Jornal Estado de Minas

MÚSICA

Duo Nascente, de Juiz de Fora, lança miniálbum inspirado pela água


A dupla instrumental juiz-forana composta por Bia Nascimento e João Cordeiro acaba de lançar seu primeiro EP. Depois de antecipar o lançamento do single “Água Nascente”, o duo apresenta seu trabalho estendido mesclando violão e vibrafone. Homônimo à dupla, 'Duo Nascente' conta com cinco faixas e participações especiais de artistas mineiros, como Caetano Brasil, indicado ao Grammy Latino do gênero instrumental.





João revela uma rotina de ensaios rigorosos durante um ano antes da primeira apresentação da dupla em 2018. “Eu falo que esse processo do EP vem desde esse iniciozinho. Ali, sem saber, a gente já estava trilhando esse caminho. Tem música que a gente gravou no EP, que a gente toca desde o primeiro ensaio.”

O projeto foi submetido e aceito pela Lei Municipal Murilo Mendes de incentivo à cultura, em Juiz de Fora, e o processo intenso de produção do disco continuou. Artistas como Caetano Brasil e Leandro Domith foram convidados para participar do desenvolvimento conceitual da obra durante a pandemia. João conta que o conceito nasceu de forma natural durante o processo.

“Na verdade, não me lembro, ao certo, de onde veio o nome, mas a palavra 'nascente' me remete à água e a gente toca 'Olho d'água' desde o início. O próprio timbre dos instrumentos. O vibrafone remete muito à água, para a gente. Aí veio o Leandro Domith, um grande amigo nosso para o qual a gente pediu uma composição pro disco também, e ele compôs para o duo a única música composta para esse EP especificamente – as outras já existiam e foram cedidas –, “Água de Nascente”, sem que a gente tocasse nesse assunto com ele. Então veio tudo muito natural.”





O projeto gráfico também reflete o conceito por meio do trabalho de Lívia Almeida, com bordados em azul na capa do disco.

VOZ COMO INSTRUMENTO 

A única faixa do álbum que conta com vozes é justamente a última. “Aventureira” nasceu para ser apenas instrumental, mas sofreu uma intervenção de última hora por parte de Bia Nascimento.

“É um disco instrumental e, na verdade, isso não o descaracteriza como uma música instrumental. Ela tem vocalistas, mas a gente usa a voz como instrumento. Não tem letra. Foi uma ideia da Bia, colocar aqueles vocalistas, pertinho da hora de gravar. Experimentamos no estúdio e aí ficou,” revela João.

Assim como “Aventureira”, todo o processo de criação e produção da música instrumental, segundo o músico, é um pouco experimental. Para ele, não há diferença em relação aos trabalhos na música mainstream, havendo espaço para todos, alguns mais nichados que outros.





“É claro que há nichos maiores e nichos menores, mas cada música, cada estilo, tem seu espaço e o legal é fazer a música, a arte, no geral, com verdade. Com a sua verdade. Se você faz de verdade, com sinceridade, você vai conseguir caminhar naquilo, encontrar seu espaço, seu caminho e conseguir prosperar. A chance é muito grande.”

Ele conta que a repercussão e a recepção do público tem superado as expectativas. A seu ver, as mídias sociais têm diminuído a distância entre artista e público e ajudado com a divulgação em mídias tradicionais como jornais e TV, quer seja no interior, quer na capital.

Quanto a vir se apresentar em BH, entretanto, ele revela ainda estar sem planos para um futuro próximo, mas, caso apareçam convites, ele se diz tentado a aceitar. (MH)

*Estagiário sob supervisão do editor Álvaro Duarte 


“Duo Nascente”
 Disco de Bia Nascimento e João Cordeiro
Cinco faixas
Disponível nas plataformas digitais