A quantia prevista de repasse é de R$ 352.133,45, na medida de R$ 17.606,67 para cada um dos 20 inscritos premiados
Divulgação/Consuelo de Abreu
Na terça-feira (11/7) a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) do estado de Minas Gerais divulgou um edital destinado a reinados de Nossa Senhora do Rosário, a ser aberto na próxima segunda-feira (17/7). A quantia prevista de repasse é de R$ 352.133,45, com R$ 17.606,67 sendo destinado para cada um dos 20 selecionados.
O modelo do edital é premiação a pessoas físicas. São contemplados na iniciativa: projetos de transmissão de conhecimento, mestras e mestres, realização de eventos, circulação dos grupos, ações de fortalecimento em rede e outras. O edital foi idealizado por meio da emenda parlamentar da deputada Andréia de Jesus (PT), que também é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A parlamentar implementou a iniciativa em parceria com a Secult.
O Estado de Minas conversou com representantes de manifestações culturais sobre a proposta. Para o diretor social da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário da Comunidade Quilombola dos Arturos de Contagem, Jorge Antunes dos Santos, a iniciativa não é capaz de satisfazer as necessidades de todos os grupos de reinados. "Esse edital é suficiente? Não, mas é um incentivo e iniciativa para que outros deputados possam somar com a nossa causa", explica.
Jorge dos Santos também disse que é o momento de fomentar a discussão sobre o que é manter a cultura. Para o diretor social e Mestre em cultura popular, tradicional, e construção de instrumentos de percussão artesanais, é necessário segurar a existência dos "fazedores de cultura". "Até onde o apoio só para fazer arte é preservar a cultura?", indaga o diretor, enquanto afirma que a cultura vem de um povo que precisa de apoio, moradia e comida.
José Moreira de Souza, membro da Comissão Mineira de Folclore, afirma que apesar de o edital não ser suficiente para o manter do reinado, ele é um reconhecimento da importância da manifestação artística.
Moreira também aponta detalhes críticos da proposta. Para ele, ao falar sobre manifestações culturais, há de se ter o cuidado para não generalizar expressões diferentes, e o reinado está disputando termos de nomenclatura, considerando a palavra "congado" como não sendo capaz de representar todos os grupos que não expressam sua cultura necessariamente pela dança.
"O nome congado é responsabilidade do movimento acadêmico que o generalizou", afirma o especialista, que cita a obra "Congado: Família de Sete Irmãos", de Saul Martins, com referência sobre as origens dos diferentes reinados
Outro problema que Moreira indica na proposta está na faixa etária permitida para inscrição. Aos 18 anos, segundo o especialista, ninguém pode ser considerado uma mestra ou mestre, rei ou rainha da celebração. No máximo, nessa idade, a pessoa é capaz de alcançar a figura de capitão, diz. Ele, contudo, enxerga a possibilidade de iniciativas como o edital serem capazes de favorecer a celebração, após as perdas na pandemia.
Inscrição e edital
As inscrições serão abertas na próxima segunda-feira (17/07) e permanecerão até às 23h59 do dia 18 de agosto, por meio da Plataforma Digital Fomento e Incentivo à Cultura. Cada pessoa só poderá inscrever um projeto, que deverá prever atividades de forma presencial. Antes de realizar a inscrição, é necessário que o proponente seja cadastrado e aprovado na plataforma online. São aceitas inscrições de pessoas maiores de 18 anos.
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