Jornal Estado de Minas

ÔMICRON

COVID-19 provoca onda de adiamentos de eventos culturais. Veja quais



Espera-se que não seja um efeito dominó, mas, diante da escalada de infecções por COVID-19, a agenda de eventos culturais em Belo Horizonte e Minas Gerais já está afetada pela variante Ômicron. Repetindo o que ocorre desde o início de janeiro em outros grandes centros urbanos, shows, festivais e mostras estão sendo reagendados.





O adiamento tem partido dos próprios promotores, como uma medida de segurança, e também dos artistas – muitos vieram a público afirmar que eles ou integrantes de suas equipes se infectaram com o vírus. A agenda de janeiro da capital mineira segue com algumas baixas – o andamento da crise sanitária nas próximas semanas poderá mudar ainda mais o cenário.

Por ora, em BH, estão adiadas as apresentações que ocorreriam nesta semana e na próxima da Orquestra Petrobras Sinfônica e de Lulu Santos – todas no Palácio das Artes. O VAC – Verão Arte Contemporânea, que foi cancelado em 2021, adiou sua realização.

Permanecem programados, até o momento, grandes eventos como o festival Rockstar, no Jardim Canadá, em Nova Lima, que vai reunir, no próximo sábado (22/1), Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Barão Vermelho, e o Festival de Verão BH, com 60 artistas, nos dias 29 e 30 deste mês, na Esplanada do Mineirão.



VAC alterado


Longa "Não há sol a sós", criação coletiva que acompanha a vida da comunidade Morro das Pedras, seria lançado durante o VAC (foto: Dodo Silva/Divulgação)
No dia 11 deste mês, quase duas semanas antes do início de sua 15ª edição, a organização do VAC veio a público informar o adiamento do festival, que ocorreria entre 23 de janeiro e 13 de fevereiro em 10 espaços. A ideia é realizar o evento em julho. Até lá, a programação poderá sofrer muitas alterações.

“No final de 2021, quando vimos que tudo estava melhorando, as pessoas vacinadas e tudo abrindo, elaboramos um formato diferente. O VAC quase não teria espetáculo, seria mais pedagógico”, comenta Ione de Medeiros, fundadora do Grupo Oficcina Multimédia, que realiza o evento.

A programação, com diversas frentes artísticas, seria realizada em teatros como o Marília, Francisco Nunes, além de espaços do Palácio das Artes e Sesc/Palladium. A Funarte abrigaria a abertura, com apresentação do Reinado da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, com integrantes de cidade do interior do estado.





O cineasta Rafael Conde teria uma retrospectiva de sua obra – o VAC também exibiria, em primeira mão, “O suposto filme”. Uma série de residências artísticas com criadores, como Márcio Meirelles, do Bando de Teatro Olodum, e a coreógrafa Dudude Herrmann, seria destinado ao aprimoramento de profissionais da arte.

Ione de Medeiros comenta que em nenhum momento pensou em transferir a programação para o formato on-line. “A ferramenta foi muito utilizada na pandemia, e foi um benefício, mas saturou um pouco. A presencial foi uma alegria muito grande, mas quando adiamos, mesmo com a frustração, ficou todo o mundo aliviado, pois não é possível expor as pessoas (ao vírus)”, continua ela, que vem somando revezes durante a pandemia.

Quando a crise se instaurou, em março de 2020, o Oficcina Multimédia se preparava para estrear “Vestido de noiva”, de Nelson Rodrigues. Em julho do mesmo ano, o grupo, que completa 45 em 2022, teve que entregar o galpão de ensaios e de guarda de seu acervo de cenários e figurinos, no Bairro do Carmo. “Não tínhamos como pagar aluguel”. Conseguiu recentemente uma nova sede, na mesma região, mas um espaço muito menor do que o anterior. Parte do acervo foi doada. Neste ano, o Multimédia pretende lançar um livro comemorativo de sua trajetória, iniciada em 1977.




Tiradentes só on-line

 
Funcionários desmontam tenda da 25º Mostra de Cinema de Tiradentes, que começa no próximo sábado (21/1) e teve presença de pública cancelada (foto: Quintino Vargas/Divulgação)
Na quinta-feira (13/1), quando o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, afirmou que Minas Gerais deve atingir, em duas semanas, o pico de casos confirmados de COVID-19, havia 10 dias que a montagem da 25ª Mostra de Cinema de Tiradentes tinha sido iniciada. O Cine-Tenda, que comportaria 300 pessoas, era quase que uma realidade na cidade histórica.

A afirmativa do secretário só veio corroborar ao que a produção do evento já vinha presenciando em Tiradentes. No cenário pós-réveillon, o número de casos positivos havia crescido muito na cidade. Proprietários e funcionários de restaurantes e pousadas estavam infectados.

Na sexta-feira (14/1) à tarde, depois de um dia de reuniões e avaliações do cenário, foi tomada a decisão, anunciada à noite, exatamente uma semana antes do início do evento (21/1). A mostra, pensada para o formato híbrido, será realizada unicamente on-line, com todas as ações presenciais canceladas.





“Foi um processo angustiante, mas diante do cenário que se apresentou, a decisão foi primordial. Não houve pressão nenhuma da cidade, a decisão foi nossa. Imagina se em pleno evento, que dura nove dias, é anunciada uma Onda Vermelha? São 400 convidados, fora o público. Preferimos agir antes de as pessoas se deslocarem para lá, até para não gerar um problema de que a mostra levou o vírus para a cidade”, comenta Raquel Hallak, organizadora do evento.


Insegurança


Em momento algum foi aventado um adiamento. Durante o fim de semana ocorreu uma força-tarefa na Universo Produção, realizadora do evento, para as devidas adequações. “São 169 filmes. Então foi todo mundo ligando para negociar (a exibição presencial pela on-line), mas a resposta foi imediata. As pessoas estavam doidas para se encontrar, mas já existia um clima de insegurança”, continua ela.

De acordo com Raquel, todos os realizadores concordaram em exibir seus filmes no formato digital. “A mudança é muito mais do espírito. Vamos manter no on-line tudo o que foi pensado para o presencial. A ideia não é deixar os filmes disponíveis (no período do evento, que vai até 29 deste mês). Serão mantidos inclusive horários das sessões (63) e dos debates (51). Queremos que as pessoas se sintam como se estivessem em Tiradentes.” Para este ano, assim que possível, ela diz que pretende realizar sessões na praça da cidade histórica e um trabalho com as escolas municipais.




Vai e vem nas datas* 


Alguns eventos que já foram adiados

EM BELO HORIZONTE

>> Burn Experience – A oitava edição da festa de gastronomia e música seria em 29 de janeiro na Casa de Retiros São José. Foi adiada para 30 de abril, no mesmo local, por causa do excesso de chuvas e do aumento de casos de COVID.

Lulu Santos adiou os shows que faria no Palácio das Artes, em 28 e 29 de janeiro, para celebrar os 40 anos de carreira (foto: Dodo Silva/Divulgação)
>> Lulu Santos – Seriam dois shows, 28 e 29 de janeiro, no Palácio das Artes, da turnê “Alô, base”, comemorativa dos 40 anos de carreira. Os adiamentos partiram do próprio artista, depois que oito integrantes de sua equipe testaram positivo para a COVID. Além de BH, foram adiados shows no Rio, São Paulo e Salvador. Novas datas ainda não foram anunciadas.

>> Orquestra Petrobras Sinfônica – Seriam duas apresentações, ambas no Palácio das Artes. A de quarta (19/1) seria para o público infantil, com repertório da animação “Mundo Bita”. O segundo, na quinta (20/1), seria o chamado “Concerto clássico”, com regência do maestro Isaac Karabtchevsky, diretor artístico da orquestra. Os adiamentos partiram da própria orquestra. Novas datas ainda não foram anunciadas.



Maestro Isaac Karabtchevsky regeria a Orquestra Petrobras Sinfônica no 'Concerto clássico' (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


>> Verão Arte Contemporânea – A 15ª edição do evento seria realizada entre 23 de janeiro e 13 de fevereiro em 10 espaços da capital. Foi adiada por causa do aumento de casos de COVID. A previsão é de que seja realizada em julho.

NO BRASIL

>> Marisa Monte – Depois de testar positivo para COVID, a cantora, assintomática, adiou os shows da turnê “Portas” que seriam realizados neste mês no Rio e em São Paulo. Novas datas foram confirmadas para 19 a 21 de maio, na capital fluminense, e 21 a 23 de julho, na capital paulista. O show em BH, em 16 de abril, no anfiteatro do Mineirão, está confirmado.

>> Outros artistas que adiaram shows neste mês porque eles ou integrantes de suas equipes contraíram o vírus: 
Skank (14 a 16/1, em Santa Catarina, com shows transferidos para maio); 
Jota Quest (7 e 8/1, em Praia Grande e Angra dos Reis, sem nova data); 
Alcione (13/1, no Rio, transferido para 20/1 e 15/1, no Rio Grande do Norte, sem nova data).



>> Houve artistas que decidiram adiar suas apresentações por causa do aumento de casos. São eles 
Marina Sena (que transferiu dois shows em São Paulo de janeiro para abril); 
Silva (que adiou, ainda sem nova data, as apresentações do Bloco do Silva que ocorreriam entre janeiro e fevereiro em seis capitais, inclusive BH, em 19/2, no Mineirão); e o maestro João Carlos Martins e Maria Bethânia (transferiram as duas datas de janeiro de “De Beethoven a Bethânia”, no Rio, para março).

>> Universo Spanta – O festival carioca, que teria shows durante janeiro (seriam 14 dias) na Marina da Glória, foi adiado para 2023. Em um momento inicial, só o primeiro fim de semana havia sido adiado. Na última semana, com o novo surto do vírus no Rio, o evento decidiu adiar sua realização para daqui a um ano. Continuam confirmando suas atrações, como Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho.

* Para eventos pagos, os ingressos adquiridos continuam valendo para a nova data. Aqueles que optarem pela devolução dos ingressos, podem solicitar reembolso no mesmo canal onde eles foram adquiridos

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