O admirador de um chope bem tirado nem sempre passa bem em Belo Horizonte. Encontrar um bar que entregue a bebida com a refrescância correta, além da suavidade e aquele colarinho vistoso, pode ser uma missão difícil. Uma das exceções à regra foi inaugurada em dezembro em plena Savassi.
Trata-se do Moema, o novo bar e restaurante do empresário Daniel Ribeiro, um jovem empreendedor que conhece a região como poucos. Sua casa mais famosa, o Redentor, fica no mesmo bairro há quase 20 anos – o aniversário será em abril. Ter conquistado uma clientela fiel, que lota a choperia quase diariamente, lhe deu segurança para ampliar os negócios e abrir as portas do novo estabelecimento, que fica colado no antigo.
E não haveria de ser outro o bairro escolhido pelo empresário. Também pudera. A vizinhança gastronômica por ali vem crescendo de forma interessante nos últimos tempos. Bares e restaurantes pipocam pelas ruas adjacentes, o que tem atraído uma turma cada vez mais ávida por bons petiscos e entretenimento.
Foi esse filão que Daniel quis ocupar. Eram antigos os planos de ampliar o funcionamento do Redentor, o bar cravado na esquina das ruas Fernandes Tourinho com Sergipe. Os projetos foram atropelados devido ao período pandêmico e ele teve que refazer contas. Somente passada a pior fase da COVID-19 é que a iniciativa pode ser retomada. “Eu queria uma nova casa com o mesmo astral e chope do Redentor”, diz Daniel.
O famoso chope do Redentor, portanto, faz cartaz no novato. Mil litros da bebida jorram das torneiras do bar durante toda a semana, o que demanda uma logística complicada para deixar os chopes loiros, morenos, escuros ou ferrugem na temperatura ideal. “Trabalhar com chope não é fácil, tem que ter giro rápido, cuidados no maquinário, no recebimento e no armazenamento, sem falar na tiragem do chopeiro, na forma do garçom servir e até no gás especial que usamos”, elenca o empresário.
DIVULGANDO A CACHAÇA Uma turma igualmente jovem e com estrada em outras casas da cidade foi convocada por Daniel para auxiliá-lo na missão. Os coquetéis ficaram a cargo do mixologista Tiago Santos. A carta de drinques elaborada pelo bartender tenta ir além de receitas fáceis. Ao que tudo indica, a casa entra em definitivo na ainda pequena lista de restaurantes da cidade que querem ampliar o público consumidor de cachaça. O Moema, por exemplo, leva notas de lichia, tangerina e limão, além da branquinha. “Ele traz um conforto na boca”, diz o mixologista. Outro movimento interessante é incluir o rabo de galo, o clássico coquetel feito com cachaça e vermute que andou desaparecido dos bares e agora parece engatar um movimento de retomada. “Eu quis chamar atenção para a cachaça. É um produto nosso e acho que tem que ser valorizado tanto quanto o gim, vodca ou uísque”, defende Tiago. Ele acredita que estar no coração da Savassi é a oportunidade de apresentar a cachaça para o cliente que ainda não iniciado.
Outro membro intimado a integrar o projeto foi o chef Pedro Mendes, que já atuou no Guaja e no finado restaurante Central. “Eu quis variar totalmente o cardápio”, contextualiza Daniel. Toda a concepção da casa é inspirada no bairro nobre paulistano. Daniel explica que agora é a vez de São Paulo, já que o Redentor celebra a cidade do Rio de Janeiro. Moema é também o nome da avó do empresário. O cardápio foi seguindo essa linha criativa e recebeu pratos que remetem ao imaginário da capital paulistana. O bolovo, que costuma fazer sucesso em fotos nas redes sociais, tem conquistado a audiência. O ovo caipira é cozido com gema mole e envolto em blend de carne bovina e bacon defumado, empanado na farinha de mandioca amarela do Pará. Pasteis de feira e sanduba de mortadela são outros beliscos que prestam homenagem à cidade. Clássico de São Paulo, o viradão paulista reúne arroz branco, tutu de feijão, couve, ovo frito, banana refogada e prime rib suíno. Steak tartare, ceviche e polvo à galega são outras pedidas.
Moema
Rua Sergipe, 1370, Savassi,
(31) 3568-3555