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Estado de Minas

Em Portugal, a discussão é quem pagará a saúde do futuro ? Veja com Felipe Montoro Jens


postado em 19/07/2017 15:00

(foto: Dino)
(foto: Dino)
Os avanços da medicina são ótimos para a população que pode contar, ou pelo menos deveria poder, com maior auxílio para a prática do seu bem-estar. Mas, da mesma forma que os avanços ficam mais eficientes em termos de aparelhagem e técnica, mantê-los também ficam mais caro. E aí está um dos problemas discutidos na conferência. "Seguros: Desafios na Saúde", organizada pelo Expresso e pela Tranquilidade/Açoreana Seguros, e promovido pela AdvanceCare, que aconteceu dia 21 de junho, em Lisboa. Quem destaca o assunto é o especialista em Projetos de Infraestrutura, Felipe Montoro Jens.

Na chamada saúde do futuro estão, por exemplo, médicos online e a domicílio, vídeo-assistência, e-receitas, portais digitais, marcações de consultas no telemóvel, simuladores online de custos de cirurgias, rankings de unidades de saúde por especialidade, equipamentos e máquinas de diagnóstico robotizadas, lista Felipe Montoro Jens. Mas quem irá custeá-la?

"As despesas de saúde continuam a crescer sempre acima do PIB. Neste momento gastamos 7% do PIB [referente ao Produto Interno Bruto de Portugal]. E agora caminhamos para que os cuidados de saúde sejam cada vez mais personalizados e prestados de forma digital e o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tem de providenciar isso, pelo menos sozinho", ressaltou o ex-ministro da Saúde em Portugal, Luís Filipe Pereira, durante a conferência.

Para Luís Filipe, a saúde do futuro precisará ser cofinanciada pelo poder público e pelo privado, reporta Felipe Montoro Jens. "Defendo um Sistema de Saúde Nacional, ou seja, abrir o SNS à iniciativa privada e social. (...) O Estado deve assumir-se mais como regulador do que como prestador. Não tem de providenciar todos os cuidados de saúde. Pode contratualizá-los junto aos privados", sugere o ex-ministro.

Para o presidente do Conselho de Administração do Hospital das Lusíadas, José Carlos Magalhães, que também participou da mesa de debate da conferência em Portugal, "o Estado pode contratar seguradoras pagas por si, permitindo aos cidadãos usar o SNS ou o privado". "Nós não somos competidores, somos parceiros. O bem-estar do paciente é o mais importante e não importa como lá chegamos", ponderou Magalhães.

Felipe Montoro Jens salienta que outro ponto levantado na conferência foi a liberdade de escolha do usuário do serviço de saúde. "Não ter de ir só ao hospital da sua área", exemplificou Luís Filipe Pereira. O ex-ministro da Saúde pontua que a falta de liberdade de escolha e de acesso aos cuidados de saúde têm sido um dos grandes problemas do setor em Portugal e uma das razões para surgirem cada vez mais pessoas que preferem pagar seguros para ter acesso a unidades privadas em vez de usar o SNS, que é gratuito.

A opinião é compartilhada também por José Carlos Magalhães e pelo administrador da AdvanceCare, Luís Drummond Borges - ambos acreditam que dar mais liberdade de escolha é essencial para o sistema de saúde em Portugal funcionar melhor, finaliza o especialista em Projetos de Infraestrutura Felipe Montoro Jens.
Website: http://www.felipemontorojens.com.br/

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