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Estado de Minas

Como casais que são sócios lidam com a convivência intensa

Patrícia Bruggen e Johnatan Lorenzetti, do bufê Casa do Chef, evitam falar sobre trabalho depois do expediente e gostam de cozinhar juntos em casa


06/06/2021 04:00 - atualizado 07/06/2021 15:40

Apesar da convivência intensa, Gabriella Guimarães e Guilherme Furtado ficaram ainda mais próximos(foto: Tamás Bodolay/Divulgação )
Apesar da convivência intensa, Gabriella Guimarães e Guilherme Furtado ficaram ainda mais próximos (foto: Tamás Bodolay/Divulgação )
Fácil não é. Mas, como tudo na vida, a experiência de trabalhar junto tem o seu lado bom: no mínimo, fortalece a relação e gera mais cumplicidade. Com a proximidade do Dia dos Namorados, convidamos dois casais, um que dirige um bufê e outro que administra um serviço de comida em casa, para contar como dividem as tarefas e estabelecem as regras de convivência.

Foi por causa de um brownie que Patrícia Bruggen e Johnatan Lorenzetti, do bufê Casa do Chef, começaram a trabalhar juntos na cozinha. Ela fazia design, ele havia se formado em gastronomia. “O Jhow começou a fazer brownie para eu vender na faculdade. Produzia de madrugada para eu levar quentinho de manhã”, conta. Pouco conhecido no Brasil, o doce fez tanto sucesso que, enquanto o elevador ia térreo ao nono andar, onde ela estudava, acabava.
 
Não demorou para Patrícia trocar o design pela cozinha para ajudar Johnatan. No começo, eles colocavam juntos a mão na massa. Depois, quando o negócio cresceu e virou um bufê, passaram a dividir as tarefas. Ele fica na gestão da cozinha, ela no atendimento, administrativo e produção de conteúdo (tarefa ainda mais intensa na pandemia, quando, sem as festas, tiveram que migrar para o delivery).

“Não consigo me imaginar trabalhando separado dela”, diz Johnatan. Para ele, o melhor é ter liberdade para falar tudo, discordar, errar, ter ideias, o que nunca viveu em outras relações de trabalho. Patrícia completa: “Ninguém te entende melhor do que aquela pessoa, que te conhece bem e está imersa na mesma rotina.” É tanta sintonia que, só de olhar, um já sabe o que o outro está pensando e precisa.
 
É tanta sintonia entre Johnatan Lorenzetti e Patrícia Bruggen que, só de olhar, um já sabe o que o outro está pensando e precisa(foto: Duorama/Divulgação)
É tanta sintonia entre Johnatan Lorenzetti e Patrícia Bruggen que, só de olhar, um já sabe o que o outro está pensando e precisa (foto: Duorama/Divulgação)

O casal se complementa no trabalho. Johnatan acredita, inclusive, que isso foi determinante para o crescimento do negócio. Ela tem mais habilidade de comunicação, ele mostra seu talento na cozinha. “Por mais que ele fizesse pratos incríveis, se não tivesse alguém para mostrar, o Casa do Chef não aconteceria. Ao mesmo tempo, não funcionaria divulgar um trabalho que não fosse consistente na cozinha”, observa Patrícia. Outro exemplo: ela leva a vida de forma mais espontânea, ele segue os planos na ponta do lápis.

O grande desafio, na opinião da designer, é conseguir separar a vida profissional da pessoal. “É encerrar a conversa sobre trabalho depois de desligar computador e deixar o celular. Não levar o assunto para mesa do jantar, deixar para o outro dia de amanhã, em horário comercial.”
 

Momento leve

 
Eles evitam falar sobre trabalho depois do expediente, mas, acreditem, nas horas vagas, o que mais gostam de fazer é cozinhar juntos. Todos os dias. Tanto que, para não cair na tentação, nem aplicativo de delivery têm. “Nós sempre cozinhamos juntos, desde o começo do namoro, e isso nos uniu muito. Quando estamos irritados, sem assunto, vamos para a cozinha, distraímos, conversamos sobre outros assuntos. É sempre um momento mais leve”, conta Patrícia.

No início do relacionamento, a designer, que cresceu comendo ultraprocessados, não sabia nem fritar ovo. Com a convivência, se interessou pela comida “de verdade” e encontrou prazer em cozinhar de tudo. Hoje cada um tem a sua especialidade e um vira auxiliar do outro em casa. Quando ela faz sopa, seu prato preferido, ele descasca e pica os legumes. Se ele quer fazer pizza, ela fica com o preparo do molho.
 
Tan tan ramen, sopa chinesa com pasta de gergelim picante, carne de porco moída, ovo marinado, verduras e pimenta sancho (Gui&Gabi)(foto: Tamás Bodolay/Divulgação)
Tan tan ramen, sopa chinesa com pasta de gergelim picante, carne de porco moída, ovo marinado, verduras e pimenta sancho (Gui&Gabi) (foto: Tamás Bodolay/Divulgação)
Patrícia e Johnatan fazem juntos todas as refeições do dia. “Eu sou responsável pelo café da manhã e a Paty pelo almoço. Mas, no fim de semana, gosto de fazer arroz, feijão e bife à milanesa, algo bem tradicional e afetivo. Se vou para a cozinha, é para fazer confort food”, diz o chef.

Na pandemia, o bufê lançou uma linha de pratos congelados. É como se abrissem a cozinha de casa para servir os clientes, já que só preparam o que gostam de comer. “Deixamos para a pessoa o básico, que é cozinhar uma massa ou refogar um arroz. Mas, na hora de fazer uma carne mais demorada ou um molho que não domina, ela tem a quem recorrer. Queremos complementar a refeição com mais técnica e ingredientes selecionados”, explica Patrícia.

No cardápio, você encontra, por exemplo, escalope de filé ao molho roti, lombo assado com legumes e molho barbecue de goiabada e panqueca de frango com molho bechamel. O bufê ainda trabalha com uma confeitaria simples, da qual fazem parte itens como cookies, o famoso brownie do início do namoro e bolos assados no dia da entrega (o de milho com requeijão é um dos mais queridos).
 

Tarefas divididas

 
Gabriella Guimarães e Guilherme Furtado, juntos à frente do serviço de comida em casa Gui&Gabi, se conheceram na cozinha há nove anos. Ela era chef do Trindade e ele apareceu por lá para participar de um evento. “Morava do lado do restaurante e o happy hour dos cozinheiros era sempre na minha casa. Nesse dia não foi diferente. No fim do serviço, todo mundo saiu e logo começamos a namorar”, ela conta. Pouco tempo depois, o casal estava de mudança para a Europa.
 
Escalope de filé ao molho roti com cuscuz marroquino (Casa do Chef)(foto: Patrícia Bruggen/Divulgação)
Escalope de filé ao molho roti com cuscuz marroquino (Casa do Chef) (foto: Patrícia Bruggen/Divulgação)
Na Espanha, eles chegaram a dividir a mesma cozinha, mas apenas durante um mês, enquanto Guilherme rodava todos os restaurantes do grupo dos irmãos Adriá. Os chefs só foram trabalhar lado a lado há pouco mais de um ano, na volta ao Brasil. Por causa da pandemia, adiaram os planos de abrir um negócio e acabaram juntos na cozinha de casa, fornecendo comida para a família. O serviço cresceu e hoje funciona em um espaço separado.

Os dois discutem juntos o cardápio e depois se dividem. “Se tem um prato que o Gui gosta e já fez mais vezes, automaticamente ele assume a preparação. Quando são pratos asiáticos, sou eu que costumo fazer, mas não tem regra. Tudo flui sem conflitos”, explica Gabriella, que ainda faz atendimento, acompanha os pedidos e gerencia a cozinha. Guilherme responde pela divulgação nas redes sociais e cuida da obra do Okinaki, bar de cozinha asiática quente que o casal vai inaugurar em breve.

A convivência é intensa. Além de cozinhar, vão e voltam do trabalho juntos, tomam decisões juntos, desenvolvem receitas juntos e ainda dormem juntos. “Neste tempo todo, os únicos dias distantes foram os cinco que a Gabi passou em Timóteo (ela foi comemorar o aniversário da mãe). É difícil, mas, como nos gostamos muito, dá certo”, aponta Guilherme. Isso os uniu tanto que praticamente são um só – eles se divertem ao contar que as pessoas os chamam de Gui&Gabi, o nome da empresa.
 
Camarão com curry tailandês de abacaxi e arroz basmati (Gui&Gabi)(foto: Tamás Bodolay/Divulgação)
Camarão com curry tailandês de abacaxi e arroz basmati (Gui&Gabi) (foto: Tamás Bodolay/Divulgação)
 
Paciência e empatia são essencias para a relação, na opinião de Gabriella, e Guilherme acredita que dividir as tarefas ajuda a evitar conflitos. Melhor ainda quando um reconhece o ponto forte do outro. Ela é mais organizada para estabelecer os processo da cozinha, enquanto ele tende a ser mais intuitivo. “Quando temos que fazer uma receita nova, já vou anotando as quantidades. Quero deixar definido para facilitar no futuro.” Ele complementa: “Eu vou mais na base da intuição, sem seguir receita.”

O casal tenta não conversar sobre trabalho da porta do quarto para dentro, mas admite que não consegue. Guilherme diz que os dois levam muito a sério a profissão, buscam excelência na cozinha e não perdem nenhuma oportunidade de discutir melhorias. “Não conseguimos nos desconectar, mesmo em dia de folga. Ainda mais agora neste processo de obra, abertura de negócio, ser empreendedor. Não estamos vivendo dias normais”, analisa Gabriella.

Em geral, em casa, um cozinha enquanto o outro descansa. Para agradar Gabriella, basta fazer sopa, caldo ou outro prato quente. Nem pensar em peito de frango com salada. Já Guilherme fica feliz com peixe ou frutos do mar. “Era mais fácil agradar o Gui em Barcelona do que em BH”, ela brinca. “Ia ao mercado na Espanha e comprava frutos do mar super frescos e baratos.” Um prato que representa bem o casal é o ramen: os dois são viciados na receita japonesa.
 

Bolo de milho verde com catupiri (Casa do Chef)

Ingredientes
4 ovos; 160ml de óleo de milho; 150ml de leite; 230g de açúcar; 200g de milho verde; 10g de parmesão ralado; 125g de fubá; 125g de milharina; 15g de fermento químico; 100g de catupiri

Modo de fazer
Pré aqueça o forno a 180-200°C e unte uma forma média. No liquidificador, adicione os ovos, óleo, leite, açúcar, milho verde e parmesão e bata por 3 minutos. Adicione o fubá e a milharina e bata por mais 1 minuto. Adicione o fermento e bata rapidamente só para misturar. Transfira o preparo para a forma e adicione o catupiri em colheradas, distribuindo por toda a superficie da massa. Leve ao forno por 45 minutos, ou até que a superfície fique bem dourada. Retire do forno e sirva ainda morno, acompanhado de um bom café.

Serviço

Casa do Chef
(31) 99390-1825

Gui&Gabi
(31) 98747-4224
 

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