Jornal Estado de Minas

ESCRITOR ATACADO

Agressor de Salman Rushdie se declara inocente em tribunal em NY


O agressor do escritor britânico Salman Rushdie se declarou inocente nesta quinta-feira (18/8) das acusações de tentativa de homicídio e agressão, em uma audiência em um tribunal no Norte do estado de Nova York.





Hadi Matar, de 24 anos, reiterou, por meio de seu advogado, sua declaração de inocência das acusações que enfrenta por invadir o palco de um evento literário na última sexta-feira (12/8) na cidade de Chautauqua e esfaquear Rushdie, de 75 anos, várias vezes no pescoço e no abdômen. 

Preso logo em seguida, o suspeito já havia se declarado inocente durante uma audiência processual no sábado seguinte ao ataque. O juiz ordenou mantê-lo detido sem direito a fiança e ele deverá comparecer perante o tribunal no próximo dia 7 de setembro.

Com a cabeça baixa, Matar vestia um uniforme prisional com listras pretas e brancas na audiência, que atraiu um grande número de jornalistas.  

Depois do ataque na sexta, Rushdie foi transportado de helicóptero até um hospital próximo para uma cirurgia de urgência. Seu estado segue grave, mas ele mostrou sinais de melhora e foi retirado do respirador. Segundo seu empresário, ele teve os nervos do braço rompidos, o fígado atingido e comprometido e provavelmente perderá um olho.





O escritor passou vários anos sob proteção policial após uma sentença (fatwa) do aiatolá Khomeini de 1989 determinando aos muçulmanos que o matassem por blasfemar contra o Islã e o profeta Maomé em seu livro “Versos satânicos”, publicado no ano anterior.

A polícia e a promotoria deram poucas informações sobre Matar e as razões de seu ataque. Matar nasceu nos Estados Unidos, mas sua família é de Yaroun, no Líbano, de acordo com funcionários libaneses.

Rushdie, que nasceu na Índia em 1947, se mudou para Nova York há cerca de 20 anos e em 2016 obteve a cidadania americana. Apesar das contínuas ameaças contra sua vida, ele frequentemente era visto em público sem muita proteção.





O Irã negou qualquer vínculo com o ataque, mas acusou o escritor de “insultar” o Islã em seu livro de 1988.

Surpresa

Em entrevista ao ao jornal “New York Post”, Matar se disse "surpreso" de que o escritor britânico tenha sobrevivido ao ataque. "Respeito o aiatolá. Penso que é uma grande pessoa. Isso é tudo o que direi sobre isto", disse ele. Segundo o “New York Post”, seu advogado o aconselhou a não falar sobre o tema.

Matar disse ao jornal que havia lido "algumas páginas" do romance de Rushdie. "Não gosto da pessoa. Não acho que seja uma pessoa muito boa", afirmou, sobre o autor de “Versos satânicos”. "É alguém que atacou o Islã, atacou suas crenças, os sistemas de crenças", disse.

Matar disse não manter contato com a Guarda Revolucionária do Irã, exército ideológico da República Islâmica. Também contou que tinha se inteirado de que Rushdie daria uma conferência literária na Instituição Chautauqua através de um tuíte no começo deste ano.





O jovem, morador de Nova Jersey, disse ao jornal que tinha embarcado em um ônibus na cidade de Buffalo, no Norte do estado de Nova York, na véspera do ataque, e depois foi para a pequena cidade de Chautauqua em um carro do Lyft, serviço de transporte por aplicativo.

"Andei por aí fazendo hora. Não fiz nada em particular, só caminhei", contou ao jornal. "Fiquei do lado de fora o tempo todo." 

A mãe de Matar, a libanesa Silvana Fardos, moradora de Fairview, Nova Jersey, descreveu Matar como "um introvertido de caráter mutável" e afirmou que ele estava cada vez mais obcecado pelo Islã depois de visitar o Líbano em 2018 para ver seu, segundo declarações ao jornal britânico “Daily Mail”.