08/2017 17:00

(foto: Dino)
(foto: Dino)
No instante em que se tem a confirmação da gravidez, é muito comum que instantaneamente venha a pergunta "qual o sexo do bebê?". Atualmente é bem simples ter essa resposta já nas primeiras semanas de gestação, mas nem sempre foi assim. No passado, guiadas por sacerdotes, escribas, cirurgiões-barbeiros e pelas experiências prévias de outras mulheres, as futuras mamães faziam uso de técnicas que hoje em dia parecem loucura. Algumas, no entanto, foram posteriormente ratificadas pela ciência, o que mostra que nossa concepção sobre as sociedades antigas pode, em alguns casos, subestimar a capacidade de observação de mundo que estas pessoas tinham dentro do contexto de seu tempo.

Muito além de uma curiosidade pueril, saber o sexo do bebê é mandatório para a escolha do nome da criança, além de ajudar na criação de laços ainda mais fortes durante a gravidez devido ao fortalecimento de sua identidade. Vamos agora ver como as mães do passado tentavam prever o sexo de seus filhos.

Antiguidade: trigo ou cevada?

No século XIX, o pesquisador Giuseppe Passalacqua descobriu em Saqqara, no Egito, um papiro que ficou conhecido como o Papiro Brugsch, que descreve o que seria o primeiro teste de gravidez de que se tem notícia na História da Humanidade. Investigações indicam que ele foi elaborado entre 1350 e 1200 AC. O documento descreve, além de métodos contraceptivos da época, um teste não só para confirmar a gravidez mas também predizer o sexo do bebê. O teste consistia em fazer a gestante urinar em sementes de trigo e cevada que seriam posteriormente plantadas no solo: caso a cevada crescesse, o bebê era do sexo masculino; caso crescesse o trigo, tratar-se-ia de uma menina. Caso nada crescesse, não havia gravidez. Estudos posteriores indicaram que, de fato, o tratamento das sementes com urina pode causar efeitos diferentes no crescimento destes vegetais, caso a mulher esteja (ou não) grávida, mostrando que "quando a semente germina, a urina provavelmente é de uma mulher grávida, mas o inverso nem sempre é verdade". Não há, no entanto, qualquer evidência de influência do sexo do bebê no comportamento das sementes tratadas com urina da mãe.

A importância da urina

A Idade Média é um período da História marcado por baixa instrução e forte misticismo. Data desta época a utilização da "Roda da Urina", uma espécie de diagrama que relacionava cor, textura, cheiro e até mesmo o sabor da urina a diversas enfermidades e condições clínicas comuns da época. Neste contexto, surge também a figura do "Profeta da Urina": alguém supostamente capaz de adivinhar toda a sorte de coisas sobre alguém - inclusive o sexo de seu bebê - ao analisar suas excretas.

No entanto, não podemos resumir todo um recorte histórico-geográfico à penumbra do obscurantismo e da ignorância, pois, adivinhações à parte, a urina de um paciente ainda é um recurso poderoso na ciência diagnóstica atual. Vale dizer, inclusive, que um dos testes de gravidez de que se tem conhecimento da Idade Média consistia em misturar a urina da suposta grávida a um cálice de vinho e observar eventuais mudanças de coloração e consistência da mistura. Tal prática tem certo fundamento científico, uma vez que o álcool do vinho é capaz de reagir com proteínas eliminadas na urina das grávidas, como o beta-HCG (hormônio usado hoje no diagnóstico definitivo da gravidez).

Ultrassonografia e DNA livre fetal

O uso da ultrassonografia para fins obstétricos foi proposto pela primeira vez nos anos 50 em um artigo escrito pelo médico escocês Ian Donald. Foi a primeira vez na história da humanidade em que foi possível ter certeza sobre o sexo do bebê antes do nascimento: não só isso, a ultrassonografia obstétrica possibilitou um pré-natal muito mais seguro tanto para bebês quanto para gestantes, pois através dela também tornou-se possível antecipar malformações fetais e a posição do bebê, ferramenta indispensável no planejamento do parto. A recomendação atual da OMS é de "pelo menos um ultrassom a cada trimestre gestacional".

Apesar de ser um grande avanço em relação ao que se tinha antes, o ultrassom ainda é vulnerável a erros de natureza humana, como lembra o obstetra da USP e do Hospital Albert Einstein Igor Padovesi. A chance de erro, explica ele, varia de acordo com a fase da gestação: a sexagem pela ultrassonografia morfológica do primeiro trimestre (realizada com 12 a 13 semanas de gestação) pode apresentar taxa de acerto de até 70 - 80%, enquanto que no segundo trimestre (a partir da 16ª semana) a chance de erros cai para menos de 1%. Além disso há também outras variáveis, como a posição do bebê e da placenta, e principalmente a experiência do ultrassonografista. No Brasil, Padovesi comenta também que muitos lugares não oferecem condições necessárias para a assertividade do exame: existem lugares em que o operador de ultrassom tem uma agenda sobrecarregada e realiza um "ultrassom expresso", enquanto um ultrassom morfológico nos melhores centros de medicina fetal demora quase uma hora. Isso gera uma discrepância que, na prática, é o principal fator de variância na qualidade do exame no cenário brasileiro.

A biologia molecular, hoje, é protagonista do que há de última geração em termos de sexagem fetal: através da análise do DNA fetal circulante no sangue materno, é possível determinar o sexo do bebê com uma simples coleta de sangue. Disponível em empresas como o Grupo Genera, o exame de sexagem fetal não-invasivo possui 98% de taxa de acerto a partir da 9ª semana, e esta taxa sobe para 99,9% caso o exame seja realizado a partir da 11ª semana. Quando comparadas com as taxas de assertividade e tempo de gestação onde é possível ter certeza do diagnóstico, é possível entender porque a sexagem fetal por DNA livre circulante é, hoje, o que se chama de "padrão ouro" para a identificação do sexo do bebê. Quando se põe o preço em jogo, a vantagem é ainda mais clara: enquanto um exame de ultrassom morfológico particular (sem intermédio de convênio médico) nos melhores laboratórios pode custar até R$1200,00, um exame de sexagem fetal varia de R$299 (Genera) a R$739 (Fleury).

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