Jornal Estado de Minas

ARTES CÊNICAS

Comédia sobre mulheres que se decepcionam com homens chega hoje a BH



Humor e reflexão em medidas equivalentes são os ingredientes que temperam a peça “Procuro o homem da minha vida, marido já tive”, que ocupa o palco do Grande Teatro do Sesc Palladium neste fim de semana. 





Baseado no best-seller homônimo da escritora argentina Daniela Di Segni, com versão brasileira assinada por Claudia Valli e direção de Eduardo Figueiredo, o espetáculo traz no elenco Grace Gianoukas, Leona Cavalli, Totia Meireles e Mauricio Machado.

A montagem, que estreou em janeiro deste ano, em São Paulo, leva à cena um divertido papo regado a muito vinho, entre três amigas que refletem sobre sua vida, indo do sonho com a entidade “homem ideal” à descoberta do prazer de encontrar a si mesmas. Grace Gianoukas explica que os atores em cena interpretam vários personagens que orbitam, de forma ilustrativa, a tertúlia das protagonistas.

“Começa com o encontro dessas três amigas num bar de jazz, onde elas comentam sobre seus relacionamentos. Eu faço o papel da autora do livro, que analisa as coisas com mais distanciamento; a personagem da Leona é aquela figura sonhadora, que ainda espera encontrar o homem ideal; e a da Totia é mais pragmática em relação a esses assuntos”, cita.




Diferentes personagens

Ela esclarece que, à medida que a conversa entre as três avança, esquetes com outras personagens vão entremeando o enredo. Grace faz quatro diferentes personagens; Mauricio, sete; Totia e Leona, outras tantas. “Funciona muito bem, o que é um mérito do Eduardo Figueiredo, que conseguiu harmonizar os vários esquetes, dando uma unidade legal ao espetáculo”, aponta a atriz.

Ela destaca que “Procuro o homem da minha vida, marido já tive” trabalha em cima de um discurso contemporâneo da mulher se descobrindo como um indivíduo inteiro, que não depende nem precisa da presença masculina para se completar. “É um espetáculo bem popular, bem divertido, uma comédia para todo mundo que tem algum entendimento de relacionamentos. As mulheres e os casais têm se identificado muito”, ressalta.

A própria Grace diz se ver espelhada, em diferentes fases da vida nas personagens que incorpora no palco. “Eu me identifico com algumas personagens, lógico, porque a gente vai passando por fases. Hoje eu sou aquela mulher mais pragmática, mas já teve momentos em que fui aquela que vai atrás, sai à noite para caçar o homem ideal. Acho que a maioria das mulheres já passou por essas diferentes fases”, diz.






Condição da mulher

A atriz considera que a principal marca da montagem é a forma como ela consegue dosar humor com questões – nem sempre de fácil abordagem – inerentes ao papel e à condição da mulher nos dias atuais. “O texto traz essa eterna discussão acerca do desencontro entre opostos, mas também vem ao encontro do discurso contemporâneo do empoderamento feminino. Em um dado momento, uma das personagens diz que o homem da vida dela é ela mesma”, pontua.

Lançado em 2004, o livro de Daniela Di Segni vendeu mais de 200 mil cópias em todo o mundo e foi adaptado para o teatro em seu país e também no Chile, Colômbia, Uruguai, México, Portugal e Espanha. A versão brasileira trouxe as questões que a obra aborda atualizadas para os dias de hoje, já que, no entendimento da equipe envolvida, as mulheres mudaram muito ao longo destes quase 20 anos.

Grace diz que, a partir da adaptação feita por Claudia Valli, elenco e diretor ajustaram alguns pontos e criaram soluções de forma a potencializar as cenas – tanto no que diz respeito ao humor quanto na atualização de conceitos e ideias. “Claudia é autora de novelas e há muito tempo escreve para mulheres. Nos anos 2000, ela manteve o blog O Grelo Falante, com textos sobre e para mulheres”, diz, acrescentando que, assim que recebeu o convite para participar da peça, leu o livro do qual foi adaptada.




Outra dinâmica

“O texto é ótimo, mas ele chega ao palco com uma outra dinâmica, que ganhou a partir do momento em que caiu nas mãos da Claudia. Quando as mulheres param para pensar no machismo estrutural da nossa sociedade, elas se dão conta – e dão gargalhadas – da própria patetice. Isso é algo que tem que estar sendo sempre revisto, porque o machismo é muito arraigado, mesmo entre as mulheres”, afirma.

Depois da estreia na capital paulista, o espetáculo cumpriu temporada no Rio de Janeiro, circulou por cidades do interior de São Paulo e chega agora a Belo Horizonte com um saldo muito positivo, segundo Grace.

“É um sucesso, e tem sido muito legal, neste momento de retomada, participar de uma peça que agrada tanto às gregas e troianas quanto aos gregos e troianos, porque o público masculino que vai assistir também vai se divertir com um painel de vários tipos de homens – o cafajeste, o encostado, mas também o companheiro, o parceiro, o grande amigo”, aponta.

“PROCURO O HOMEM DA MINHA VIDA, MARIDO JÁ TIVE”

Neste sábado (25/6), às 21h, e no domingo (26/6), às 19h, no Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, 31.3270-8100). Ingressos a R$ 75 (inteira) e R$ 37,50 (meia), pela Sympla ou na bilheteria do teatro